11
Feb

Zumbis na Vila Ipojuca

por Gabi

Minhas últimas semanas têm sido bem corridas. Tenho trabalhado bastante e as chuvas acabam com o trânsito da cidade, me fazendo ficar ainda mais cansada. E com as chuvas, vêm os blecautes. O preço que se paga por morar em um aprazível bairro arborizado que parece cidade de interior é que quando chove, as árvores caem e a luz acaba.

Semana passada isso aconteceu 3 dias. Seguidos. Sempre no final do dia, naquela hora que você chega em casa e tudo que você quer é um banho quentinho, um pijama macio e um copo de leite com relaxante muscular nescau.  Num dos dias aproveitei pra sair pra comer, no sábado fugi pra tomar banho na casa da mamãe. Afinal, eu sou uma otimista e acredito em aproveitar as coisas que me são dadas sempre de maneira positiva e feliz. Poliana way of life, cês sabem.

Mas teve um dos dias, durante a semana, em que cheguei em casa antes do Eric e tava sem luz. Pensei em como eu era feliz por morar no segundo andar! Afinal, teria que subir poucos lances de escada pra chegar em casa e tomar um banho morninho (com água esquentada no fogão, claro) e poder depois relaxar à luz de velas. Eu tava tão cansada que um banho de caneca me parecia uma coisa boa, gente. Na verdade, meu corpo clamava por um sofá, uma cama, uma almofada no chão, qualquer coisa na qual eu pudesse encostar e descansar. Tinha sido um dia difícil mesmo, com montes de problemas no trabalho, preocupação com grana, trânsito, café ruim e tudo mais que se possa imaginar.

Aí cheguei no prédio. Meu simpático porteiro diligentemente abriu o portão e eu adentrei com o carro na garagem.

A garagem, obviamente, estava um breu.

Pensem: eram 9 horas da noite e a luz tinha acabado no bairro as 17hs. As luzes de emergência já tinham acabadao há tempos. A garagem fica no subsolo. Não havia nenhum tipo de luz pra clarear que fosse um pouco. Quando apaguei os faróis do carro, fui engolfada por uma escuridão ancestral, do tipo que os homens das cavernas viviam se a fogueira se apagasse e fosse uma noite sem lua.

Tava escuro pacas.

E eu tenho uma imaginação particularmente ativa. Fui criada lendo quadrinhos e livros e vendo filmes sem muito freio. Meus pais, abençoados sejam, nunca foram de censurar o que eu lia. Por isso, me afundei na loiteratura de fantasia e terror. Li Drácula com 10 anos (e dormi de luz acesa por semanas) e ficava acordada até tarde vendo filmes do Jason em um videocassete paraguaio de 4 cabeças. Então, ao ver aquela escuridão toda, a primeira coisa que pensai foi em zumbis. Sempre que acaba a luz, penso em invasão zumbi. Sim, eu sei. Isso não é normal.

Mas invasões zumbi estão aí, prestes a acontecer a qualquer momento. Assitam filmes do George Romero e entendam o quanto é fácil isso acontecer e o quão rápido ela se espalharia pelo mundo. E todo mundo sabe que em invasão zumbi o que se faz é atirar na cabeça e correr como se não houvesse amanhã. De preferência, usando armas de alto calibre, que é pra explodia a cabeça dos malditos sem deixar dúvidas.

No entanto, eu não tinha uma arma. Nem um machado, nem mesmo um pé de cabra ou bastão de beisebol. Tudo que eu tinha nas mãos era minha bolsa.

Respirei fundo, Pensei no dia que havia tido, pensei no meu banho e na minha cama e disse em voz alta:

Ok, zumbis, demonios e outros entes das trevas. Se um de vocês quiser me pegar, que deus me ajude, arranco sua cabeça com minhas mãos nuas.

E apaguei os faróis do carro, andei em direção a escada e subi os poucos lances que me separavam da minha cama sem ser incomodada. Não sei se havia zumbis na escura garagem do edifício. Mas se houvesse, eles foram assustados por mim, do alto de meu metro-e-meio e armada com uma bolsa de tecido.

Talvez o fato mais assustador nisso tudo seja que a bolsa era de bolinhas.

6 Responses to “Zumbis na Vila Ipojuca”

  1. Sol says:

    Ai genti, que gato-zumbi mais fofoooooo!!!!! Desse jeito até eu quero ser atacada! :D

  2. Daniela says:

    Pois eu estou sempre pensando em invasão zumbi. Em casa deixo sempre a porta trancada para ter mais tempo de me preparar caso eles apareçam do lado de fora. No banho, fico sempre atenta para barulhos estranhos…

  3. Daniela says:

    E eu achando que quando esvaziavam a caixa d’água do prédio e eu não podia tomar banho (porque não tinha ÁGUA) já era suficientemente ruim. :P
    Quando aparecem seres malignos de qualquer espécie (baratas, aranhas, etc) saio correndo atrás do bicho até exterminá-lo. Não consigo conviver com a ideia de só espantá-los, e de repente eles voltarem.

  4. Desirée says:

    Já tive essa sensação de ser engolida pela escuridão e não enxergar nem a mão. Horrível e não precisa ter nenhum referencial de filmes de terror, só imaginação. Arghhhhh

  5. Camila F. says:

    Hahahaha…essa foto é demais!

  6. Isadora says:

    “do alto do meu metro e meio e com uma bolsa de tecido”. assim… sou eu, né? :D

    bom, vc acabou de ler meu texto sobre nerdices. eu não gosto de zumbis. mas certamente, eu estaria na mira de algum vampiro, sensual, porém malvado. e claro, das baratas. pq não tem nada mais assustador numa garagem escura que baratas!

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