Eu sou o trânsito
Estou eu no meio de mais um congestionamento da cidade, agoniada, fuçando no Twitter – sim, o trânsito de SP pára a ponto de dar tempo de entrar no Twitter, e se bobear até daria de escrever este post – e dou de cara com esse tweet do Ariel:
Isso fez um barulho danado dentro da minha cabeça. Eu não estou presa no trânsito, EU SOU o trânsito. Estou no carro, na hora do rush. Sou eu que causo o trânsito. Não tive resposta pra dar pra ele: ele estava certo.
Larguei o celular, coloquei uma música pra relaxar e fiquei pensando no que eu podia fazer pra deixar de ser o trânsito. Moro na Lapa, trabalho no Paraíso e o marido trabalha no Itaim Bibi. De carro, levamos cerca de 50 min no percurso entre nossa casa, o trabalho dele e o meu trabalho.
De ônibus, ele demora uma hora e meia. Eu, de ônibus e metrô, mais ou menos a mesma coisa. São 80 minutos a mais por dia, pelo menos – 40 de manhã e mais 40 à noite. Isso porque não entramos cedo no trabalho nem saímos as 18hs, por isso acabamos fugindo um pouco do horário de pico.
O ônibus em SP custa inacreditáveis R$3,00. A integração ônibus + metrô sai por R$4. Então entre eu e marido, gastaríamos R$14,00 por dia, 70 por semana, 280 pilas por mês. Hoje, de carro, eu não gasto isso de gasolina – e não pago estacionamento, pois tenho vaga de garagem na empresa.
Então, pra mim ainda vale a pena ir de carro trabalhar. Minhas circunstâncias são específicas: um carro econômico, trajetos curtos e garagem. Isso faz com que o ônibus seja pior pra mim, agora. Talvez se houvesse um ônibus direto, ou se eu fosse apenas de metrô eu mudasse de idéia, mas são 2 conduções cada um de manhã e mais 2 à tarde. É o trânsito somado à espera no ponto e ao metrô lotado. É ruim demais.
Não sei nem porque estou escrevendo isso – no fim das contas, vão vir haters me xingar e dizer que eu devia ir de ônibus mesmo, parar de ser fresca e blablabla. Mas não consigo. Trabalho muitas horas por dia, perder mais uma hora e tanto por dia no trânsito – além do que já fico – é inaceitável. Tenho plena consciência de que estou sendo egoísta, mas nesse momento não está dando pra ser altruísta e pensar no bem comum. Sou mais um membro da classe média reclamando de barriga cheia.
Mas ao ler o tweet do Ariel fiquei incomodada pra caramba e talvez esse seja o primeiro passo: me incomodar comigo mesma. Acho que é assim que começa a mudança, com o incômodo.




Diariamente eu pego metrô, faço baldeação e mais um ônibus para ir. E a mesma coisa para voltar. E sinceramente, xingo diariamente.
Mas confesso que o trânsito me irrita mais. Mas esse é o caminho mesmo. Você tem o interesse em ir assim, só que o sistema precisa oferecer a vantagem. De nada adianta ajudar e se ferrar diariamente com horas presa.
Quando o transporte funcionar, aposto que será das primeiras a usar.
que bacana, Gabi.
na verdade, sempre lembro dessa lógica do trânsito quando vejo no Twitter uma galera, de dentro dos carros, reclamando da cidade como se ela fosse a culpada pelo trânsito. até é, em certo ponto. principalmente quando não oferece alternativas para mobilidade das pessoas.
mas cá com meus botões, o congestionamento na bem da verdade é composto de carros, carros das mesmas pessoas que reclamam por estar no trânsito. assim como a cidade, que também é formada essencialmente por nós e que deveria ser moldada de acordo com as nossas reais necessidades de mobilidade, de convivência, etc.
mas vai fazer com que todo mundo se questione desse blablablá noe-hippie!
pra complementar: um camarada meu aqui falou quando viu meu tweet: “é capaz da galera fazer uma marcha do buzinaço pra reclamar do trânsito, de tanta incoerência”. concordo. mundo louco!
beijo!
ps: já que tu comentou, eu vou de ônibus para o trabalho, não tenho carro. mas ando, sempre que julgo necessário, de táxi. não acho que isso é pior ou melhor, é o que é melhor pra mim no momento. só pra constar.
