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18
Jan

Para descer aperte o botão para descer.

por Gabi

O título parece esdrúxulo e errado, mas não tá.

Explico: eu trabalho no 13 andar e paro o carro no S2 (que meigo). Vira e mexe chamo o elevador no S2 pra subir e ele desce com gente que pegou o mesmo no Térreo. Ou seja, a pessoa apertou botão pra subir e pra descer no térreo, o elevador parou, a pessoa entrou e o elevador desceu.

Geralmente a pessoa ainda faz cara feia como se a culpa do elevador ter descido fosse minha. Não foi, meu amigo. Foi VOCÊ que apertou um botão a mais e fez o elevador parar no andar de maneira errada.

Coloquei uma imagem pra demonstrar como se deve apertar o botão caso se queira descer:

Viram? Estique seu dedinho e aperte o botãozinho desejado! É bem simples e qualquer um consegue! Pode apertar o botão com o cotovelo, com uma caneta, com o nariz… o que importa é apertar a setinha que aponta pra direção desejada.

Então deixo aqui um apelo importante: se for subir, aperte o botão pra subir. Se for descer, aperte pra descer. Eu juro que funciona direitinho, prometo que apertar os dois não faz o elevador chegar mais rápido.

A única coisa que você  consegue mais rápido, seu estrupício, é me deixar irritada com sua cara de palerma.

 

23
Sep

Too old to rock’n'roll

por Gabi

A primeira vez que fui a um show do Red Hot Chili Peppers foi em 1993. Era a primeira vez deles no Brasil, eu tinha 15 anos e eles haviam lançado há pouco o disco mais incrível que jamais lançariam: Blood Sugar Sex Magic. Era o festival Hollywood Rock, era verão, fazia calor e eu estava lá no Morumbi vendo o show de uma das minhas bandas favoritas. A censura era 16 anos, mas quem se importa com a lei quando se tem 15 anos e ingressos pra ver Red Hot, L7, Nirvana e Alice in Chains? Foram grandes shows e acho que foi ali que minha cabecinha se transformou em fã de rock para todo o sempre.

No cantinho, parecendo deslocado, Arik Marshall, que durou pouco na banda.

O show do RHCP foi absurdo. Eles usavam saia, se apresentavam semi nus com lâmpadas gigantes na cabeça, pulavam sem parar e eu achei aquilo completamente maluco e maravilhoso. Eles abriram o show com Give it Away, o maior hit da banda, e quando uma banda abre um show com seu maior sucesso é meio que uma declaração de  ”Tocamos a música do rádio, agora a gente faz o que quiser“. Isso cria uma expectativa. E eles cumpriram lindamente e eu fiquei muito feliz de estar ali.

Hoje, aos 34, eu deveria ser sábia o suficiente para ter consciência de que nada pode superar um show que você viu aos 15 anos, mas aparentemente, não sou. Ano passado vi Pixies e foi tão incrível que achei que seria lindo ver qualquer banda da minha adolescência ao vivo. O show do Red Hot no Anhembi provou que estava enganada. Poderia botar a culpa no hediondo sistema de som do Anhembi, no meu cansaço depois de um dia de trabalho ou na tpm, mas a verdade é outra. Red Hot envelheceu, e não de um jeito digno.

Enquanto bandas e artistas como Rolling Stones, Paul McCartney, Foo Fighters, Pearl Jam, Neil Young, Iggy Pop, Faith no More e Ozzy envelhecem perdendo um pouco do fôlego e mantendo a essência, outros como Metallica e Aerosmith se afastam tanto do que eram que soam irreconhecíveis. Red Hot lamentavelmente engrossa o caldo do segundo caso.

O cãozinho é fofo, mas esse bigode...

Os últimos álbuns (Stadium Arcadium, By The Way e Californication) foram horrorosos. De uma banda cheia de energia, que conseguia misturar rock com funk tão bem que foi produzida pelo George Clinton, viraram uma bandinha cheia de músicas meio emo, meio dançantinhas, sem batida, sem groove, sem alma. Desses 3 discos, se salvam algumas coisas como Hump the Bump, I Like Dirt,  e em menor grau Can’t Stop. O resto? Chatice, cansaço, nenhuma vontade de dançar e tiozinhos cumprindo tabela no show. O disco recém-lançado, I’m With You, é infinitamente melhor que esses 3, e me fez acreditar que a banda estava voltando à forma. mas não.

