The Hills are Allive with the Sound of Music
Tudo começou no sábado, seis da manhã. Ainda escuro, Marcio passou aqui em casa para me cooptar para a viagem.
Enquanto eu tentava abrir os olhos e me comunicar, lembrei que o CD player do carro dele não funciona. Depois de quase três horas de Dutra, falando besteiras sem parar pra preencher os espaços entre uma cidade e outra, chegamos à Itatiaia, resgatamos a Beta e bora pro Parque.
Paramos no posto de informações turísticas:
- Moço, queremos uma trilha bacanuda!
*guardinha avalia o nerd e as gordinhas*
- Olha, gente, tem a trilha do laguinho… são 400 metros e lá tem uma área de piquenique…
- Bah! Queremos desafios!
- Tem a do Véu da Noiva, um quilômetro, tem uma vista bonita…
- Nhé, isso é para amadores!
- Bom, tem a Três Picos… mas é difícil…
- Opa. Fale mais.
- São seis quilômetros, tem uma parte de subida longa, tem lama, pedras, trechos arriscados e pelo menos um monstro igual ao do Lost que come gente.
- É essa!!!
E partimos, com nossas mochilinhas com barras de Nutry, água e biscoitos.
Sobe, sobe, sobe. Lama. Mato. Sapo. Mais lama. Mais subida. Mais um sapo. A cada trecho de ascensão eu pensava: “Cara, como vou descer isso de volta depois?”
O lugar é bem bonito, uma triha de mata fechada, como eu gosto. Árvores cobertas de musgo, névoa, cachoeirinhas pequenas.
Depois de muitas horas de subida, percebemos que eram seis quilômetros DE IDA, mais seis na volta. Quando eu e Beta íamos desistir, Marcio surtou, subiu até o fim e desceu dizendo que o lugar era lindo e tal. Subimos, e realmente, era uma cachoeira linda.
Não sei se era efeito da altitude – falta de oxigênio no cérebro faz alucinar, né? – mas era um lugar belíssimo. Pedras verdes, cobertas com musgo úmido, cercavam uma água gelada de travar os dedos. A água tinha um gosto muito limpo e era transparente, formando piscinas nas quais era possível ver o fundo. Subimos até bem alto, sujamos os traseiros de lama e musgo, mas valeu a pena.
Depois de um pequeno acidente no qual o Marcio confundiu um poço de mais de metro de profundidade com uma poça rasinha e acabou se molhando todo, iniciamos a descida.
Eu tive que parar para um xixi no mato. Pô, seis horas de trilha, né? Aí achei um trecho adequado e quando ia abaixando… um sapo. Fiquei pensando quem ia se assustar mais, se o sapo levando xixi nas costas ou eu com um sapo pulando na minha bunda. Mas tudo bem, eu consegui achar um local mais privado e resolvi o problema sem destruir a fauna local.
Aí a cada trecho da descida eu dizia:
- Gente, nós subimos por aqui? Onde eu estava com a cabeça?? O que eu estava pensando?
Resmunguei por quilômetros, para gáudio de meus companheiros de viagem.
Chegamos mortos ao carro e descobrimos que o pneu estava furado. Marcio, como bom macho alfa, trocou o acessório, enquanto dois guardas florestais observavam sem mexer um músculo. E mencionei que tava chovendo? Então, começou a chover bem forte.
Fomos pra cidade, tomamos banho, conseguimos uma pousada hospitaleira e caridosa (leia-se barata), fomos até Penedo e destroçamos um rodízio de fondue, e fomos dormir antes das dez da noite, com o corpo moído.
No domingo, como desgraça pouca é bobagem, fomos fazer mais uma trilha, dessa vez do lado do parque que tem o Pico do Itatiaia de fato – o lado com pedras. A vegetação é bem diferente, um mato seco, mais baixo, nada de árvores.
Mas também é lindo.
E muito alto: chegamos a 2350m de altitude e tenho fotos para provar. Nessa altura, cada passo é um sacrifício. Subimos uma trilhinha para ver umas flores e eu quase morri. Mas valeu o esforço: ver as nuvens se aproximando, a metros de distância, é muito bonito.
Quando estávamos bem no alto, no Abrigo Rebouças, começou a chover. Uma chuva fina que entrava pelas roupas e gelava até a alma. Comemos nosso almoço de sagadinhos, água e chocolate, pra ver se a maledeta passava. Não passou. Aí voltamos correndo. Quando estávams subindo, a cada passo víamos uma coisa bonita e páravamos para fotos. Na hora de descer era mais ou menos assim:
- Olha um pássaro.
- Morra.
- Olha a perereca.
- Morra.
- Olha um riozinho.
- Morra.
Chegamos ao fim encharcados, mas ainda felizes, para diversão do guarda, que tirou uma foto bacana dos três molhadinhos.
Voltamos pra São Paulo, a Beta ficou em casa até segunda de noite, tivemos um dia bom de ócio e preguiça.
Era exatamente o que eu precisava num fim de semana: cansar o corpo, relaxar a mente, ver coisas bonitas, pisar na terra.
Tô pronta pra outra.


A maior trilha que fiz foi subir até o 13º andar do meu prédio de escada pq tinha acabado a força na região =/ Vi umas lagartixas e mosquinhas na lixeira. Adoro a natureza =D
Eu trabalhei no sábado e fui hum… votar no domingo. I’m livin’ on the edge.
E por essas e outras que eu prefiro mesa de bar…
P
eu gosto tanto do seu blog, quando vc escreve de coisas que eu não gosto, faz parecer tão legais de se fazer… eu nunca iria escalar, passear no meio do mato e coisas desse tipo, mas do jeito que vc escreve, parece muito legal =)
Da próxima vez me chama tb =P passeio legal =) Nada como a mais pura exaustão pra fazer com que o mundo pereça um lugar menos pior =D
Eu ja estive la (por essa trilha do domingo), eh lindo mesmo. E bem puxado! Gabi, ja esteve em Ibitipoca? Sul de Minas. Trilhas tranquilas e o visual eh maravilhoso! Carregue seus amigos pra la!
O que é a paciência para escrever, não é mesmo, minha gente. Eu enchi meu post com fotos só pra preencher espaço
�timo relato, vc foi escalada para ser aquele cara q faz os diários de bordo
Bem legal o seu blog. Esse post da viagem está uma delicia. Tambem AMEI o post que voce escreveu sobre os seus amigos no Blogagi.
Tem que ter muita disposição. Ainda bem que eu nunca vou num lugar desses.
hahaha quer dizer q o sapo viu sua perereca??? huauauauh e q coisa…eu num nasci pra isso! bjo
Foto sua molhadinha (heh)
Cara, esse diálogo final fez eu dar pala de tanto rir. Muito bom, Gabi.