Resenha para o fim de semana
Bom, essa resenha era pra sair no Overdose Faroeste do Ato ou Efeito, mas não deu. Aí eu resolvi pôr aqui porque ficou bem bacaninha. Divrtam-se e assistam no fim de semana, porque o Clint é fodão.
O ano é 1992 e a última notícia que se tinha de faroestes era que eles acompanhavam queijo ralado, e geralmente eram servidos à noite, na tela da Band ou da extinta TV Manchete.
Pois é. O spaghetti corria solto. Protagonizados por Giuliano Gema e Claudia Cardinale, os western-spaghetti mandavam às favas os clássicos de Sergio Leone na década de 60, como a trilogia que começou com “Por um Punhado de Dólares”, teve sua continuação em “Por uns dólares a mais” e foi encerrada lindamente em “Três Homens em Conflito”. Trilogia essa que encerrou o período áureo do faroeste, iniciado por John Ford na década de 50 ou por Tom Mix nos anos 30. Há controvérsias. Sei lá. Mas o fato é que naquela época o western de verdade, feito de cowboys machos e prostitutas de coração de ouro estava morto e enterrado. E ninguém queria ver o treco ressucitar, porque Kevin Costner já tinha tentado isso de leve, com “Dança com Lobos” e vocês sabem a merda que deu.
Até que um dia apareceu um cartaz de um cara de costas segurando uma arma.
Vale fazer um parenteses pra falar de homens durões. Charles Bronson era durão. Steven Seagall era durão. Sylvester Stallone era durão. Chuck Norris era muito durão. Droga, até o Dolph Lungren foi considerado durão durante os anos 80. Mas todos esses caras juntos iam tremer diante de uma erguida de sobrancelha do homem que ensinou o Oeste a ser macho: Clint Eastwood. Nos filmes de Sergio Leone ele era o cara misterioso. Num deles, nem tinha nome. Com um rosto que parecia talhado em pedra, o velho Clint matava homens, mulheres e crianças sem mover um músculo do rosto.
Ele nem piscava, sério.
E aí veio o tal pôster. Não dava pra ter certeza de quem era, mas pelo tamanho da arma já dava pra apostar que era um cara bacana. E pela coragem em desenterrar um gênero esquecido, devia ser um cara macho. Oras, macho e bacana, só tinha um nome possível. Ele.
E era mesmo: Clint protagonizava um western daqueles, cheio de referências clássicas e nomes de peso no elenco. A história começa num bordel na cidadezinha de Big Whiskey, onde um rancheiro fica com raiva de uma prostituta por ela rir do tamanho do seu amiguinho e corta a cara dela. O xerife da Cidade é Little Bill Dagget (Gene Hackman) julga o ocorrido e faz com que o rancheiro pague alguns cavalos ao dono do bordel como ressarcimento pelo ocorrido. O rapaz até tenta entregar um cavalo à prostituta cortada, mas Strawberry Alice (Francis Fisher), uma espécie de líder das moçoilas, manda ele enfiar o tal cavalo… no rancho. As meninas estão muito bravas com todo o ocorrido e decidem oferecer uma recompensa a quem matar o tal rancheiro e o amigo dele.
Enquanto isso, Clint é William Munny, um velho pistoleiro que se aposentou, casou e teve dois filhinhos lindos. Will vive num rancho com as crianças e sente saudade da sua falecida esposa, a mulher que o fez parar de beber e de matar gente por dinheiro. Seu vizinho (ou seja, o cara que mora a 3 horas de distância) é Ned Logan (Morgan Freeman), que também sossegou o facho e casou com uma índia chamada Sally Two-Trees. Eles todos vivem em paz e tranquilidade. Mas o rancho de Will não vai lá muito bem. Os porcos têm febre, a colheita está mais ou menos… Um belo dia um jovem pistoleiro iniciante aparece por lá pra falar da recompensa. E o dedo do gatilho de William Munny começa a coçar. A recompensa lhe parece o necessário pra sair do buraco com a molecada. E lá vão ele e Ned atrás dos dois rapazes, atraindo a ira do xerife Little Bill, que acha que a justiça já foi feita: o cara deu dois cavalos pro dono do bordel, ora bolas!
Os Imperdoáveis foi talvez o primeiro western “realista”. As prostitutas não são bonitas nem boazinhas, o xerife está de saco cheio e tudo que ele quer é terminar de construir sua casa, os pistoleiros estão velhos e cansados. A cena de Munny tentando montar a cavalo pela primeira vez depois de anos é antológica, assim como o momento em que ele não dá uns catos na prostituta cortada e explica que não é pelas cicatrizes, mas sim pela sua esposa que o espera em casa.
As cenas são uma amostra do talento que Eastwood demonstraria como diretor. Enquadramentos que mostram ação em dois e três planos, figurinos e cenários realistas, uma poeira louca cobrindo as roupas e objetos dos personagens, interpretações dignas de Oscar – que eles ganharam, tá? – e tiroteios cheios de balas voando e pessoas morrendo, que nem a gente gosta de ver. E claro, ver o Clint matando geral sempre faz bem à alma.
Depois de Os Imperdoáveis, o faroeste voltou à vida, as botas que o Clint uso foram expostas na Tate Museum de Londres e a gente pôde voltar a torcer pelo mocinho, mesmo sem saber direito quem era ele. Uma belezinha.


Charles Bronson, Steven Seagall, Stallone, Chuck Norris, Lungren, até mesmo Clint Eastwood. Todos tremeriam é com com o Capitão Nascimento. Tropa é o faroeste da vida moderna. Gostei da dica, vou conferir.
Caraca, Os imperdoáveis é tão foda que rola até com os vizinhos gays escutando Its raining man…heheheheheheh