Na quarta feira, deu pra ver que Chad ainda espanca a bateria como se sua vida dependesse disso, Flea ainda é um dos melhores baixistas do mundo, mas o “novo” guitarrista não corresponde. E Anthony, o vocalista mais legal da década de 90, virou um bigodudo esquisito que perdeu a voz.

O que salvou o show pra mim foi Flea cantando “Pea“, uma das músicas mais fofas deles. De resto, vontade de chorar com o setlist péssimo, que não se compara de maneira alguma com o que vi em 93. Pelo que li em críticas por aí, o show foi bom pra muita gente. Pra mim, foi um horror. No fim do show, a banda não parecia cansada nem feliz. E eu só estava cansada mesmo.

Aí voltei pra casa pensando que estou too old to rock’n'roll but too young to die. Essa sensação está aqui até agora, me fazendo pensar se devo continuar gastando meus suados caraminguás em shows de rock. Talvez ir a shows de rock seja coisa a ser feita antes dos 30. Não sei.

Mas botei pra rodar um cdzinho aqui e tô chacoalhando a bundinha enquanto escrevo o post e cantando junto (baixinho pra não acordar os vizinhos), e  concluindo que o problema não é comigo. Eu sou uma jovem senhora animada. Meus amores do RHCP, nem tanto.

BLOOD SUGAR BABE SHE'S MAGIC

14
May

Não quero suspender nada

por Gabi

Em 2009, cansada de ter dores de cabeça, cólicas, 7 dias com sangramento e mais a TPM, decidi parar de menstruar. Procurei meu gineco, que me indicou uma pílula de uso contínuo que iria ter este efeito: tomada todos os dias, a imensa maioria das mulheres tem a menstruação suspensa, e uma minoria tem uma redução no fluxo, intensidade e duração. Comecei a tomar. Durante 4 meses, foi tudo bem. Não cheguei a parar de menstruar totalmente, mas reduziu muito, assim como os sintomas. No quinto mês, um belo dia acordei com a cama toda suja de sangue. Corri pro hospital: eu estava com uma hemorragia fortíssima, causada por um problema hormonal. Suspendi a pílula, e ficou tudo bem, sem sequelas. Nunca contei isso aqui porque acho que é uma coisa pessoal: não foi o medicamento que me causou a hemorragia, mas sim a minha reação a ele.

Entretanto, hoje decidi dividir isso com vocês por um motivo sério: Atenção à este print de um site.

(clique para ver maior)

Uma agência, sem pedir minha permissão nem a das outras meninas (Vicky, Fernanda e Eliane) ali listadas, colocou o meu blog numa página de “LINKS e NOVIDADES sobre a vida SEM MENSTRUAÇÃO“. A minha novidade sobre vida sem menstruação é essa meninas: tive hemorragia e fui parar no hospital.

Eu JAMAIS indicaria para ninguem este método. Não foi bom pra mim, então eu nunca diria a ninguém para tentar sem antes fazer uma ressalva. E acho completamente irresponsável criar um site divulgando um remédio e associar o nome de pessoas a ele sem perguntar antes. Estamos falando de medicamento, e não de um chocolate, shampoo ou qualquer outra coisa. É remédio.

Eu nem sei qual o remédio que eles estão divulgando. Pode não ser o mesmo que deu problema para mim. Mas eu sou contra a suspensão da menstruação. E quero meu nome fora desse projeto. Já mandei email para a agência, vamos ver se eles respondem.

UPDATE: a Vicky também fez um post explicando porque estamos tão bravas: “Eu não suspendi porra nenhuma“. Vale a leitura e a divulgação.

UPDATE 2: a Fê fez um post também contando a experiência dela.

UPDATE3: a agência ClickInterativo informa que são responsáveis apenas pela programação do site e não pela campanha em si. Também informa que o cliente entrará em contato comigo e as demais blogueiras. Estou aguardando e depois conto o que houve.

04
May

It’s my aeroplane

por Gabi

Aviões: grandes estruturas feitas de metal, cuidadosamente desenhadas para alçar vôo aos céus, atravessando continentes e mares, permitindo que os seres humanos visitem outros países, culturas e povos.

