13
Mar

O mais longos dos finais de semana

por Gabi

Aconteceu muita coisa nesse fim de semana.

Na sexta feira, durante a chuva, fui cortar o cabelo. Fui ao SoHo com a idéia de dar uma cortadinha e tingir, porque estou tentando voltar às minhas raízes louras naturais.

- Oi, Adílson. Queria acertar o corte e dar uma tingida. Olha a raiz, queria deixar tudo dessa cor.
- Hummm… não vai dar.
- Como assim?
- A cor do seu cabelo não existe.
- COMO ASSIM?
- É tipo um louro escuro acinzentado com um fundo dourado…
- Ceeeeeerto….
- Então vamos abrir umas mechas e fazer um corte moderno.
- Er… Não. Valeu. Corta as pontas e boa.

Além de escorregar na porta do trampo e todo mundo rir da minha cara, o japonês cabelereiro se empolgou e cortou bastante meu cabelo. Felizmente, meu cabelo cresce rápido e o estrago vai durar pouco.

Depois de um descanso merecido, fui com Lelê pra balada.

Começamos no Rose Bombom, onde percebemos que tem muita coisa que a gente ainda não fez nessa vida, como sair de espartilho na rua ou usar um colar atravessado no peito. Depois de umas poucas caipirinhas e cervejas e muitas risadas, fomos cooptadas pela Mari pra ir ao amp, onde estava ocorrendo uma festa hardcore.

Eu de salto alto e escova no cabelo, me preocupei um pouco por estar usando uma roupa inadequada ao ambiente. Ao chegar lá, percebi que eu era toda inadequada ao ambiente. Os frequentadores mais velhos haviam nascido pelo menos no meio da década de 80, quando eu já estava no ginásio. Me sentindo a tia velha, fui ao banheiro. Lá, vivi momentos de assédio:

*Gabi entra no banheiro. Uma mulher de shorts preto entra atrás*

- Pois não?
- Você tem pó?

Pensei na minha casa que não era aspirada há algum tempo, e que realmente estava cheia de pó. Depois, olhando bem para a aparência da moça, percebi que não era a esse tipo de pó que ela se referia.

- Não, não tenho.
- Pô, ninguém tem pó nessa balada!! E aqui só tem criança.
- Verdade.
- Mas e aí… você tá a fim?

Considerei as implicações diversas da pergunta. Eu estava a fim de muitas coisas, como fazer xixi, mas analisando bem a situação e o olhar lânguido que a criatura me dirigia, percebi qual seria a melhor resposta.

- Er… não. Valeu.
- Ah… Meu nome é Ísis, viu? Te vejo na pista…

Ísis saiu e eu pude finalmente fazer xixi. Saí correndo do banheiro e pedi pra Lelê me proteger.

Uma balada divertidíssima, no fim, exceto pelos diversos momentos em que me escondi da Ísis.

Nota mental: da próxima vez que disser pra Lelê que quero sair pra dançar até cair, esclarecer bem que não é “beber” até cair, mas sim “dançar”. Dançar, Leonor!!!!

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No sábado, depois de mais algumas neosaldinas e muitos litros de água, aspirei a casa antes que a Ísis aparecesse atrás de pó e assisti um filme fofo: Quatro amigas e um jeans viajante, filme de menina total. Apesar do que possa parecer, não é um filme bobo e um melodrama barato sobre quatro meninas de 17 anos. É bom, bonitinho, bem escrito, com boas interpretações. Confesso que derramei umas lagriminhas ao me reconhecer em algumas daquelas situações. Mas é filme de mulher. Mesmo.

Tomei um banho, lavei o cabelo e conforme ele foi secando percebi que o Adilson tinha me deixado com um cabelo moderno, no final. Uma mistura entre Meg Ryan e galinha louca. Parece o corte da Zela Duncan. Maledeto.

Fui pra casa da Cy matar o tempo e contemplar a bolha de amor formada por ela e pelo Xan. É tão fofinho que dá náusea. Depois de algumas horas de risadas com o pessoal, voltei pra casa e dormi. Loser que é loser não sai de sábado, dorme na frente da TV assistindo alguma coisa bem estúpida.

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Pelo menos consegui acordar cedo no domingo e fazer minha caminhada. Fui no parque em frente a MTV e depois de várias voltas andando, arrisquei uma corridinha. Quase morta, cheguei até a barraquinha de água de côco e sentei no banquinho, roubando o lugar de uma cara de dreadlocks e… era o Paulinho Moska. Eu roubei o lugar do Paulinho Moska. Dane-se. Fui pra casa tomar banho.

