O Peru Perneta
- Minha família só tem maluco…
- Por isso me casei com você, bobo. A minha também.
Minha família é pequeninha. Sou filha única, meu pai é falecido, minha mãe tem um irmão que teve 3 filhos e uma irmã que escolheu não ter nenhum. Minha geração, a dos primos, ainda não começou a produzir criançada. Então somos poucos. Mas somos bons. Muito bons. Todo ano damos um jeito de nos ajuntar no Natal, nos aniversários, nas datas importantes. E nessas horas acontecem coisas… estranhas.
Tipo eu e mamãe vestidas de caipira, que graça.
Certo Natal, pelos idos dos anos 90, eu resgatei um gatinho preto das garras de uns moleques do bairro que estavam judiando dele. Levei o bicho pra casa, e ele, apavorado, se escondeu. No dia seguinte já era véspera de Natal, nada do bicho aparecer, enfiado atrás de algum armário. Correria, preparação da ceia, deixamos o gato pra lá.
Minha avó morava conosco e adorava a coxa do peru. Meu tio também gostava da coxa de peru. Assim como minha mãe. Todo ano, era aquela disputa, afinal o peru tem apenas duas coxas e eles eram em 3. Nesse ano em específico, a disputa seria ainda maior. Mas divago.
Fato é que minha mãe assou aquele peru lindo, dourado, decorou com fatias de abacaxi e cerejas, e colocou a ave no meio da mesa, tudo muito lindo, muito brega, muito decorado e pronto pra receber a familia. Eu lavava a louça, minha mãe tomava banho quando ouvimos minha avó berrando:
- Gato safaaaaaaaaaaadoooooooooooooo!!!!!
Saí correndo pra acudir e ao chegar na sala me deparo com o gato tranquilamente sentado em cima da mesa, degustando uma coxa inteira de peru. Entendam: era um filhote de gato, pequenininho e fofo. Ele era mais ou menos do mesmo tamanho da coxa do peru, entendem? E ele tinha comido a coxa quase inteira, silenciosamente. E olhava pra cara da minha avó com aquela expressão inocente de “o que foi que eu fiz?”.
O gato de barriga cheia, minha vó aos berros, minha mãe saindo do banho de toalha pra ver o que acontecia, e eu gargalhando. A nonna, irritadíssima, enxotou o gato dali. Minha mãe utilizou seus talentos manuais e camuflou o peru perneta usando um pêssego em calda, uma alface e uns fios de ovos.
Hora da ceia, familia chega, minha mãe chama meu tio de canto e diz “olha, a Vó ficou com fome e comeu a coxa do peru.” E meu tio, pra evitar constrager a idosa senhora, não mencionou o fato. Tudo teria corrido bem, não fosse meu priminho reclamar do peru perneta. Aí a nonna xingou o gato, minha mãe morreu de vergonha e eu morri de rir.
Vovó me alimentando quase à força
História de família é sempre legal. Essa, eu contei a convite da Consul, que está com uma promoção pra você contar a sua. As melhores histórias vão participar de uma gincana no Caldeirão do Huck – e quem sabe ganhar uma cozinha completinha. É só clicar aqui e contar a sua história. Tá esperando o quê? Um peru perneta aparecer?
Este post é um publieditorial, mas a história é real – eu jamais inventaria um peru perneta, amigos.


Hahahahaha, fiquei imaginando a carinha inocente do gato enquanto lambia os bigodes. Pena que câmera digital é uma coisa um tanto recente.
#Rialto.
Já imaginei o gato fazendo uma carinha tipo a do gato de botas…Hahahaha…
Existem coisas que não tem como esquecer, né…
E essa cara de pré-adolescente de filme americano?! As nonnas sempre nos alimentando com um jeitinho todo especial =D
GENIAL gabi !! hahahahaha bjs
@Joana, tipo a Drew Barrymore?
huhauahauahua geral querendo a coxa e o gato safado ficou com ela!! ADorei as fotinhos da sua infância!! Fofíssima desde pititica!! Nhoim!
saudades Gabi!
bjinhos
PS:. Finalmente fiz o meme!! hauhauahauaauh
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
AMO as comemorações de Natal da sua family!
Fiquei aliviado ao ver q vc não contou da história de um amigo seu que foi num Natal e tirou fotos só do seu priminho hahah
kkkkk essa história me lembrou da vez que minha cachorra comeu quase um pudim inteiro ahuahauahu
Esses bixinhos viu…