Tem um primeiro ponto aí que eu queria discutir: avião VOA. E isso não é natural. Não é normal um trambolho com 30 metros e 30 toneladas saia por aí NO CÉU. E não venha me citar leis da física, explicar empuxo, força, velocidade. Eu nem sei como saí do colégio, porque física pra mim é tipo magia pros povos primitivos: uma coisa que explica o inexplicável mas que eu não faço idéia de como funciona. Os índios tinham pajés, eu tenho engenheiros, e os dois são a mesma coisa: a pessoa que liga a minha existência com os mistérios do desconhecido.

E é baseado nesse meu extenso conhecimento de física que afirmo: tenho medo de voar. Minhas mãos suam, meus ombros ficam duros de tensão, que só passa quando eu ponho meus pés em terra. Só que sou uma pessoa forte e inteligente, então eu fico repetindo pra mim mesma que nada vai acontecer, que acidentes com aviões são raros, que é perfeitamente seguro estar ali, que magos engenheiros projetaram a aeronave com segurança… e vou repetindo isso até pousar.

Ontem fui para Curitiba a trabalho. Meu vôo, da Gol, atrasou uma hora. Importante ressaltar que esse atraso aconteceu com a gente já dentro do avião, sentadinho. Uma hora ali esperando o aeroporto de Curitiba liberar o vôo. Visualizem: eu, com 33 anos, uma mulher experiente, vivida, esperta, racional, inteligente, presa dentro do avião por uma hora enquanto o destino ria de meu desespero: não decolava, não ia nem vinha, e eu ali pensando, me concentrando em como tudo ia ficar bem.

O atraso do vôo ia me gerar problemas num compromisso de trabalho, mas ali na minha poltroninha, com o cinto afivelado e um livro no colo, eu nem pensava no trabalho. Só queria decolar, voar e pousar LOGO. Quando finalmente estávamos prontos para decolar, minha vontade era de gritar “tá bem, eu vim até aqui dentro, agora posso ir embora?” mas me mantive firme e forte. Sorri para os comissários de bordo, tomei meu refrigerantezinho e o vôo durou apenas 45 minutos, então não precisei ir chorar no banheiro.

Hoje, quase a mesma coisa: vôo da Gol de manhã cancelado, consegui vaga num vôo TAM logo depois do almoço, o avião ficou ali parado em terra… a diferença é que hoje eu estava na janela, bem em cima da asa, e posso jurar pra vocês que foi a força do meu pensamento positivo que manteve a asa ali. Porque olha, eu tava concentradíssima, e a cada tremidinha da asa eu pensava “pára de graça e faça seu trabalho, fique aí bem bonita e funcione direitinho até São Paulo”. Outro problema: depois de ver Twilight Zone, fiquei achando pra sempre que um dia vai aparecer um monstro na asa do meu avião:

Medo desse bicho!

 

Pra melhorar, pegamos certa quantidade de nuvens e turbulência. Nada tão ruim quanto uma ponte aérea que peguei anos atrás, quando o serviço de bordo foi suspenso, o aviso de apertar os cintos ficou ligado direto, os comissários de bordo passavam pálidos por mim e eu tinha certeza que ia morrer, mas foi ruim o suficiente para o passageiro ao meu lado rezar a viagem toda, todinha, sem parar. Entre as preces dele e meu pensamento positivo, a asa ficou no lugar e chegamos a São Paulo.

Quando finalmente pousei, fedida, exausta e ainda sem nem desconfiar que estava prestes a pisar em cocô de cachorro na frente do aeroporto, fui uma das últimas a sair do avião. Na porta, o comandante sorriu pra mim e apertou minha mão com um “Obrigado por escolher a TAM”. Minha vontade era abraçar o cara e gritar “OBRIGADA VOCÊ QUE ME TROUXE ATÉ AQUI SEU LINDO!”. E por mais que ele fosse só um piloto normal, na hora ele me pareceu ser assim:

Maverick, seu lindo!

