Olimpíadas, lágrimas, gente bonita
Confesso: tenho certo desprezo por competições esportivas e o espírito de “BRASIL BRASIL BRASIL”que toma nosso país em época de Copa do Mundo e congêneres. O país pára pra ver 11 caras correndo atrás de uma bola e esquece de todo o resto. Assim como as Olimpíadas fizeram o mundo passar batido pelo assunto que tomaria os noticiários se tivesse ocorrido em Setembro ou em Julho: a invasão da Geórgia pela Rússia. Acabo ficando cética e amarga e achando que o esporte é um escapismo, uma maneira de desviar a atenção dos problemas reais.
Mas no fim de semana, bastante cansada e tendo que lidar com alguns problemas de verdade, acabei ligando a tevê pra acompanhar alguns esportes e desligar um pouco a cabeça. Peguei justamente o atletismo, que meio que personifica a origem dos jogos, na Grécia Antiga. Vi um monte de homens e mulheres belíssimos, com corpos musculosos e proporcionais. Vi as três jamaicanas levando o pódio nos 100 metros rasos. Uma delas era muito alta, tinha pernas como colunas, retas e lisas. A outra, mais baixa, era puro músculo e sorriso ao vencer a prova. As três lindas, lindas…
Depois vi um pouquinho do salto em altura masculino e Dragutin Topic, sérvio que ficou tão bravo quando tocou o sarrafo pela terceira vez, derrubando-o e não se classificando. Vi Jardel Gregório se classificando pra final do salto triplo. Tantos atletas, e simplesmente correndo ou saltando apenas pela necessidade de correr, de provar ser o melhor. “Citius, Altius, Fortius” foi o slogan escolhido pelo Barão de Coubertin pras Olimpíadas Modernas: “Mais rápido, mais alto, mais forte”. E vendo aquela gente bonita correndo e pulando, pude entender um pouquinho essa necessidade de ser o mais rápido, alto e forte. O brilho nos olhos de cada um, o gesto de comemoração, o grito de alegria ou frustração, o choro…
Na sexta à noite, Cesar Cielo me fez chorar um pouquinho. Independente dele treinar nos Estados Unidos, se tem mérito do COE ou não, naquela hora do pódio era só um menino chorando, feliz e emocionado por ganhar a medalha de ouro.
Cesão me fez dar uma choradinha e parar pra pensar que de vez em quando é importante correr simplesmente pra ser o mais rápido, pular pra subir mais alto, ou aguentar o peso e mostrar que é o mais forte.



Uhuuuu!!! Cesão delicinha! E como já diria a Juraski: eu fazia! =D