by Gabi | January 25th, 2007
Hoje tava ouvindo rádio no carro e a Brasil 2000 mandou na sequencia Sweet Child of Mine, depois Break on Trough e, fechando a sequencia, Smells Like Teen Spirit.
Assim, em quinze minutos de música eu fui transportada para os cinco anos entre 1989 e 1994, quando eu era uma menina e essas músicas tocavam no rádio sem parar.
A do Guns me lembrou da sexta série, quando eu tinha uma agenda enorme, cheia de bilhetes, ingressos de cinema, papeis de bala, recortes de revistas. Nessa agenda o Alexandre escreveu a letra de Sweet Child Of Mine pra mim, e eu me fiz de louca, porque todo mundo achava que eu gostava do Rodrigo Paes – mas na verdade eu nem ligava pra ele, só gostava dele porque todas as minhas amigas gostavam e ele era o menino mais lindo do Colégio São Bento.
No fundo, eu gostava mesmo era do Alexandre, mas tinha vergonha de falar, porque ele era nerd e não muito popular. Mas eu nem sabia bem o que era gostar ou não gostar, na verdade. Porque eu queria mais era que batesse o sinal pra eu ir pra casa brincar.
Depois a Break on Trough, quando lá pela oitava série eu achei um monte de LPs da minha mãe e do meu pai, e pensei que eles talvez não fossem tão caretas assim, se ouviam esse tipo de música na juventude. Ouvi o disco do The Doors até quase furar. Fiz uma cópia numa fitinha cassete e enfrentava a longa caminhada até a escola ouvindo a fita cassete no meu enorme walkman Sony, que comia pilhas pequenas como se fossem bombons de cereja.
Os solos de teclado do Ray Manzarek nem me incomodavam, e convenhamos: Jim Morrison era o cara mais lindo e cool do mundo. Quando eu vi as fotos dele já caidão e barrigudo, solenemente ignorei. Jim pra mim seria sempre o cara sem camisa com um colar de contas que posou numa sessão de fotos da Rolling Stone.
Nirvana? Ah, Nirvana. Esse veio um pouco mais tarde, quando eu já estava no Colegial. Era diferente de tudo que tínhamos ouvido até então. Em tempos sem Internet, quando todas as novidades demoravam meses até chegar ao Brasil, Kurt Cobain e companhia usando suas camisas xadrezes e suas roupas surradas caíram como uma bigorna em nossas mentes pouco amaciadas.
Rock até então era a super produção dos shows de heavy metal, com explosões e luzes piscantes, ou os riffs simples do Ira! com suas letras paulistanas até o osso, ou para os mais undergrounds, as coisas estranhas que tocavam no Madame Satã ou no Hangar. Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains. A aparente falta de produção nos clipes, a crueza das guitarras, isso tudo arrebentou os coraçõezinhos rockeiros incipientes. Fui ao show no Morumbi, em 94, e foi épico, histórico, inesquecível.
Mas esse post não é sobre música: é sobre mim. Sobre ouvir três músicas aparentemente desconectadas numa sequencia aleatória num programa de old hits numa rádio rock e sentir de repente um monte de lembranças se sobrepondo.
As aulas no prédio antigo da escola, o metrô, o cheiro da coxinha na cantina, a bicicleta no quintal, o primeiro disco que comprei, a morte do meu pai, as brigas com os professores, as descobertas literárias, a vez que cortei o cabelo e odiei, o primeiro esmalte na unha, enfim; todo tempo de que dispus com tanta tranquilidade, e que no entanto pareceu passar tão velozmente naquela época. Aqueles cinco anos entre os doze e os dezessete, que foram decisivos pra me tornar a pessoa que sou hoje.
Fico grata por ter vivido uma época que me permitiu ter esses anos entre deixar de ser criança, começar a ser adolescente, virar aborrecente de vez. Uns anos confusos entre brincar no recreio e olhar diferente para os garotos e escolher a faculdade, uns anos pra crescer.