De qualquer forma, minha viagem teve mais aventuras: pisei no cocô na porta de Congonhas, andei com um taxista ruivo, outro cearense que me contou tudo sobre o casamento da filha (e eu indiquei o blog da Cintia, vejam só), almocei uma bolachinha salgada e um alpino que ganhei no hotel, o gato fez cocô no escritório, o evento foi um sucesso, a bateria do iPhone acabou, e muito mais. Mas estou cansada depois dessa emoção nos ares, e por isso, deixo a história pra outra ocasião.

Fiquem com uma música sobre aeroplanos para animar a noite:

12
Jan

O personal trainer, a fritadeira e a Alessandra Ambrosio

por Gabi

Aí que eu resolvi que ia fazer academia em 2011. Ano novo e o caramba, era hora de morfar, difo, de malhar. Anos de sedentarismo me engordaram e eu tô de saco cheio de não conseguir comprar roupas e de ver minha barriga cada vez que olho pra baixo.

dog

Aí hoje fui à incrivel e moderníssima academia que tem aqui no bairro, pra fazer a minha avaliação. Ao chegar fui recebida por uma brilhante recepcionista:

- Oi, eu vim fazer avaliação.
- Pra fazer academia aqui?
- Não, avaliação psicológica pra saber porque eu quero me torturar assim.
- …aaahhhhnnnn?
-  *suspiro* É pra fazer academia sim, moça.

A inteligente mocinha me encaminhou ao meu professor-avaliador, que por uma ironia do destino se chama Gabriel e é um esfuziante e animado malhador. Logo de cara me obrigou a me pesar, e foi horrível. Depois disso, achei que nada ia ser pior. Ledo engano.

Fomos pra uma salinha onde ele mediu minha altura (1,55, yey! Não encolhi desde as aulas de educação física do segundo grau!!!)  e depois começou a medir… minha porcentagem de gordura. Ele usou fita métrica e pinças que me cutucaram em busca de pontos macios,  tipo um frango no forno. Sério, achei que ia dar uns 90% mas ficou bem menor, só 70%. Mentira, deu abaixo de 30%, o que achei um milagre mesmo e aceitei com alegria no coração.

O problema foi que nessas comecei a bater um papinho com Gabriel e mencionei minha formação como cozinheira. Daí pronto: o cara entrou num monólogo sobre como ele comprou uma fritadeira e como ele fritava batatas. Ele adora batatas e come batatas sempre que pode, batatas fritas, bolo de batata, batata assada, purê de batatas. Era tipo uma versão fitness batata do Bubba (do Forrest Gump) e sua obsessão por camarão. Batata, batata, batata. E eu lá sendo cutucada, fazendo teste ergométrico e tentando não sentir fome.

fritadeiraEis o melhor eletrodoméstico desde a invenção da geladeira, segundo meu personal trainer

Foram 15 torturantes minutos numa bicicleta ergométrica enquanto o moço contava tudo que eu nunca quis saber sobre o uso da fritadeira e o reaproveitamento de óleo. Tudo que eu conseguia pensar era em dar o fora dali e enfiar a cara em uma bandeja de batatas fritas sequinhas, crocantes e salgadinhas. Mas eu tinha que ser forte, afinal ao meu lado dois brutamontes conversavam:

- Ow, o Mascherano tá no Barcelona? *levanta peso*
- Tá sim. *empurra peso*
- Pow, o Mascherano no Barcelona, hein. *faz agachamentos*
- Faz tempo. *trabalha o bíceps*
- Só.  *Olha no espelho*

Eu tinha que ficar ali, eu poderia aprender muito mais! Infelizmente minha avaliação estava acabando e eu aproveitei pra dar o fora e sair correndo em busca de um prato de batata frita pra casa chorar um pouco me preparar pra ver BBB e retomar toda essa malhação no dia seguinte.  Afinal, eu quero voltar à minha forma de alguns anos atrás:

AlessandraAmbrosio01

Mentira, esta não sou eu. Esta é a Alessandra Ambrosio, uma modelo rica, magra, linda e com asas e eu sou uma gordinha infeliz com pés inchados. Mas deixa eu pensar que esta sou eu porque a vida não tá fácil pra ninguém.

O que importa é que essa porcaria de academia tá paga. E eu sou pão-dura pacas. Então se preparem, caros leitores: daqui pra frente ou eu acabo com a gordura ou compro uma fritadeira.

