Lavo, passo, cozinho e solto hadouken*
É de conhecimento público que sou uma moça muito prendada.
Sei cozinhar bem, faço desde o trivial variado até nouvelle cuisine e feijoada.
Lavo roupas separando as brancas das coloridas, uso amaciante segundo as instruções do fabricante, uso alvejante para roupas coloridas com prazer.
Sei passar roupas e deixar os lençóis estalando de tão esticados, e sei arrumar a cama como aquelas de hotel.
Uso óleo de peroba nos móveis de madeira, limpo e desinfeto banheiros, penduro mesas e suportes de microondas, organizo roupas por cor no armário.
Enfim, uma dona de casa das mais completas.
O que ninguém sabe é que eu não tenho o menor saco de fazer tudo isso, toda semana.
Então eu tenho uma faxineira. A atual se chama Zilmara, é mais baixa que eu e deve pesar uns 40 quilos, molhada e de sapato. Quando venta muito, tenho medo que a Zil saia voando.
Ela vem à minha casa às sextas feiras e deixa tudo um brinco para o final de semana.
Quando você sai da casa da mamãe, rapidamente descobre algumas verdades universais:
Contas não se pagam sozinhas. Mas pra isso existe o débito automático e a negociação com a Mastercard.
Comida não brota da geladeira. Só aquela batata que esqueci lá por 3 semanas e que gerou todo um ecossistema no gavetão de verduras, mas isso é outro problema.
A louça não é transportada misticamente da pia para o armário, arrumadinha.
Pêlos de gato não são reabsorvidos pelo organismo felino. Eles precisam ser aspirados ou viverão em seu sofá pra sempre.
Suas roupas não reaparacem em seu armário, passadas e cheirosas.
Você precisa de uma Zilmara, ou de uma Lu, ou Maria, ou Dayse…
Elas salvam nossas vidas e transformam a bagunça em um local agradável pra se viver.
Hoje de manhã, saí correndo pra trabalhar e esqueci de deixar a chave. Zilmara me liga a cobrar do orelhão, indignada:
- Você não deixou a chave.
- Putz!!!!
- A casa deve estar a maior bagunça!
- Está mesmo… você pode vir amanhã?
- Sábado???
- É… eu vou trabalhar amanhã e…
- Tá, tá. Eu vou.
Morrendo de vergonha, desliguei e separei o dinheiro de duas conduções da Zil. Amanhã ela virá e me resgatará das profundezas.
Vou fazer uma comidinha boa pra ela e ela vai me perdoar, se tudo der certo.
Caso não dê, semana que vem não terá post: passarei meus dias a limpar.
* Agradeço ao Zé por me ensinar a soltar hadouken e me dar a idéia do título do post. Obrigada, e nada de comer nada por aí.


Só toma cuidado pra não fazer como um amigo meu que faz rinha de fungo na geladeira… a final desse mes foi entre o mofo da batata e o bolor do feijão
Bacana. Agora como você tem alguns débitos comigo eu cobro de você a aula de hadouken. Ele tava me cobrando o CU! O CU!!!
Pô, eu não tenho tanta grana assim!
Com relação a você ser uma moça prendada e todo o “job description” que você passou nesse post, só tenho um comentário a fazer: -Casa comigo?
Tem um amigo meu que tá treinando pra soltar hadouken. E é sério. Depois te explico.
Eu quero ser a Gabi quando crescer. Na verdade, se eu tiver os peitos dela eu já tô feliz.
e ela foi no sábado?
Sim, ela foi no sábado. A noite :-O
Ninguém,, absolutamente ninguém passa tão longe de ser uma boa dona de casa quanto eu… Sou um fracasso total. Total. Ai…
Eu também tenho uma abençoada que por enquanto vai duas vezes por semana, mas como ela já é minha conhecida de séculos, ela tem a minha chave, nem corro esse risco!! hehehehe!!
[...] hoje veio aqui em casa a faxineira nova, que tá vindo faz um mês,uma vez por semana, porque minha amada Zilmara pediu demissão pra cuidar de uma tendinite e indicou essa senhora, Dona Rina. A Dona Rina se chama [...]