04
May

It’s my aeroplane

por Gabi

Aviões: grandes estruturas feitas de metal, cuidadosamente desenhadas para alçar vôo aos céus, atravessando continentes e mares, permitindo que os seres humanos visitem outros países, culturas e povos.

Tem um primeiro ponto aí que eu queria discutir: avião VOA. E isso não é natural. Não é normal um trambolho com 30 metros e 30 toneladas saia por aí NO CÉU. E não venha me citar leis da física, explicar empuxo, força, velocidade. Eu nem sei como saí do colégio, porque física pra mim é tipo magia pros povos primitivos: uma coisa que explica o inexplicável mas que eu não faço idéia de como funciona. Os índios tinham pajés, eu tenho engenheiros, e os dois são a mesma coisa: a pessoa que liga a minha existência com os mistérios do desconhecido.

E é baseado nesse meu extenso conhecimento de física que afirmo: tenho medo de voar. Minhas mãos suam, meus ombros ficam duros de tensão, que só passa quando eu ponho meus pés em terra. Só que sou uma pessoa forte e inteligente, então eu fico repetindo pra mim mesma que nada vai acontecer, que acidentes com aviões são raros, que é perfeitamente seguro estar ali, que magos engenheiros projetaram a aeronave com segurança… e vou repetindo isso até pousar.

Ontem fui para Curitiba a trabalho. Meu vôo, da Gol, atrasou uma hora. Importante ressaltar que esse atraso aconteceu com a gente já dentro do avião, sentadinho. Uma hora ali esperando o aeroporto de Curitiba liberar o vôo. Visualizem: eu, com 33 anos, uma mulher experiente, vivida, esperta, racional, inteligente, presa dentro do avião por uma hora enquanto o destino ria de meu desespero: não decolava, não ia nem vinha, e eu ali pensando, me concentrando em como tudo ia ficar bem.

O atraso do vôo ia me gerar problemas num compromisso de trabalho, mas ali na minha poltroninha, com o cinto afivelado e um livro no colo, eu nem pensava no trabalho. Só queria decolar, voar e pousar LOGO. Quando finalmente estávamos prontos para decolar, minha vontade era de gritar “tá bem, eu vim até aqui dentro, agora posso ir embora?” mas me mantive firme e forte. Sorri para os comissários de bordo, tomei meu refrigerantezinho e o vôo durou apenas 45 minutos, então não precisei ir chorar no banheiro.

Hoje, quase a mesma coisa: vôo da Gol de manhã cancelado, consegui vaga num vôo TAM logo depois do almoço, o avião ficou ali parado em terra… a diferença é que hoje eu estava na janela, bem em cima da asa, e posso jurar pra vocês que foi a força do meu pensamento positivo que manteve a asa ali. Porque olha, eu tava concentradíssima, e a cada tremidinha da asa eu pensava “pára de graça e faça seu trabalho, fique aí bem bonita e funcione direitinho até São Paulo”. Outro problema: depois de ver Twilight Zone, fiquei achando pra sempre que um dia vai aparecer um monstro na asa do meu avião:

Medo desse bicho!

 

Pra melhorar, pegamos certa quantidade de nuvens e turbulência. Nada tão ruim quanto uma ponte aérea que peguei anos atrás, quando o serviço de bordo foi suspenso, o aviso de apertar os cintos ficou ligado direto, os comissários de bordo passavam pálidos por mim e eu tinha certeza que ia morrer, mas foi ruim o suficiente para o passageiro ao meu lado rezar a viagem toda, todinha, sem parar. Entre as preces dele e meu pensamento positivo, a asa ficou no lugar e chegamos a São Paulo.

Quando finalmente pousei, fedida, exausta e ainda sem nem desconfiar que estava prestes a pisar em cocô de cachorro na frente do aeroporto, fui uma das últimas a sair do avião. Na porta, o comandante sorriu pra mim e apertou minha mão com um “Obrigado por escolher a TAM”. Minha vontade era abraçar o cara e gritar “OBRIGADA VOCÊ QUE ME TROUXE ATÉ AQUI SEU LINDO!”. E por mais que ele fosse só um piloto normal, na hora ele me pareceu ser assim:

Maverick, seu lindo!

De qualquer forma, minha viagem teve mais aventuras: pisei no cocô na porta de Congonhas, andei com um taxista ruivo, outro cearense que me contou tudo sobre o casamento da filha (e eu indiquei o blog da Cintia, vejam só), almocei uma bolachinha salgada e um alpino que ganhei no hotel, o gato fez cocô no escritório, o evento foi um sucesso, a bateria do iPhone acabou, e muito mais. Mas estou cansada depois dessa emoção nos ares, e por isso, deixo a história pra outra ocasião.

Fiquem com uma música sobre aeroplanos para animar a noite:

5 Responses to “It’s my aeroplane”

  1. Oliveira says:

    Mas o voo era Tam ou Gol? Agora fiquei confuso…. Rs
    O jeito eh parar naqulas lojinhas do aeroporto e mandar um whyskinho, desse jeito ate pilotar o aviao eu piloto !!!!!

  2. juliana says:

    ah, eu amoooo voar! Só estive num avião pela primeira vez esse ano e agora num quero outra vida! hehehe
    Que tenso tudo isso, viu?
    Eu não gostei muito da Tam. Pô, eles dão amendoim! A Tam me deu croissant bem gostosão!

  3. Aeromoça says:

    O texto está excelente, e termina com um dos melhores clips do RHCP.

    Parabéns!!!

    Portal Meio Aéreo

  4. Eu não tinha medo, sempre adorei voar, talvez por ter começado muito pequena. Hoje eu tenho medo, mas é medo de ter medo, ou melhor, medo de ter uma ataque de pânico que nem eu tive em um vôo de Brasília. Afffff!
    Por favor, só me chamem para eventos em SP, hehehe.

  5. Fabiane says:

    Eu sempre tive vontade de voar. E por morar perto do aeroporto passava horas olhando pro céu, vendo os pousos e decolagens.
    Um dia a oportunidade veio e foi, pra mim, a melhor experiência da minha vida. Mesmo com o atraso, com a chuva e a turbulência, pra mim foi tudo de bom.
    E sei bem o que é ver a asa do avião balançando com a turbulência. Teve uma hora que eu vi nítidamente o avião ‘mergulhar’. Levantei a mão esperando o looping que não veio…
    Dá próxima vez, tente beber. Uma cervejinha antes e uma durante o vôo ajudam a te animar.

    =*

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