11
Jun

Como o açúcar me fez abraçar o capitalismo

por Gabi

Esse ano eu e o namorado decidimos não nos dar presentes de dia dos namorados porque não temos um tostão furado não acreditamos em datas comerciais. Ainda assim, nessa véspera de 12 de junho, acabamos dentro do Shopping West Plaza. Nosso objetivo? Tentar conquistar o mundo.

Mentira. Na verdade precisávamos mandar fazer o novo óculos do Eric, que perdera o seu algures, numa esquina qualquer da Vila Ipojuca. Fomos direto na ótica, pois já tínhamos feito diversos orçamentos e visto muitos modelos, muitos, muitos mesmo. Digamos que Eric provou metade dos modelos disponíveis. Tudo porque não encontrávamos um que coubesse em seu nariz fosse de seu gosto. Depois de uma leve pressão de minha parte, o convenci de que seria auspicioso se ele comprasse uma armação de acetato preto, à la Rivers Cuomo. Do tipo “sou nerd mesmo, e daí, mané?”. Do tipo que atrai valentões do colégio dispostos a roubar seu dinheiro da merenda e depois te jogar dntro da lata de lixo. Mas ficou uma graça, e como ele já acabou o colegial, achamos que seria seguro o suficiente.

Este não é o Eric. Mas poderia ser.

Depois de deixar uma pequena fortuna na ótica, senti uma necessidade premente de comer um doce. Acreditando que no açúcar estava a cura para minha depressão pós-dívida, cheguei à Amor aos Pedaços, salivando por uma Torta de Brigadeiro. Trata-se de uma torta feita apenas durante o Festival do Chocolate e que consiste em camadas de massa doce entremeadas com creme doce de brigadeiro e crocante doce, tudo coberto por doce. É uma loucura de glicose. Eu babava ao me aproximar do balcão:

- Moçssssa, tem Tortsssa de Brigaãããdeiro?

Talvez temendo minha cara de demente alucinada, a moça disse que não tinha. Triste, muito triste, fui em busca da segunda opção: Uma bela xícara de Mexicano da Kopenhagen. Este é uma espécie de mousse de chocolate meio amargo mais… molinha e cremosa. É uma coia intermediária entre um leite com chocolate e um pudim de chocolate. Não sei explicar direito, mas é uma espécie de presente dos deuses deixado para a humanidade a despeito de todo a devastação do meio ambiente, das guerras e da criação do Calypso. É uma coisa linda de meo deos. É… bem, é assim:

Deus do céu.

Dessa vez, mais receosa da resposta, ao entrar informei ao Eric:

- Se não tiver Mexicano, eu vou chorar.

O atendente me deu boa noite educadamente e eu disparei:

- Moço, tem Mexicano gelado?
- Não, acabou.

As lágrimas afloraram, mas consegui engolir o choro. Devastada, não via outra solução senão me entregar ao desespero. De alguma maneira, reuni forças para deslizar até um lugar onde eu jamais imaginei encontrar conforto ou alento. No templo do capitalismo, no coração da exploração de mão-de-obra barata, naquele restaurante de fast food que é a epítome do imperialismo e do colesterol eu podia ao menos comer uma casquinha.

Chegando lá, uma moça gordinha com cara de poucos amigos deu um boa noite rápido e indagou o que eu desejava. Ia pedindo uma casquinha simples só pra ter certeza que tudo daria certo, quando bati o olho numa plaquinha anunciando um lançamento especial: McFlurry SUFLAIR. Alguém descobriu meus sonhos mais loucos e misturou Suflair no sorvete e ainda bateu com calda. Mas a calda era de chocolate… e eu não gosto de calda de chocolate. Sabendo que provavelmente ouviria um retumbante NÃO, ainda assim eu não tinha nada a perder. Eu era uma mulher à beira do desespero.

- Er… pode trocar a calda do McFlurry Suflair por… caramelo?

Não sei se foram meus olhos suplicantes, minhas olheiras profundas ou o ar de abatimento. Talvez a gordinha tenha visto em mim um reflexo dela mesma: um ser do sexo feminino desesperadamente prcisando de açúcar. Fato é que ela hesitou por um segundo e depois disse:

- Pode.

E me entregou um copo cheio de sorvete com pedaços de suflair e uma dourada calda de caramelo.

Por isso em verdade vos digo, amigos: Deus salve a América! Viva o Imperialismo!

10 Responses to “Como o açúcar me fez abraçar o capitalismo”

  1. Gabi says:

    Não sei se você reparou – afinal eu só reparei agora depois que li o post – mas você não me ofereceu nem o potinho pra lamber o resto.

  2. Gabi says:

    impagável, gabi, “esse ano eu e o namorado decidimos não nos dar presentes de dia dos namorados porque [não temos um tostão furado] não acreditamos em datas comerciais”. me too!

    sou solidária ao não-presente (abaixo o capitalismo!!) e tb à necessidade de mcdonalds (viva o imperialismo!!) ;)

  3. Gabi says:

    Tb não gosto da calda de chocolate, especialmente a do Mac Donalds. Tem um gosto estranho…

    E é foda vc desejar algo e não conseguir de forma alguma. Dá uma angústia…

  4. Gabi says:

    Também dou graças quando como um Ferrero rocher… ou quando tomo um milkshake de Ovomaltine do Bob’s, que de tão grosso e gelado, faz a cabeça estourar! Hhahahahaha

  5. Gabi says:

    Droga! Tomei só uma vez o Mexicano e ele estava escondido no meu subconsciente. Por causa disso agora estou salivando por um *procurando por uma Kopenhagen no centro*.

    Ah, e o Mc Flurry Sulflair não gostei. Achei muito doce e enjoativo. Mas a tpm fez com que eu comesse tudinho e mamãe ficasse orgulhosa!

  6. Gabi says:

    Eu troco o sorvete de baunilha por chocolate. E deixo a calda de chocolate, claro.

    Mas esse Mexicano, hein? Nunca ouvi falar, e agora quero um pra já! (E pensar que passei do lado de uma Kopenhagen ontem…)

  7. Gabi says:

    McFlurry tem de ser Kosher =D OMG

  8. Gabi says:

    Tô morrendo de rir do comentário falando que tem que ser kosher hahahaha…
    Mas sim, eu vi uma propaganda do Flurry quando fui comprar meu mclanche feliz para ganhar uma bonequinha da mandy, e parece ser mesmo muito bom, ainda bem que adoro a calda de chocolate do mc donald’s!
    E tipo que mêo a pior coisa é não poder trocar a calda do mcflurry com m&m’s aqui em bsb ela é de morango blargh…

  9. Gabi says:

    Salva pelo capitalismo!!!Só de ler o post já me deu vontade. Vou a um MCDonalds ainda hoje experimentar o de Suflair (mas com calda de chocolate, é claro).É bom mesmo, ou foi só a sua necessidade desesperada por chocolate??
    bjs :)

  10. [...] atendente merecia uma gorjeta polpuda e que o mundo, afinal, não é um lugar tão ruim.O açúcar, como já contei aqui, faz milagres pela nossa [...]

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