Muitas histórias
Na sexta feira, depois de algumas reuniões super legais que eu nem quero mencionar, fui encontrar umas amigas pra meter o pé na jaca e esquecer do dia. Três pessoas contaram histórias tão bizarras que achei que tinha que dividir com vocês aqui. Vejam:
O cachorro quente com molho no terreiro – por Adriana
Gente, fui com minha sogra num terreiro na baixada Fluminense… uma bocada!! Pavuna era luxo perto dali. Aí eu resolvi entrar de uma vez, falei pro meu marido: “vamos fazer um estudo antropológica, Abelardo!!” e fomos. Uma coisa louca, um batuque. Aí apareceram mil entidades e começou a demorar muito. Aí eu fui falar com a entidade, né, porque eu já estava ali mesmo, que mal ia fazer eu bater um papo com uma entidade? Aí enquanto em ia chegando perto, no meio daquela gentarada, percebi um espaço meio vazio e fui me enfiando por ali. E de repente percebi que tinha chutado alguma coisa, quando olhei era o ebó. Gente, eu chutei o ebó, farofa por todo lado e um povo gritando comigo… aí eu cheguei na entidade e era um orixá meio criança. sei lá, que chupava um pirulito. E o cara foi falando comigo que eu tinha que me mudar, porque minha casa estava cheia de más influências e tal, e eu só pensava “mas eu acabei de pagar a porcaria da apartamento…” e eu tava com uma baita fome, aí eu falei “vamos embora, Abelardo!” mas estávamos morrendo de fome e aí comemos um cachorro quente com molho dentro do terreiro, e ainda por cima tive que pagar dois reais pelo cachorro quente. Sem molho era um e cinquenta, mas já que eu estava num terreiro na baixada fluminense achei que tinha que comer o molho e tudo.
O assassinato do sapo – por Marcelinho
Aí eu cheguei no sítio do meu amigo. O lugar era o máximo, a gente fez uma super rave, um dj maravilhoso vindo direto de Ibiza… Uma loucura, gente! Todo mundo pulando na piscina, muito whisky com energético, coisa de louco mesmo. Aí era de manhã e eu fui dormir, né, porque não tenho mais 25 aninhos. E quando eu cheguei no quarto tinha uma pedra enorme no meio do tapete. Eu achei estranho, né, porque antes não tinha pedra, mas pensei que era uma brincadeira ou sei lá o quê. Aí eu fui pôr pijama, porque eu tava indo dormir sozinho, não tenho mais 25 anos e tá difícil arrumar companhia. Botei o pijama e a pedra tinha saído de cima do tapete e estava perto da porta. Aí que eu vi que não era uma pedra, era um sapo enorme e horroroso e eu de pijama indo dormir sozinho. Eu dei uns gritos mas ninguém me ouviu, porque lá fora o DJ estava tocando uma seleção de electro muito forte e o povo estava se jogando. Aí eu pensei, “puxa, não tenho mais 25 anos, vou resolver este problema de sapo” e fui até a sala e peguei uma lata de Baygon spray. Voltei pro quarto e espirrei Baygon no sapo. Ele não gostou, e saiu pulando pela porta, eu fui atras espirrando baygon no bicho até ele sair da casa. Depois eu fui dormir e fiquei me sentindo super culpado, porque eu na verdade tinha matado o sapo, porque ele ia repelir todos os insetos e nunca mais ia conseguir comer, né? Mas aí eu pensei, “tô cansado, já passei dos 25, o sapo se vira porque eu tenho que dormir” e deitei e dormi.