21
Jan

Fome de Viver

por Gabi

Oi, meu nome é Gabi e eu sou gorda.

Não é uma frase fácil de se dizer, tampouco de se ouvir. E eu admito, depois de muitos anos de terapia: sou gorda. E sou feliz assim. Não almejo ser magrinha, gosto de ter curvas. Gosto do meu rosto redondo, das coxas grossas. Não gosto de ter barriga, mas por sorte sempre fui uma gorda ajeitada, com cintura, peito e bunda, tudo bem definidinho. Nunca fui barriguda, sempre tive o peso distribuído em volta de tudo.

De uns tempos pra cá, percebi que estou gorda demais. O primeiro sintoma foi mesmo ver que estava aparecendo uma barriga, e isso me incomodou. Aí comecei um regimezinho, pra reduzir uns quilos. Não pra ficar magra: eu nunca, nunca vou ser magra. Nunca vou ser esbelta, silfídica. Por outro lado, eu nunca vou ser assim:

modelo

Isso aí em cima é uma modelo que desfilou na São Paulo Fashion Week, evento de moda prestigiadíssimo, quem sabe o maior do Brasil.

Essa moça está magra demais. Muito. Ela não parece saudável, elegante, esbelta como as modelos devem ser. Ela parece doente. Ela parece triste. Ela parece sofrer.

E quem levantou o coelho da magrza excessiva não fui eu, pobre publicitária gorda e potencialmente invejosa da beleza e juventude da moça. Quem falou que as meninas estão magras demais é gente ligada à moda, editores de moda e beleza. Vejam a matéria na Folha Online e o vídeo no Vírgula:

Virgula.com

Essas pessoas deveriam estar acostumadas à magreza e ao visual dessas moças. Não deveriam se chocar. Mas estão dizendo que estava demais a magreza. E se eles estão assustados, o que nós devemos pensar?

Essa moça magra, esquelética, me assustou. A imagem dessa moça, cujo nome nem sei, me perturbou sobremaneira.

Que mundo vivemos onde vendemos esse tipo de imagem? E eu, que sou uma gorda saudável, com todos os exames de saúde em dia, colesterol baixo e triglicérides sob controle, devo virar anoréxica pra almejar essa aparência.

Choquei, gente.

As Luluzinhas, moças espertas que são, estão blogando sobre o assunto.
Tem post no Trendencias e no A Letra Preta

14
Jan

La cucaracha

por Gabi

- Ai, tem OUTRA barata!!

Foi tudo que eu ouvi antes de sair correndo em busca de um homem pra resolver o problema. Atentem, era OUTRA barata, o que significa que já havia acontecido a primeira.

Tudo começou depois do almoço, enquanto fazíamos entrevista de emprego. Na nova agência, estamos em esquema de improviso: como vamos mudar em breve pra uma casa lindona e reformada, estamos numa casa pequena, onde não cabemos de maneira alguma, aguardando a reforma. Empilhados e apertados, improvisamos salas de reunião na recepção, no quintalzinho… E ea no quintal que estávamos, esperando a chuva cair e conversando com um potencial candidato.

Logo que sentamos, vi uma taturana gorducha andando no teto do gazebo. Munida de um cabo de vassoura e um pouco de coragem, peguei a bicha e joguei num cantinho, pra não correr o risco dela cair na minha cabeça. Me sentindo super corajosa e independente, começamos a entrevista.

No meio do papo, gritos: uma barata das grandes se aproximava. Eu, ainda me achando corajosíssima, peguei a vassoura e ploft! na cabeça da barata.

Aqui cabe uma observação: eu não mato nada. Não mato mosca, não mato barata… uso a vassoura pra tontear a bicha e varrê-la pra longe de mim. E foi o que fiz. Qual não foi minha surpresa quando a barata resolveu correr na minha direção? Em pânico, bati de novo. Ela correu pro lado oposto, sumiu de vista por alguns momentos e reapareceu mais adiante, no corredor. Ou ao menos achamos que era a mesma barata. Um colega vinha descendo as escadas e atendeu aos nossos gritos, esmagando a invasora.

