Como fazer seu namorado abraçar árvores em 3 posts
E aí que eu decidi que estava a fim de viajar no último feriado. Fazendo algumas contas, percebi que dava pra dar umas bandas por aí sem me afundar em dívidas. Comuniquei ao namorado, inspirada pelo filme e livro Into the Wild:
- Vamos viajar pro meio do mato do feriado. É um lugar sem celular, sem internet, sem nada. Ficaremos isolados e tudo que há pra fazer por lá é caminhar, ver cachoeiras e abraçar árvores.
- …er…que…bom?
- É ótimo!
Eric não é exatamente um entusiasta da natureza. Aliás, ele acha que se a praia fosse azulejada e com menos sol, e se as montanhas tivessem escadas rolantes, o mundo seria bem melhor. Ele não gosta de comida natural, não liga pra belas paisagens, e se pudesse andar conectado à internet pela rua, ele o faria. Ou seja: a viagem seria uma belezinha pra mim e uma coisa horrenda pra ele. Como quem manda nessa porra aqui sou eu ele é muito compreensivo, aceitou essa loucura.
Saímos na sexta feira. Deveríamos sair às 14 horas, mas por conta de motoboys atrasados e malas mal arrumadas, acabamos partindo por volta das 17 horas. Sim, pegamos todo o congestionamento da Marginal e da saída da Ayrton Senna. Levamos mais de uma hora pra conseguir andar cerca de 25 quilômetros até o Aeroporto. Um inferno, claro. Mas logo pegamos a estrada, a noite caiu, os quilômetros se sucederam sob os pneus do glorioso Celta. No caminho, sentimos fome, paramos num Frango Assado, eu tomei um suco de milho light, comemos… bem, comemos frango frito. Mas o que importa é que eventualmente chegamos em Penedo.
Penedo é tipo a última fronteira urbana. Penedo é asfaltada, tem muitas lojas, hotéis, pousadas, até ônibus. Lá tem orelhões, o celular pega, existe conexão com a internet, enfim: trata-se de uma cidade digna desse nome. Entretanto, dali parte a estrada que começa enganosamente asfaltada e depois transforma-se numa sinuosa estrada de terra que margeia despenhadeiros. Eu mencionei que já era de noite? Pois é, era. E claro que a estrada não tem luz. Por sorte, ninguém é louco o suficiente pra tentar descer aquela serra à noite, então só tinha gente subindo. E ninguém caiu no precipício. Eu acho. Pelo menos ninguém que eu tenha ouvido.
Conseguimos chegar à Visconde de Mauá, uma adorável cidadezinha encravada nas montanhas da Mantiqueira. Tal cidade se desmembra em três vilas: a primeira é Mauá, repleta de pousadas e restaurantes charmosos, na qual costumam se hospedar famílias e casais endinheirados. A segunda é Maringá, onde costumam ficar as pessoas descoladas, pois é lá que está a baladinha local. A terceira, mais alta e mais bizarra vila é Maromba. Maromba consiste em uma praça, na qual há uma igreja. Atrás da igreja tem uma rua. Do lado da praça tem outra. E acabou. Digo, subindo a rua do lado da praça você começa a ir pras cachoeiras. E pra nossa pousada.
Nossa pousada ficava lá em cima. Literalmente. Pra dizer a verdade, meu carro jamais subiria até a pousada. Então paramos o veículo num estacionamento de uma outra pousada, e o dono da Portal dos Ventos foi nos buscar com um jipe com tração nas 4 rodas. A estrada pra chegar até a pousada era quase vertical. Um amontoado de pedras, buracos e plantas em volta, um terrível morro medonho que servia para isolar a pousada e ao mesmo tempo manter afastadas as hordas de hippies que há em Maromba. Sim: todos os hippies de Visconde de Mauá (exceto uma, como veremos mais à frente) se acumulam em Maromba. E o Eric adora hippies. (NOT)
O dono da pousada se chamava Márcio, e para nosso alívio era paulista, de Itatiba. Isso significa que ele é extremamente simpático, hospitaleiro e competente. Porque Visconde de Mauá fica no Rio, e só não está infestada de cariocas porque fica bem perto da divisa de São Paulo e Minas Gerais. Isso faz com que os serviços por lá sejam ligeiramente melhores do que no resto do glorioso estado do Rio de Janeiro. Mas estou divagando: Márcio nos levou estrada acima e ao chegar à pousada tivemos uma agradável surpresa: ela era tão bonita quanto o site nos levava a crer.
No quarto tinha DVD, então escolhemos uns filminhos pra ver. Um deles foi Temos Vagas. Essa película trata da história de um casal que passa a noite num hotel num local desconhecido, assiste a um vídeo e descobre que ele mostra um casal sendo atacado por psicopatas no mesmo quarto onde eles estão e que, claro, é atacado por psicopatas de verdade depois. Por um baita cagaço motivos que não vale a pena citar, assistimos a outro filme e eu capotei de sono em 15 minutos.
No dia seguinte, sábado, um desafio nos aguardava. Nossos planos eram ousados, mas acreditávamos que iríamos sobreviver. Como descobrimos depois, não seria tão simples…
PS: seguindo o exemplo do Eric, farei um post em capítulos para dar aquele suspense
PPS: Tem 4 caixas de mariola aqui em casa. Mandem seus endereços e eu mando as mariolas. O Bruno vai ganhar uma caixa só pra ele.


Espero que minha namorada não tenha idéia parecida, já que eu tb odeio mato e tranquilidade em excesso.
Yeah! Eu ganhei mariolas!!!
Gente, que pousada gostosinha. E o café da manhã? Você vai falar dele? Pq, putamerda, café da manhã de pousada é a coisa mais gostosa da galáxia.
Eu qro uma mariolaaa =D
Mó tempão que leio isso aqui, primeira vez que comento.To me sentindo estranha… ^^
Ansiosíssima pela continuação. Ah, fala sério, mato é tudo de bão! E eu amei a pousada!
Eu já desci a estrada a noite. Diversas vezes. Ainda estou vivo. Acho.
Uma pena que eu levava na brincadeira, e vc na verdade.
O que raios é mariola?!
Pelo tanto que você falou que subiram, fiquei com uma dúvida: lá em cima tem oxigênio? =)
Rola uma mariola pras cálega?
Falando em cálega, quando vamos nos reunir pra vc fazer aquela torta de limão, digo, pra tomar umas?
Caracas… rs.
Indiana Gabi Jomes e seu fiel ajudante Eric… imagino a aventura da Gabi meio ceguinha enfrentado uma estrada na noite isso eu queria ter visto, e depois de uma viagens turbulenta, um bom filme relaxante.
fiquei curioso pra saber o restante da história acho que vou ai na sua casa pra ouvir da sua provia boca…rs.
EI! EI! Que coisa feia falar mal do povo do Rio! São todos “tão educados”.
E vem cá, o suco de milho é pra combinar com o de coxinha da Lilhá? hihihi
Continua aí!
AH! A mariola pode mandar por SEDEX
Então… Respondendo ao teu comment lá no Judão (já que meus comments nunca saem), eu tinha achado 60 e 47. O último número, tinha contado 40 (e não quarenta e um). Na tentativa e erro, meu amigo conseguiu.