Too old to rock’n'roll
A primeira vez que fui a um show do Red Hot Chili Peppers foi em 1993. Era a primeira vez deles no Brasil, eu tinha 15 anos e eles haviam lançado há pouco o disco mais incrível que jamais lançariam: Blood Sugar Sex Magic. Era o festival Hollywood Rock, era verão, fazia calor e eu estava lá no Morumbi vendo o show de uma das minhas bandas favoritas. A censura era 16 anos, mas quem se importa com a lei quando se tem 15 anos e ingressos pra ver Red Hot, L7, Nirvana e Alice in Chains? Foram grandes shows e acho que foi ali que minha cabecinha se transformou em fã de rock para todo o sempre.
O show do RHCP foi absurdo. Eles usavam saia, se apresentavam semi nus com lâmpadas gigantes na cabeça, pulavam sem parar e eu achei aquilo completamente maluco e maravilhoso. Eles abriram o show com Give it Away, o maior hit da banda, e quando uma banda abre um show com seu maior sucesso é meio que uma declaração de ”Tocamos a música do rádio, agora a gente faz o que quiser“. Isso cria uma expectativa. E eles cumpriram lindamente e eu fiquei muito feliz de estar ali.
Hoje, aos 34, eu deveria ser sábia o suficiente para ter consciência de que nada pode superar um show que você viu aos 15 anos, mas aparentemente, não sou. Ano passado vi Pixies e foi tão incrível que achei que seria lindo ver qualquer banda da minha adolescência ao vivo. O show do Red Hot no Anhembi provou que estava enganada. Poderia botar a culpa no hediondo sistema de som do Anhembi, no meu cansaço depois de um dia de trabalho ou na tpm, mas a verdade é outra. Red Hot envelheceu, e não de um jeito digno.
Enquanto bandas e artistas como Rolling Stones, Paul McCartney, Foo Fighters, Pearl Jam, Neil Young, Iggy Pop, Faith no More e Ozzy envelhecem perdendo um pouco do fôlego e mantendo a essência, outros como Metallica e Aerosmith se afastam tanto do que eram que soam irreconhecíveis. Red Hot lamentavelmente engrossa o caldo do segundo caso.
Os últimos álbuns (Stadium Arcadium, By The Way e Californication) foram horrorosos. De uma banda cheia de energia, que conseguia misturar rock com funk tão bem que foi produzida pelo George Clinton, viraram uma bandinha cheia de músicas meio emo, meio dançantinhas, sem batida, sem groove, sem alma. Desses 3 discos, se salvam algumas coisas como Hump the Bump, I Like Dirt, e em menor grau Can’t Stop. O resto? Chatice, cansaço, nenhuma vontade de dançar e tiozinhos cumprindo tabela no show. O disco recém-lançado, I’m With You, é infinitamente melhor que esses 3, e me fez acreditar que a banda estava voltando à forma. mas não.
Na quarta feira, deu pra ver que Chad ainda espanca a bateria como se sua vida dependesse disso, Flea ainda é um dos melhores baixistas do mundo, mas o “novo” guitarrista não corresponde. E Anthony, o vocalista mais legal da década de 90, virou um bigodudo esquisito que perdeu a voz.
O que salvou o show pra mim foi Flea cantando “Pea“, uma das músicas mais fofas deles. De resto, vontade de chorar com o setlist péssimo, que não se compara de maneira alguma com o que vi em 93. Pelo que li em críticas por aí, o show foi bom pra muita gente. Pra mim, foi um horror. No fim do show, a banda não parecia cansada nem feliz. E eu só estava cansada mesmo.
Aí voltei pra casa pensando que estou too old to rock’n'roll but too young to die. Essa sensação está aqui até agora, me fazendo pensar se devo continuar gastando meus suados caraminguás em shows de rock. Talvez ir a shows de rock seja coisa a ser feita antes dos 30. Não sei.