Gabi, vc é uma hipócrita, pq se realmente se importasse, largava o carro e iria de bicicleta para o trabalho. Aí vc não gastaria nem o $ do bus + metrô e ainda faria exercício físico.
Brincadeira!
Muito legal o post do Ariel. Nunca tinha pensado nisso. Reclamo todo dia do trânsito e sou um desses que compra carro, troca de carro e continua stucked.
Hoje, não trocaria o carro pelo transporte público até pq eu faço yoga bem cedinho de manhã e andar com tapete + mochila + marmita é muita coisa. 2 x por semana tenho aula na USP (fim de mundo) e fazer todos esses trajetos de transporte público vai tomar umas 3h a mais por dia.
MAs….se fosse para usar transporte coletivo, queria poder chegar ao trabalho sem estar amarrotado pq vim num metrô abarrotado, quero poder combinar um horário e poder chegar a tempo, pq não tive que esperar 45 min até o bus passar, ou chegar em segurança pra casa.
Por ora, olho pra Lua, ligo meu som, canto, danço, faço coreografias elaboradas e tento amenizar o tempo que fico parado.
bjo
ps: só quis dar um suspense no primeiro parágrafo pq vc disse q teria gente que iria te xingar
saudades, sua linda!
bjo
olha só quem aparece por aqui… EU!!!
bom, a discussão é pertinente e faz parte de uma das decisões que tomei para mim neste ano: depender MENOS do carro. fiz as contas: levo mais ou menos 50 minutos para vir de carro de casa para o trabalho. o combo ônibus + metrô aumenta em 10 minutos o tempo deste deslocamento. além disto, fico à mercê de engarrafamentos estranhos e a necessidade constante de MUDAR os trajetos por conta disto. sem contar que, à noite, as ruas estreitas do itaim fazem com que sair do bairro seja um processo tão simples quanto sair, hum, sei lá, de uma cadeia…
para completar, há a questão financeira: o estacionamento MAIS barato que encontrei na região hoje é R$ 280,00/mês, e ainda preciso caminhar uns 10 minutos para chegar até o escritório.
fazendo as contas, para mim, compensa deixar o carro em casa e vir de metrô, com um pouco de sorte, consigo dormir ou ler pelo menos o caderno de esportes no caminho, o que é difícil quando está se dirigindo.. mas isto é porque tenho que vir onde venho. se estivesse trabalhando em outro lugar, ou ainda, se eu morasse no abc, por exemplo, eu já não sei se compensaria depender de transporte público..
beijos
Gabi, esse incomodo eu entendo, mas o problema maior é isso que vc falou, passagens caras, desconforto, lotação, ter que acordar 2 horas mais cedo que o habitual, e tá difícil, já que o dia só tem 24 horas.
Moro em Teresina, meu namorado tem moto, e ele pensa muito em comprar um bike e ir ao trabalho pedalando, mas ai vem: empresa quer a pessoa engomadinha e no calor de Terehell tá complicado, não tem ciclovia e a situação de respeito aos motociclitas tá osso, pro ciclitas então, nem se fala. O que resta? Resta se sentir culpado e continuar usando meio de transporte motorizado particular, engarrafar mesmo, mas chegar no horário e receber o salário…
A passagem em The é 2 reais, ônibus atrasam e ficam lotados, o maior trajeto de ônibus é 1 hora e 10 minutos, atrás desse 50 minutos e daí para baixo… Acho caro demais, pois para uma grande maioria tem que pegar 2 conduções, ou só uma e caminhar uma lapada pra chegar!
O único metrô de the descarrilhou mais de 5 vezes (esse ano)! Será que o problema é só de quem tá no carro e na moto, tentando trabalhar/estudar? Acho que não né!
Preciso aprender a andar de bicicleta! haha
Adoro seu blog,
=*
Por essas e outras vendi meu carro e tô vivendo de metrô e taxi. Além de tudo fica mais barato.
Oi Gabi, tu tem razão. É assim que a maioria das pessoas pensa e age. Isso acontece porque o nosso sistema de transporte público em geral é muito desorganizado e atrasado; e políticas de incentivo à bike praticamente inexistem ou ficam em 2o plano.
No nosso blog http://www.thecityfixbrasil.com debatemos muito sobre a questão do trânsito, carros, transporte público; também sobre nossa própria atitude e quais as maneiras de mudar isso. Está convidada a participar! Temos um espaço aberto para colaboradores, que desejam transformar a realidade da mobilidade em suas cidades.