Meu vício mais antigo (Parte 1)
Uma coisa que nem todos sabem sobre mim é que sou filha única. O fato de viver numa casa onde não havia outras crianças causou basicamente duas coisas: minha imediata culpabilidade por qualquer objeto quebrado (não obstante minhas tentativas de apontar o cachorro como verdadeiro culpado) e o desenvolvimento da minha imaginação, criando histórias para brincar sozinha. Meus pais não apoiavam o uso de videogame – na minha época, caros e raros no Brasil – e preferiam fazer com que eu brincasse. E sozinha mesmo eu criava as histórias das minhas bonecas, que iam de festas chiques a perigosas travessias entre vasos do jardim, realizadas através de cordas secretamente roubadas de varais incautos.
Eu tinha um balanço que hora era carruagem, hora cavalo, hora carro de fórmula 1, por vezes nave espacial. E desde pequenina meus pais me enfiavam livros nas mãos, livros sobre aventuras e histórias. Piratas, Cavaleiros, Reis e Rainhas, Mosqueteiros, soldados corajosos, fadas ciumentas, cientistas inteligentes, dragões rancorosos e heroínas espertas conviviam nos meus livros.
Eu era uma menina atípica, cujas Barbies costumavam ser mais vezes tripulação pirata do que mocinhas casadoiras. E graças aos céus, tive pais que permitiam que assim fosse – e mais que isso, aos poucos iam enfiando na minha cabecinha mais curiosidade. Por conta disso, estudava a enciclopédia para descobrir que Maracaibo era a Capital Pirata, que o Rei Arthur vivia na Inglaterra, que por sua vez ficava numa ilha pertinho da França, que era onde os 3 Mosqueteiros defendiam a Rainha, bem próximo da Itália que fez parte da Volta ao Mundo em 80 Dias, que me levou à Africa selvagem e depois fez com que me afundasse a bordo do Nautillus - e claro que me identifiquei com Bastian Baltasar Bux e sua leitura maluca de uma história sem fim.
No fim da infância, meu pai me apresentou às aventuras de Bilbo Bolseiro, e li pela primeira vez O Hobbit, o que obviamente me levou ao Senhor dos Anéis. Li os 3 volumes com pressa, em pouco mais de 1 semana, escondida debaixo das cobertas para ninguém me ver virando as páginas no meio da noite, quando deveria estar dormindo. Acompanhei a aventura seguindo pelo mapa da Terra Média, chorei com as mortes dos personagens, me assustei com os Espectros, achei Tom Bombadil bobo e tremi diante do Balrog. Em pouco tempo estava completamente viciada em livros de fantasia. Dizem as más línguas que no fim dos anos 90 eu participava muito ativamente de certos círculos que discutiam o assunto, mas suponho ser boato. Com uns 10 anos de idade li Drácula e passei um mês dormindo de luz acesa, com medo do Conde aparecer.
E foi assim, antes dos 12 anos, que me apaixonei perdidamente por literatura fantástica. A tendência, a partir daí, era só afundar cada vez mais nesse mundo de magia, encantamento…e nerdice.




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forte abraço
<3
Eu AMO esse tipo de literatura também, e incentivo desde já minha pequena a ler. É um vício que eu não quero largar nunca, e não tenho vergonha de dizer que sou doida pra aprender elfico, pra tatuar o símbolo do Tolkien e que mesmo ao 30 não deixo de adorar todos os livros e filmes do Harry Potter. Ter imaginação é a melhor coisa do mundo!!! Beijos
Gabi, não sabia que vc gostava de literatura fantástica! Namorado adora e tb estou voltando as leituras por incentivo dele, de devorar toda a saga Percy Jackson em uma semana =P
Ele gosta tanto que mantém o http://bookeando.com #jabá
Adoooooooro.
Tolkien é tudo, fez a minha adolescencia ser o que ela foi. E sim, eu participava também avacalhadamente da Valinor a princípios deste século… infelizmente deixei de lado ;-;
mas como uma boa ex-super-nerd (parcial nerd now) eu mantenho meus vínculos com o mundo fantástico