Mas botei pra rodar um cdzinho aqui e tô chacoalhando a bundinha enquanto escrevo o post e cantando junto (baixinho pra não acordar os vizinhos), e concluindo que o problema não é comigo. Eu sou uma jovem senhora animada. Meus amores do RHCP, nem tanto.





“Then there’s the Red Hot Chili Peppers. They’re one of the most popular bands in existence. They play sell-out gigs all over the world and regularly top the album charts. They even get good press. But have you ever met a single, actual fan? I mean, everyone can name ONE Red Hot Chili Peppers song they kinda, sorta like – usually Under the Bridge, or that other one (that no one ever knows the name of) – but where the hell are all these adoring fans? Clearly, they’re lurking out of sight, in an alternate dimension that exists somewhere between the atoms of our world, where the Chili Peppers are considered acceptable rather than simply annoying. This magical alt-Earth only intrudes on our reality when the Chili Peppers release an album or put tickets on sale. The rest of the time it’s invisible”
Charlie Brooker, meu ídolo
Eu também fui no Red Hot em 93! E no Nirvana! E também tinha 15 anos! Gente!
E justamente por ter ido nesse show que nunca mais fui em nenhum outro das vezes que vieram para o Brasil. O show foi incrível demais e como o rumo que a banda tomou depois não foi muito feliz eu fiquei com medo da decepção e preferi guardar aquele show pra mim como O SHOW do RHCP que eu fui.
E shows são para pessoas com mais de 30, sim. Eu fui no show do Faith No More pela primeira vez em 1991 quando eu já era apaixonada pela banda. Foi incrível. Em 2009 voltei a vê-los no Maquinaria e parecia que eu estava lá no Olympia novamente com meus 13 anos de idade. Foi fantástico de novo. Foi inacreditável. Tanto que tatuei alguns meses depois o logo da banda na nuca (claro que o fato deles serem uma das minhas bandas da vida também conta).
E outra experiência dessas foi com o Metallica. A banda veio para o Brasil no auge nos anos 90, depois virou uma bandinha meia boca, com baladinhas chatíssimas, mas ano passado arrisquei e fui no show. Foi sensacional.
Acho que não podemos desistir nunca dos nossos ídolos e de nossas memórias nostálgicas. Essa foi uma experiência ruim, mas acho que você ainda pode passar por outras que vão valer a pena e que vão virar história para os seus netos.
E para provar que nós, senhorinhas de mais de 30, ainda arrasamos nos shows muito mais que muita menina, um vídeo que eu fiz no show do Faith No More em dezembro do ano passado no Chile. Sim, sou eu, a louca, filmando. http://youtu.be/7lBdlaoSCwg
Beijos!
Gabs,
Uns amigos meus que são super fãs da banda tb foram nesse show e ficaram SUPER decepcionados.
Não sei o que diz a critica, mas meus chegados tão contigo nessa.
beijos
Este post retrata bem o que eu penso do Red Hot Chili Peppers. E isso desde o Rock in Rio de 2001, quando a banda encerrou o festival com um show constrangedor.
Já naquela época, achei a banda fraquíssima – e eu tinha 23 anos.
Vi o RHCP no Hollywood Rock, também, só que no Rio. E foi um dos melhores shows daquele festival (pra mim, só perdeu pro Alice in Chains). Pra mim, a banda existe apenas até o “Blood Sugar Sex Magic”. Por isso, aquele show foi tão bom, pois as porcarias que se seguiram depois ainda não existiam.
Sobre as bandas citadas, discordo um pouco do Metallica. Acho que eles passaram por uma fase de uns bons 10 anos ruins, com “Load”, “Reload”, “St. Anger” e análise em grupo. Mas fizeram um discaço com o “Death Magnectic” e voltaram à velha forma nos shows. O de ontem no Rock in Rio foi demais.
E, finalmente, sobre o “To old to rock n’ roll”, acho que o problema não é só nosso, os fãs, mas das bandas, que envelhecem, acabam.
Mas enquanto existir um Metallica fazendo um show como o de ontem, eu, atualmente aos 33, vou estar lá pra ver.