Ao sentarmos de novo, já tranquilizadas pela rápida ação do nosso colega matador, a Bruna deu o berro que tá no começo do post. A barata tava ali do nosso lado! A que estava no corredor era OUTRA barata! E pôxa, estamos aqui falando de baratas imensas. Sem exagero, cada uma tinha pelo menos 7cm. Enormes, monstruosas, pantagruélicas. Medonhas. Fugimos dali e fomos pra uma outra sala disponível.

Em minutos, uma terceira barata apareceu e subiu pela porta de vidro. Ao fugirmos, aos berros, uma quarta surgiu. Derrotadas e apavoradas, conseguimos eventualmente acabar a entrevista.

Mas ando olhando pros lados agora, cruzo as ruas temerosa: Um exército de baratas pode tentar invadir o Paraíso.

Barata mostrada em tamanho natural

24
Oct

Duas medidas

por Gabi

Imaginem a seguinte matéria:

O ajudante de pedreiro José da Silva, de 40 anos, estuprou a menina M.S., de 13 anos. A menina, que já havia mantido relações com um namorado da escola, estava embriagada e havia tomado remédios para dormir. Eles se econtraram na casa do amigo João da Silva. O pedreiro a levou para o banheiro e a fez sexo anal com ela. A menina disse diversas vezes que não queria fazer sexo com o pedreiro, mas ele ainda assim realizou o ato.”

Alguém seria a favor do pedreiro?

Agora troquem o nome e a profissão. Não é um pedreiro, é o diretor de cinema Roman Polanski. E isso que eu descrevi de fato aconteceu em 1978, quando uma menina com 13 anos foi, com sua mãe, até a casa de Jack Nicholson, onde conheceu o diretor. A menina bebeu e tomou comprimidos de quaalude. Roman disse que iria fotografá-la e fez diversas fotos dela seminua. Depois, foram para a banheira, onde ele fez sexo anal e vaginal com ela. A menina disse “não” diversas vezes, mas não lutou fisicamente.

Roman Polanski foi acusado de estupro, julgado e condenado nos Estados Unidos. Nos últimos 30 anos, Roman viveu na Europa, sem poder pisar em território americano. Recentemente, foi preso na Suíça, por conta da acusação. Eu espero que ele seja extratidado e punido pelo seu crime.

Não, não faz sentido mandar um homem de 76 anos para a prisão por 20 anos por conta de um crime que aconteceu 30 anos atrás. Mas ele tem que ser preso e cumprir pena, ainda que mais curta e atenuada. Ele tem que pagar pelo que fez. Um homem de 43 anos não pode, sob circunstância alguma, fazer sexo com uma menina de 13 anos. Ele sabia que ela tinha 13 anos; ela disse que não queria fazer sexo com ele; ele a pressionou para que isso ocorresse. Ele a estuprou.

Pra mim, é muito claro o erro de Polanski. Mas pessoas que leio e admiro, como a jornalista Barbara Gancia, ou mesmo uma blogueira feminista como a Lola defendem o diretor em seus artigos. Isto me assusta. Porque eu realmente acho que a justiça deve ser cega. Não importa se é um pedreiro, um diretor de cinema, um médico. Porque se a gente começa a dar dois pesos e duas medidas, daqui a pouco permitiremos qualquer cois aos talentosos: “Ah, ele tortura animais, mas é um músico incrível” ou “Veja bem, ele espancou o vizinho que ouvia música alta, mas ele é um médico competente!” podem virar frases corriqueiras? Então porque cargas d’água alguém acha que um diretor de cinema pode fazer sexo com uma menina de 13 anos e tudo bem?

Menos, minha gente, menos.

25
Aug

A mamãe Gansa mordedora de bundas, a vaca nelore e Julia, Sabrina & Bianca

por Gabi

Há muitos, mas muitos anos atrás, eu estava no Colegial. Aliás, faz tanto tempo, que o colegial se chamava colegial. Agora chama-se Ensino Médio. E eu odeio esse nome; parece que a gente vai aprender mais ou menos, sabem?

Mas divago. Fato é que eu estava no colegial, tinha uns 16 anos e uma amiguinha chamada Heloísa. A Helô era boazinha, gorduchinha e de olhos azuis. Morava perto da escola e a família dela tinha uma fazenda. Eu, bicho do mato que sou, quase morri de alegria quando fui convidada pela Helô pra ir pra fazenda com ela. Mamãe liberou e lá fomos nós, num carro enorme. Os pais dela, eu e ela, rumo à Fazenda.

