Meia-Noite no cinema
Há algumas semanas fui com o marido ver o novo do Woody Allen, Meia Noite em Paris. Fui sem saber do que se tratava, sabendo só que era mais um filme do velho safado e eu não ia deixar de ver – apesar (ou por causa) das suas neuroses, Allen é um diretor que me faz rir alto em quase todo filme.
Anos atrás, fui ver Todos Dizem Eu Te Amo no cinema e só eu e o amigo que me acompanhava rimos durante o filme. O mesmo aconteceu com Misterioso Assassinato em Manhattan, só eu via graça nas piadas do velhote baixinho e esquisito. E até hoje tenho certeza que as únicas pessoas que gostaram de O Sonho de Cassandra fomos eu e Julio (e Junior, mas sem entender as referencias à Crime e Castigo). Mas entendo quem se cansa ou não gosta do estilo: ver um filme do Woody Allen na maior parte das vezes é ver mais ou menos o mesmo filme e os mesmos personagens. Quem não gosta, se exaure logo e desiste.
Alguns filmes – não por coincidência os meus favoritos – fogem um pouco dessa regra: A Rosa Púrpura do Cairo, Tiros na Broadway, Match Point, e agora, Meia Noite em Paris. Não me entendam mal: o protagonista neurótico e narigudo está lá, assim como a mulher linda e fútil, a mulher linda e incrível, o amigo estranho, a família de direita, os diálogos obsessivos… Tem tudo isso. Mas de um jeito diferente.
O filme é uma declaração de amor à Paris, não à cidade em si apenas, mas ao que ela representa: um lugar para se viver e escrever, com suas ruas de paralelepípedos e escadarias e feiras livres e floriculturas e bares. O protagonista vai à Paris procurando por um ideal enquanto sua noiva procura por mobília para a casa de Malibu. E ele encontra esse ideal, e depois percebe que não é bem isso… Estou sendo críptica, eu sei, mas é porque eu não quero estragar o filme. Uma das coisas mais divertidas foi ir sem saber do que se tratava e chegar lá e descobrir que o filme era sobre… bem, era sobre Paris à meia-noite.
Vão ao cinema. Fiquem atentos à trilha sonora, jazz de excelente qualidade, e aos atores incríveis em papéis menorzinhos que roubam a cena, como a pontinha de Carla Bruni, o bigodinho de Adrien Brody e o olhar intenso de Corey Stoll, a grande surpresa do filme pra mim. Se apaixonem, se surpreendam e saiam da sala acreditando que existe amor.