Domingão, almoço de família. Mas como tudo na minha família, completamente bizarro: minha tia queria nos apresentar sua nova amante lésbica.

Fui buscar a mamãe.

- Mãe, que blusa é essa?
- Comprei ali na lojinha…
- Mas isso aí é um desenho de folha de maconha.
- Aonde? Isso é mandioca!!!
- Maconha, mãe. Não é mandioca.
- Putz. E eu fui na padaria com ela agorinha mesmo…
- Minha mãe, a velha maconheira de Higienópolis.
- Filha!!!!

Durante o almoço, minha mãe decidiu que vai fazer uma tatuagem, depois de ver as novas da minha tia.

- Como assim tatuagem, mãe?
- Sei lá, uma rosa, uma flor..
- Bom, combina, agora que você está fumando maconha…
- Filha!!!!

Eu também vou aumentar uma das minhas tatoos e fazer mais duas. Não sei com que dinheiro, mas vou. Minha mãe quer fazer uma tatuagem no pescoço. A véia tá louca. Mas eu dou o maior apoio.

Quanto à namorada, a moça é simpática e parece ter boas intenções. É libriana e gosta de animais. Tá, tudo bem, pode namorar minha tia.

Na sequência, jogo do Timão no Morumbi. Fomos eu, Cy, Xan e Kwuahara. Cyntia é são-paulina, daquelas bissextas, que só torce uma vez por ano. Ela foi no estádio por pura prova de amor ao Xan, que é corinthiano. Que lindo.

O jogo foi um desperdício de dinheiro. O Corinthians jogou muito mal, abriu as pernas pra bicharada. O único que parecia estar interessado em jogar foi o Nilmar, que além de fazer o “gol de honra” ainda estava em todas as jogadas e finalizações. Pelo visto, vamos perder o Paulista e a Libertadores. Tô até rouca de tanto xingar, mas pelo menos fui pedida em casamento.

Eu lá, na arquibancada, camisa preta do Timão, descabelada, xingando tudo e todos. De repente, o Rycharlison cai e fica lá, rolando e segurando o joelho, na clássica pose “juiz marca a falta por favor”. E eu berro:

- Levanta, sua bicha! Que foi, quebrou a unha???

Do meu lado tinha um torcedor com touca e sem dentes. Ele se vira e diz:

- Casa comigo?
- Como assim?
- Pô, mina, você vem no estádio e ainda chama o cara de bicha… Pô, casa comigo.
- Er… não. Valeu.

E eu estava sendo bem mais sincera do que com a Ísis.

Depois de tudo isso, fomos pra casa do Matheus comer uma pizza e o Xan fez lula grelhada pra nós. Não sei se foi a lula ou o jogo, mas essa noite passei mal e fiquei a noite toda no banheiro. Hoje, muita água de novo. Ainda bem que minha mesa é do lado do banheiro.

7 Responses to “O mais longos dos finais de semana”

  1. Gabi says:

    P?, ?sis ? nome de Deusa. Tem certeza que ela n?o valia a pena? =D

  2. Gabi says:

    Caceta, essa hist?ria da camiseta da sua m?e me fez passar mal de dar risada. Tbm escrevi da balada de sexta. Bitocas

  3. Gabi says:

    R?. Al?m de: Veadinha do Greenpeace, faltadora oficial de anivers?rios, feminista enrustida, membra do mst agora tb ? l?sbica eg?pcia e dificil? :o )

  4. Gabi says:

    Genial, Gabi, Genial!!! T? rindo at? agora! Estou com saudades, vamos sair dia desses? Prometo n?o beber at? cair (er, muito). Ah, e antes que me esque?a: 2×1! hahaha!!!

    Morra!!! arque?logo!!!

  5. Gabi says:

    Gabi!!! Da pr?xima vez a balada das solteiras/divorciadas/desiludidas com o mundo masculino vai ser melhor (espero)!!! Pelo menos vamos evitar a ?sis e o som que nos impede de conversar…a n?o ser por m?micas…que praticamos bem…pensando bem, podemos at? usar nos pr?ximos encontros de adolescentes! beijos

  6. Gabi says:

    Eu so queria conseguir comentar que o dialogo esta impagavel, mais um da serie “Dialogos impagaveis de Gabi”, e que eu estou rindo ha dois dias com o texto… Mas o tabulas nao deixa…:o( Beijocas..

  7. Gabi says:

    E n?o e que eu consegui…:oP hehehehehehehehehehehhe

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