Primeiro detalhe importante: a fazenda ficava bem longe, perto de Fernandópolis, quase no Mato Grosso do Sul, horas de viagem pela Washington Luiz afora. E a família dela adorava música sertaneja. Então eu passei cerca de 7 horas num carro enorme com um sistema de som igualmente enorme, ouvindo Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó e outros bichos.

Já meio traumatizada, chegamos ao local, uma imensa fazenda, tipo aquelas de novela de época, com direito à casa-grande e senzala. Lindas varandas, portas grandes de madeira maciça, pé direito alto e tudo mais. Nos instalamos em um dos quartos e descobri que a Helô era leitora voraz de romances estilo Sabrina, Julia e Bianca. Sabem o que é? É, mais coisa de velha, eu sei.

Lá pelo segundo dia, decidimos descer até o laguinho pra ver os patinhos, olha que meiguinho. Ali na beirada, jogamos pãozinho pros patinhos e peixinhos, comemos frutinhas e vimos filhotinhos de gansinhos. Aí a Helô berrou:
- CORRE!!!

Eu levantei meio confusa e não notei a tempo que um ganso assassino se aproximava de mim. Aparentemente, era uma gansa que achou que eu ia fazer mal à seus filhotes. O que eu não sabia era que ganso tinha dente. E que eles corriam tão velozmente. Muito menos que eles conseguiriam morder uma bunda vestida numa bermuda jeans. Pois isso tudo é verdade.

ganso-bundaImagem ilustrativa da situação

A mamãe gansa mordeu minha bunda e foi embora cuidar da cria. Eu me vi na beira de um laguinho, com meio pãozinho na mão, com a bunda dolorida. A Helô ria a não mais poder. Sério, ela sentou-se no chão pra rir. Ela chorou de rir. Eu não vi graça. Minha bunda doía e eu sabia que ia ficar roxo. Mas fazer o quê? Eu estava a quilômetros de qualquer lugar familiar.

No dia seguinte, já superado o trauma da mamão gansa e imbuídas de espírito aventureiro, fomos caminhar. Saímos pela fazenda, e a Helô me mostrou o pomar, a horta, a plantação de laranjas, os pastos… ah, os pastos! Enorme e quase totalmente plana, a fazenda era o local perfeito pra criação de gado. O tipo de gado escolhido era o Nelore, de carne tenra. Enquanto ela apontava as cabeças de gado, eu resolvi olhar pro outro lado.

Foi minha sorte.

Vinda não se sabe de onde, uma vaca assassina corria em nossa direção. Dessa vez fui eu que gritei “CORRE!!!” e saí correndo em direção à cerca de arame farpado. Apavorada, eu sentia aquele animal maléfico correndo atrás de mim e desejando me punir por todos os bifes de contra-filé que eu havia comido, por todos os churrascos que eu já ingerira!

vacamalvadaA vaca que me perseguiu, certeza.

Num movimento ninja que eu jamais seria capaz de reproduzir novamente, saltei agilmente sobre a cerca e fui parar do outro lado, onde apontei pra vaca e ri, espécie superior que eu era.

Notei um ar trocista na vaca e ao olhar pra baixo percebi que minha camiseta estava rasgada em diversos locais, que meu braço sangrava e que havia perdido um pé de tênis. A vaca, por sua vez, estava placidamente pastando bem ao lado do meu tênis perdido.

Novamente, minha amiga riu de mim. Mas eu aguentei, firme e forte!

No entanto, no terceiro dia, quando acordei e dei de cara com uma cobra na sala, virei as costas, me tranquei no quarto e li todas as edições de Julia, Sabrina & Bianca que encontrei.

Ao som de sertanejo, por óbvio.

03
Aug

O Melon Cat ataca novamente

por Gabi

Meu dia não estava tão bom. A correria do trabalho – expliquem por que cargas d’água as coisas têm que acontecer a partir das 17hs? – e preocupações em geral me deixavam ensandecida desde logo cedo, mas eu tinha um objetivo em mente que ia melhorar minha vida: era sexta feira e eu ia sair do trabalho, resolver minha franja, jantar no Outback e ir ao cinema. Muitíssimo simples.

