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Duas medidas

by Gabi | October 24th, 2009

Imaginem a seguinte matéria:

O ajudante de pedreiro José da Silva, de 40 anos, estuprou a menina M.S., de 13 anos. A menina, que já havia mantido relações com um namorado da escola, estava embriagada e havia tomado remédios para dormir. Eles se econtraram na casa do amigo João da Silva. O pedreiro a levou para o banheiro e a fez sexo anal com ela. A menina disse diversas vezes que não queria fazer sexo com o pedreiro, mas ele ainda assim realizou o ato.”

Alguém seria a favor do pedreiro?

Agora troquem o nome e a profissão. Não é um pedreiro, é o diretor de cinema Roman Polanski. E isso que eu descrevi de fato aconteceu em 1978, quando uma menina com 13 anos foi, com sua mãe, até a casa de Jack Nicholson, onde conheceu o diretor. A menina bebeu e tomou comprimidos de quaalude. Roman disse que iria fotografá-la e fez diversas fotos dela seminua. Depois, foram para a banheira, onde ele fez sexo anal e vaginal com ela. A menina disse “não” diversas vezes, mas não lutou fisicamente.

Roman Polanski foi acusado de estupro, julgado e condenado nos Estados Unidos. Nos últimos 30 anos, Roman viveu na Europa, sem poder pisar em território americano. Recentemente, foi preso na Suíça, por conta da acusação. Eu espero que ele seja extratidado e punido pelo seu crime.

Não, não faz sentido mandar um homem de 76 anos para a prisão por 20 anos por conta de um crime que aconteceu 30 anos atrás. Mas ele tem que ser preso e cumprir pena, ainda que mais curta e atenuada. Ele tem que pagar pelo que fez. Um homem de 43 anos não pode, sob circunstância alguma, fazer sexo com uma menina de 13 anos. Ele sabia que ela tinha 13 anos; ela disse que não queria fazer sexo com ele; ele a pressionou para que isso ocorresse. Ele a estuprou.

Pra mim, é muito claro o erro de Polanski. Mas pessoas que leio e admiro, como a jornalista Barbara Gancia, ou mesmo uma blogueira feminista como a Lola defendem o diretor em seus artigos. Isto me assusta. Porque eu realmente acho que a justiça deve ser cega. Não importa se é um pedreiro, um diretor de cinema, um médico. Porque se a gente começa a dar dois pesos e duas medidas, daqui a pouco permitiremos qualquer cois aos talentosos: “Ah, ele tortura animais, mas é um músico incrível” ou “Veja bem, ele espancou o vizinho que ouvia música alta, mas ele é um médico competente!” podem virar frases corriqueiras? Então porque cargas d’água alguém acha que um diretor de cinema pode fazer sexo com uma menina de 13 anos e tudo bem?

Menos, minha gente, menos.

9 Responses to “Duas medidas”

  1. Acho completamente hipócrita, tanto quem atenua o que ele fez, por ser quem ele é, quanto os que isentam a família da culpa.

    Os pais da garota moveram uma ação contra Polanski. Porém, fica a dúvida: onde essa mãe estava no momento em que sua filha foi embriagada e drogada?

    A mãe foi negligente e, provavelmente, tentava colocar a filha nas trilhas da fama. A qualquer custo.
    Qual mãe, em sã consciência, deixaria a filha de 13 anos com um homem de 43, cuja filosofia de vida (na época) baseava-se na libertação sexual absoluta? Ela foi julgada ou condenada? Não.

    Existem dois culpados nessa história. E o tempo passou. Qual é a lição de moral disso tudo? Tem dinheiro e fama: deite e role na cama.

    Brindemos a uma sociedade hipócrita, de valores morais completamente distorcidos.

  2. Gabi, concordo em número, gênero e grau com sua colocação. Horrível esta mania de ser condescendente com quem é famoso. Abraços,

  3. Seja pedreiro, seja diretor de cinema, seja o papa! O crime é o mesmo.
    Bjs!

  4. Aqui em São Paulo a gente elege cantor que espanca a mulher para vereador, também não é engraçado? O mais engraçado é que ele teve muitos votos de mulher!

  5. Oi, Gabi. Realmente, se a gente remover todo o contexto, ficamos com dois homens adultos que estupraram duas meninas de 13 anos. Mas não dá pra tirar o contexto, dá? Por exemplo, se o pedreiro que vc cita no post tivesse fugido pra um outro país (ou mesmo pra outro estado) será que ele iria ser preso no outro país e extraditado pro Brasil? Outro contextozinho: 31 anos depois, alguém ainda estaria tentando caçar o pedreiro?

  6. Estupro é uma das covardias do homem e não vai ter fim e ainda terão muitas outras Barbaras para defender. A realidade é essa aí, escanrada na nossa frente. A hipocrisia reina e muitas justificativas irão surgir a cada novo caso, a cada nova notícias.
    Ah! Esqueci de dizer, se fosse pedreiro, tava preso.

    Bjos acidos. Desirée

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