O Chá de Daime – por Magali
Minha cunhada mora na Itália mas está passando um tempo aqui. Aí ela me falou que tinha conhecido um pessoal super legal lá na Itália e que eles faziam a cerimônia do Daime num lugar na Fradique Coutinho. Aí a gente foi, a pé, porque a gente não dirige, né? Aí erramos o ponto e tivemos que voltar um pedação. Eu nem sabia o que vestir pra ir nesse lugar, afinal o que é a etiqueta do Daime? Aí eu botei uma batinha e uma sapatilha e achei que tava ótima. E a gente subia e descia a Fradique mas o número que ela tinh não existia. Aí a gente viu uma casa toda doidona e falou: “Bom, deve ser essa mesmo” e batemos, mas não era. Um tatuador abriu a porta e falou que sem hora marcada ele não podia fazer tatuagem e a gente fugiu porque eu nem queria uma tatuagem, imagina, o Marco me mata. Paramos pra tomar um café, aí vimos uma lojinha linda e entramos e eu comprei um vestido de algodão todo estampado, meninas, super fresquinho, sabe? Bom, aí continuamos a procurar, de repente minha cunhada percebeu que a letra dela era muito feia e que na verdade estava escrito outro número no papel. O número era lá do outro lado, subimos tudo de novo e quando chegamos a mulher que abriu a porta falou que o ritual já tinha começado. A gente convenceu ela a deixar a gente entrar, e lá dentro um pessoal muito louco cantava e dançava, tinha uma babando num canto e eu achei que devia ter posto outra roupa porque minha batinha era branca e ia ficar imunda se eu me contorcesse no chão. Aí veio o chá, mas era fedido e eu fiquei com medo e ligamos pro Marco e ele foi buscar a gente e a gente comeu pizza na rua Purpurina e nunca mais a gente foi no Daime.
Depois de ouvir essas três histórias, eu já ria tanto que minha barriga doía. Pra completar, começou a tocar uma música da Tati Quebra-Barraco – eu nunca tinha ouvido, para minha felicidade – e geral começou a cantar… O diálogo era impagável: Eu sou o Bola de Fogo, vamos pra Barra, lugar legal… Já é!! E a galera sabia a letra toda e eu não conseguia nem respirar de tanto que eu ria do Marcelinho cantando a parte do Bola de Fogo e a Adri cantando a parte da Tati.
Viram como meus amigos têm tantos problemas quanto eu?
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Depois dessa happy hour peculiar, a Cyntia se aproveitou do meu leve estado de embriaguez e me sequestrou. Fomos pra Juquehy de novo. Chegando lá, depois de uma restauradora noite de sono, fomos despertados pelo hiperativo Xan, que às 7 da manhã já tinha acordado, ido pra padaria, comprado coisas do café da manhã, posto a mesa, ido até a praia, preparado as pranchas com parafina e tomado banho. Eu coloquei os óculos escuros antes de colocar a roupa, pois minha olheiras batiam no queixo. Fazia movimentos lentos deliberados, pois qualquer coisa mais radical, como tentar falar, gerava dor de cabeça.
Um café preto, uma neosaldina e uma coca cola depois, fomos até a praia e tivemos aulas de surf. A Cyntia estava muito mais dedicada que eu, por dois motivos: ela está apaixonada pelo instrutor e não estava de ressaca. Eu acho o instrutor legal e tudo mais, mas nem tô namorando com ele, né? E a essa altura já estava quase vomitando o café da manhã. Depois de algumas tentativas patéticas, incluindo uma na qual meu biquíni foi parar em alto mar e eu tive que ir nadando de bunda de fora pra buscar, consegui ficar em cima da prancha – deitada, óbvio – e pegar uma onda. De tão divertido que achei, resolvi ficar em pé na onda seguinte.
Foi aí que eu desenvolvi uma técnica mística e secreta, que me proporcionou a capacidade de fazer altas manobras: Eu primeiro ajoelhava na prancha, depois tentava ficar de pé, aí eu dava um salto triplo mortal pra trás (ou pro lado, ou pra frente) e caía de cabeça na areia. Um luxo! 2 vexames depois, consegui convencer o Xan a me libertar, deitei na areia e esqueci do mundo. Cyntia e Kwuahara continuaram a sofrer por horas. Ela gostou tanto que planeja até comprar uma prancha só pra ela.
Semana que vem eu não vou pra praia, juro. Tortura nunca mais!!


Hahahahaha, a história do terreiro é a mais impagável! Coragem maior eu nunca vi…
P E Gabi está cada dia mais triatleta, tetraatleta, totalatlete…hehehehehhe Beijocas…
Cacete, eu ri absurdamente desse post. Posso ser demitida a qualquer momento, já que trabalho com 12 pessoas em uma sala 2X2.
Não, não, não! Não tem perdão! (adoro rimas