Saí do trabalho no horário (Mas acabei tudo que precisava. Oi, chefe! o/) e corri pro salão de cabelereiros. Elizete, minha nova cabelereira evangélica, me aguardava. Um aparte: as duas melhores coisas que me aconteceram na Berrini foram a Elizete e a Dra Janaína, dentista que usa uma touca de florzinhas. Voltando: Elizete já estava a postos, pronta pra chapar minha franja.

Há uns 20 dias, surtei e resolvi cortar uma franja. Franjão mesmo, estilo indigena. Cortei e adorei. A franja cobre as rugas da testa me deixa com ar jovial e leve, não fico mais bochechuda que o normal, então tá tudo bem. O problema básico é que meu cabelo é RBD rebelde e a franja tava com umas pontas estranhas, uma coia meio Princesa Cogumelo. Tava assim, ó:

eucorte1
Não tava ruim, mas eu não gostava das tais pontinhas pra fora. Então, resolvi ceder: ia fazer uma escova progressiva na franja pra domar a danada. Só na franja: eu gosto das minha ondas e cachos no resto do cabelo. Munida de coragem e de uma revista de fofocas, aguardei os produtos mágicos fazerem efeito. Depois de uma hora eu estava assim, ó:

meloncat

Sim, igual ao melon cat. Não, eu não vou tirar uma foto e postar aqui. Enfim, segundo Elizete isso vai melhorar. É só no dia que faz que fica assim – e não pode prender, nem lavar. Mas é o preço que se paga por uma franja linda, né? Decidi que meu dia só podia melhorar, e fui ao encontro de meu amado para irmos comer e ver um filminho bacana.

Ao chegar no Villa Lobos, descubro que não tem Outback lá. Frustradíssima, comi qualquer coisa. Aí fomos ao cinema. Na fila, uma zona: filas tortas e confusas, atendendes mais ainda. Depois de vários minutos, começaram os alarmes falsos: a gente achava que um caixa estava aberto – afinal o caixa estava vendendo entradas, coisa costuma acontecer quando um caixa está aberto, exceto por este, que estava fechado. Aliás, fenômeno: nunca vi um caixa fechado vender entradas exceto no Cinemark. Acabamos conseguindo comprar nossos ingressos pra ver Inimigos Públicos num dos caixas fechados abertos (ou não) e fomos pra sala. Lugares F 13 e 14, ótimos lugares numa sala já cheia.

Fomos pros nossos assentos. A letra da fileira é fácil de ver: está iluminada no chão. Já o número é impossível, uma vez que fica na propria cadeira, escondido. Chamamos a lanterninha: descobrimos que nossos lugares estavam ocupados. O casal que ocupava nossos lugares mostrou o seu bilhete: F 15 e F16, que ficam ao lado. Estes também estavam ocupados, desta vez por uma moça, que mostrou o bilhete: F15. Sim, o sistema vendeu duas entradas iguais pro mesmo filme e sessão.

À beira de um ataque de nervos, com o filme já começado, fomos pedir entradas pra outro filme. Não havia nada decente começando, por óbvio. Quase chorando de cansaço, convencemos o gerente a nos trazer dois vale-ingressos (que ele deve ter esculpido em mármore usando uma faca de manteiga, pelo tempo que levou), que usaremos em qualquer Cinemark que não seja o do Villa Lobos.

Infelizes, sem cinema e sem Outback, já nos resignávamos a ir pra casa tristonhos, quando nos lembramos da Cremeria Nestlè. Chegamos lá e fomos atendidos rapidamente, por uma mocinha muito simpática, que montou dois sovetes enormes pra gente.

brownie_supreme

Cheios de calda e repletos de chocolate, os sorvetes estavam perfeitos. Enquanto comíamos nossas delícias, refleti que a Cremeria Nestlè é um pedaço do céu na terra, que a mocinha atendente merecia uma gorjeta polpuda e que o mundo, afinal, não é um lugar tão ruim.O açúcar, como já contei aqui, faz milagres pela nossa vida.

No entanto, meu cabelo ainda se parece com o do Melon Cat. :(