Hoje vejo as meninas de doze anos já mocinhas, de saltinho e mini saia, de cabelo arrumado, e lembro dos meus doze anos de joelho ralado e do gosto do chiclete de melancia que eu tinha mania de mastigar o tempo todo.
E como boa velha que sou, não posso deixar de pensar que era mais bacana no meu tempo.








Engracado que eu nao lembro de quase nada. Tenho algumas lembrancas esparsas, e que geralmente nao me significam absolutamnete nada, mas que ainda assim, eu lembro mais do que as que supostamente deveriam ser marcantes.
Eu fico imaginando as garotinhas de hoje, quando forem lembrar das músicas do passado. � melhor parar de pensar.
Lembro que esse processo de meninas-mulheres começou quando eu era adolescente. Por morar em cidade pequena, as coisas demoram mais a chegar aqui, e em consequencia disto, posso lembrar com saudade dos meus 15 anos, quando eu ainda brincava de adoleta e de pega-pega na rua lá de casa. Temo em pensar como será com nossos filhos.
comentei no meu blog. virou post… =)))
minha infancia/adolescente tb foi bem assim mesmo. bjo!
Definitivamente a minha infância foi melhor que a infância da mulecada de hoje. Eles nem sabem andar de carrinho de rolemã! Nirvana e The Doors não dá Gabi!
Pois eh, eu jah peguei essa fase em que as meninas se achavam mulheres e uma amiga engravidou com 13 anos. Entao eu fui lah e comprei o CD do Double You pra ouvir no meu novo som JVC enquanto escrevia na agenda que o Gulherme nao olhava pra mim =(
Fico a querer entender as meninas de hoje. Depois nos chamam de velhos. Mas não troco minha infância e adolescência pelas de hoje. Saudade mesmo…dá até pra sentir o cheiro da época… bjo
Oiee.. apesar de ser de uma época mais recente a sua (tenho 18 anos) eu concordo plenamente com vc, eu tenho saudade da minha infancia e pre adolescencia, com 12 ou 13 anos eu brincava de barbie e achava o cumulo minhas amigas estarem pensando em namorado.. tenho certeza que nasci na década errada, heheh, mas com certeza na sua e na minha época, eram bem melhor que hoje. Beijao, parabens pelo blog, sou visitante assidua, pouco comento, mas to sempre aqui pra acompanhar as novidades, adouro seus textos. T+
Por que os seus posts sempre enchem meus olhinhos de água?? Cara, tem tanta coisa aà que tb é minha, que dá até vontade de dar uma de “abobrinha” e colar o texto lá no furrecator. E claro, na nossa época era bem melhor!
Oi ! Sempre passo por aqui. Adoro seus textos. E acho que a nossa infancia/adolescencia foi mesmo melhor que a dessa galera de hoje. AMO The Doors, Nirvana, e uma banda underground que sumiu: Transvision Vamp. DEMAIS !!! Beijocas mil em você e no James Brown, que deve ser um fofo, como só os gatos bebes sabem ser ! Helena (a louca)
E tem o Screaming Trees, que sÃ?³ precisou de uma mÃ?ºsica para ser muito melhor que a porcaria do Nirvana… =) Mas nessa epoca eu curtia mesmo era Bob Marley e Yakult…=S
Vamos lá. Tenho catorze anos, nasci e morei a maior parte da minha vida na capital do Rio de Janeiro. Fruto da so-called Nova Geração. Da minha infância, já sinto falta, e acho que foi igualzinha a que ouço gente mais velha falar… a minha adolescência, hum, fudeu. Sou adolescente desde os onze anos. Cê tá mais que certa, mas quer saber? Nem reclamo. Tô gostando. E daqui a vinte anos eu sei que vai ser super legal ouvir McFly, Apples in Stereo, Cachorro Grande na rádio e lembrar exatamente das mesmas coisas que você, que ainda acontecem igualzinho e parecem tão legais pra mim.
Eu lembro que quando eu tinha 12 anos todos os meus amigos queriam ir pra matinês e azarar as cocotinhas, e eu só queria saber de jogar video-game. Passados mais de 10 anos eu continuo só pensando em video-game. Droga.