25
Jun

O mojo de James Brown

por Gabi

James Brown muitas vezes se comporta como seu homônimo, o pai do Soul. Ele corre pela casa como se estivesse possuído, escala as cortinas, pula em cima dos outros gatos, ataca meu pé por cima das cobertas, derruba qualquer objeto colocado sobre a mesa e sobe em lugares jamais imaginados.

Talvez devido á influência de ter o nome do Sex Machine, ele ainda não foi castrado. Os outros todos já passaram pela mesa do veterinário, onde tiveram seus testículos ou seus ovários extirpados, com a intenção de evitar uma superpopulação de gatos aqui em casa. Mas ele ainda não.

Hoje vim mais cedo pra casa, movida por uma enxaqueca monstro que se agravou depois de tentar almoçar. Tomei um monte de gotas de dipirona e caí num sono abençoado em meu edredom fofinho.

Quando acordei já sem dor, por óbvio, estava cercada de gatos. Bill e Bea se amontoavam ao meu lado, Cuca lá nos pés da cama. E o James Brown se esparramava em cima da minha barriga. Eu me mexi um pouco, ele acordou e deu uma bela espreguiçada.

Aí eu lembrei que preciso castrá-lo, ele está mocinho e tudo mais. Mas na hora me veio um sentimento de que se castrá-lo ele irá perder alguma coisa além de sua capacidade de fertilização. Não sei, é um brilho no olhar dele, um jeito de andar, uma espécie de felinidade elegante que lhe é inerente.

Acho que se castrá-lo, ele irá perder seu mojo.

Assim como Austin Powers e Jim Morrison, meu pequeno James Brown tem aquele toque blasé, aquela atitude despreocupada ante a vida. É como se ele levantasse o rabo, mostrasse suas felpudas bolas e dissesse: “Olá, mundo! Aqui estou eu e ninguém vai me parar!”

Tenho a sensação de que ele lembra a mim mesma algum tempo atrás, quando era jovem e achava que o mundo estava na minha frente, servido num prato.

Por enquanto, ele não representa risco. Quanto tenta assediar a Bea ou a Cuca, apanha desbragadamente, especialmente no caso da Cuca. O apartamento é todo telado, de modo que não há risco dele pular pela janela em busca de uma fêmea cheirosa 12 andares abaixo.

Então ele continua com seu glorioso saco à mostra, destruindo o sofá e sendo encantador quando se espreguiça. Seu mojo está à salvo.

Pelo menos até ele começar a marcar o território com xixi.

8 Responses to “O mojo de James Brown”

  1. Gabi says:

    Se não tiver outro macho pra ameaçá-lo ele não temo motivos pra marcar território.

  2. Gabi says:

    E ele chama as outras gatinhas de “meu broto”?

  3. Gabi says:

    Eu castrei a Punky e ela vive fornicando com as almofadas do sofá. Acho um comportamento estranho da parte dela…

  4. Gabi says:

    Se ele me arranhar enquanto eu estiver dormindo de novo vamos ter cojones de gatinho pra jantar.

  5. Gabi says:

    E eu que estou acostumada a acariciar a Clem, do pescoco ao rabo. Passei sem querer a mao no saco do JB. =/

    Ele sente saudades, Li. (L)

  6. Gabi says:

    Capa esse safado. ;-P

  7. Gabi says:

    “Tenho a sensação de que ele lembra a mim mesma algum tempo atrás” Voce tinha bolas? =S

  8. Gabi says:

    O que será de seu felino sem o seu mojo? Tadinho…

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