05
Jul

Índio quer apito

por Gabi

Acabo de sair de um longo treinamento sobre liderança. Durante os cinco dias em que estive lá, pude concluir diversas coisas sobre gerenciamento, chefia, liderança e proatividade. Tudo muito bonito e importante para meu desenvolvimento profissional.

Gostaria de compartilhar alguns insights que foram surgindo nesses tão importantes dias.

Acho estranho ser chamada de chefe. Sempre me sinto uma índia, alguma espécie de ser de tanga, bronzeada e com um arco na mão. E meu dia de trabalho seria assim:
- Chefe, os clientes chegaram.
- Matar eles!
*levanta o arco*
- Mas eles vieram fazer compras e…
- Chefe dizer matar todos!
*chacoalha o arco*

Isso sim seria um dia bom no trabalho: os clientes correndo pra lá e pra cá e a equipe atirando flechas nas bundas deles.

Quando me chamam de líder, fico meio preocupada. Sempre visualizo um disco voador pousando no meio da Av Paulista. Aí o Alien-chefe vê um funcionário atrasado feliz por ter uma desculpa pra chegar mais tarde colaborador dedicado correndo em pânico. E diz:

- Leve-me ao seu líder!
- Opa. É aquela baixinha loira ali.
- Valeu!
*desintegra a loirinha com arma de íons*

Entendem o medo de assumir um cargo de chefia? Fora a responsabilidade. Imaginem se ao invés de me desintegrar o Alien quer conversar:

- Você é a Líder dessa gente. Nós queremos invadir a Terra e tal e vamos começar aqui na sua loja.
- Pô, não faz isso não. Aqui tem gente boa e trabalhadora… Fora que eu preciso bater minha meta esse mês senão tô na rua.
- Mas a gente vai destruir tudo e acabou.
- Ok, comecem pelo depósito, assim não atrapalha os clientes que já estão pagando.

Comerciário é tudo mercenário mesmo.

Enfim, aprendi muito sobre assertividade, que é a arte de ser grosso sem ser grosso. Ou sem que a outra pessoa perceba sua grosseria. Ou de maneira que a outra pessoa não possa contestar sua posição sem dar mostras de que não sabe o que é assertividade e tenha que admitir sua própria ignorância:

- João, esta sua gravata não combina absolutamente com o resto de sua roupa. Trata-se de um produto barato e que você deveria jogar fora rapidamente. Caso contrário, serei obrigada a demiti-lo.
- Mas que grosseria!
- Nã-na-ni-na. Sou assertiva. Apenas apontei um fato real de maneira direta e aberta, explicando claramente as consequências de insistir em seu erro.
- Tá certo, chefe.
*queima a gravata e veste um cocar*

Também participei de dinâmicas envolvendo conversas difíceis, como sobre homossexualismo. A facilitadora questionava a todos sobre o que fariam se tivessem um filho gay. O bonito era ver diretores velhos de casa dando vazão à todo seu preconceito:

- Eu matava o filho da puta!
- Mas Almeida, aqui o objetivo é tentar entender o lado do outro, enxergar com outros olhos…
- Daqui a pouco você vai querer que eu saia por aí rebolando. Tô fora!
*participantes da dinâmica se entreolham e encolhem os ombros enquanto o Almeida sai batendo a porta*

Houve também uma dinâmica envolvendo uma música da Daniela Mercury, mas essa eu apaguei da mente. Era assustadora demais.

Enfim, foram dias bonitos no mundo corporativo. Agora vou ali treinar minha pontaria no arco e flecha e esperar por dias melhores.

4 Responses to “Índio quer apito”

  1. Gabi says:

    E vc? O que faria se tivesse um filho gay? Colocaria um cocar e um tanga nele? hehehe

  2. Gabi says:

    Fique feliz q vc pode dar flechadas nas bundas dos clientes e eu q falo com eles po telefone?

  3. Gabi says:

    qq ele tem contra viado??? olha q eu pego ele! de porrada! adorei o texto, gata. saudades. bjo

  4. Gabi says:

    Acho q com essa história de curso de liderança quem se fudeu foi o Ericão, não? Se bem q tenho a impressão q antes disso já era vc q mandava em casa. =P

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