Dona Inês e Dona Milita
Ontem foi a despedida do meu querido Paulinho. Ele vai morar em London City e seu vôo é amanhã. Choradeira à parte, ele contou uma história a respeito de sua avó que merece ser compartilhada.
Era uma vez duas velhinhas: Dona Inês e Dona Milita. Elas eram muito velhinhas, muito ricas, muito loucas e muito irmãs. E elas brigam desde 1936, mais ou menos, que foi quando Dona Milita, a mais nova, aprendeu a falar.
Um belo dia, elas resolveram reformar a casa onde estavam morando. E quando elas reformam, é uma reforma digna desse nome: dezenas de pedreiros, carpinteiros, encanadores, marceneiros e eletricistas circulando pela casa.
No meio da sala, Dona Inês desanda a gritar, entre todos estes profissionais da casa e construção:
- Milita, você pegou a minha calcinha?
- Inês, o que é que eu ia fazer com a sua calcinha?
- Eu não sei. Você vive pegando as minhas coisas.
- Eu nunca pego suas coisas!
- Pega sempre, lembra-se de quando você usou meu vestido para ir à festa da Carminha?
- Isso foi em 63, Inês! E eu pedi licença.
- DEPOIS que já tinha usado o vestido e derramado cuba libre nele!
- Imagine! Isso é mentira!
- Você sempre pega as minhas coisas, Milita!
- Eu não peguei sua calcinha, Inês!
- Lógico que foi você! Eu peguei do varal, limpinha, e pendurei ali na porta do quarto e agora sumiu!
- Mas para quê você foi pendurar a calcinha na porta do quarto, Inês?
- Eu ia usar, Milita, se você não tivesse pego!
- Imagine que eu peguei! Olha aqui a minha calcinha, esta é muito minha, eu comprei no Shopping!
*mostra a calcinha*
E a conversa seguiu assim, dura, com dedos em riste de ambas as partes.
Calcinhas foram mostradas, insinuações sobre roubo de acompanhantes para o baile de debutante da Estela foram feitas, acusações de sumiço de broches de brilhantes foram trocadas e surgiram até mesmo reprimendas sobre como foi mal gasto o dinheiro da herança do Tio Emílio: Dona Inês comprou um abajur, que foi a única coisa que dava para comprar com as sessenta pilas que o velho solteirão deixou.
Dona Milita deixou claro que preferia uma nova panela de pressão.
Paulinho e sua irmão assistiam àquilo calmamente, pois até então era mais um sábado normal. Até que dois homens passam carregando uma porta.
- Paulinho, o que é auilo pendurado na maçaneta da porta…?
- Flavia, acho que é a calcinha da vovó.
- Ô moço! Dá uma licencinha, xô pegá um negócio aí…
- Vó. Achei sua calcinha. Tava pendurada na porta mesmo.
- Rá! Viu como eu não tinha pego nada?
- Quieta, Milita. Obrigada, minha filhinha.
Dona Milita e Dona Inês merecem viver para sempre depois dessa.


Hahahahaahahahha, sem dúvida merecem! E deviam montar um blog meio-a-meio…heheheheheheh
Fiquei imaginando a cena: As velhinhas brigando e mostrando as calcinhas no meio da casa, com um público respeitável. Hilário!
Huahuahuahuahau! Que fofas!!! Errrr… mas acho que se fossem parentes minhas eu ia achar só doidas mesmo =D
Bom, se fosse a calcinha da minha avó, ao invés de ela se perder na porta, ela ia esconder a porta =/
Elas inspiraram o Jack Lemmon e o Walter Matthau?
Caraca. A essência desse post é praticamente um diálogo de eu comigo mesmo.
Múito bom! Essa vai ficar para a posteridade! Bjs!
Eu e meu irmão temos discussões muito parecidas no que diz respeito a meias e cuecas…
o post foi muito bonitinho, mas não deu pra evitar de morrer de rir do comentário da lilhá…