Quero ser chata
Como nerd que sou, participo de algumas listas de discussão. Pra quem não sabe, funciona assim: manda-se um email pra um endereço e esse email vai para todos que se cadastraram nessa lista. Geralmente, agrupam-se em torno de um tema que interesse a todos. Uma das mais legais é a das Luluzinhas, onde a mulherada fala de tudo e mais um pouco. Participo também de algumas outras, e numa dessas começaram a surgir discussões que me chocaram um pouco.
Semana passada, entrou em pauta um jogo cujo objetivo é estuprar uma mulher e suas duas filhas menores de idade, uma com cerca de dez anos. Não, você não leu errado. O objetivo do jogo é estupro e pedofilia. O tal jogo, criado no Japão, chegou ao Brasil através de downloads ilegais e é vendido também de forma ilegal, por camelôs. Me indignei ao saber disso tudo, claro. Na minha opinião, quem faz um jogo desse tipo merece ser sodomizado por elefantes selvagens. E quem o joga, além de cometer crime, está em busca de um estímulo sexual doentio, envolvendo violência contra mulheres e crianças. Pra mim, não é só um jogo. Ao verbalizar isso, fui quase apedrejada, chamada de louca, de preconceituosa. Fui acusada de não entender o ponto de vista dos outros e de ser basicamente uma pessoa recalcada e sem fantasias sexuais.
Hoje surgiu ouitra discussão: O Cris Dias fez um texto muito bom falando sobre a relação seguidos/seguidores no Twitter. O texto é ótimo, mas a escolha da foto que o ilustra foi infeliz: a foto mostra um rapaz com sindrome de down mostrando uma plaquinha com um alto numero de followers. Achei de mau gosto: comparar uma criança que tem uma deficiencia mental com um imbecil que acha que o importante no twitter é ter numeros enormes é injusto com a criança. Ele não sabe o que faz, o imbecil tem discernimento pra saber o que faz. E ao falar isso, fui novamente acusada de ser “politicamente correta” e de não ter humor.
É preciso mesmo humilhar o outro pra fazer humor? É preciso desrespeitar a outra pessoa pra ser engraçado? Não dá pra fazer piada sem ser escroto? Peço um minuto de atenção pra ver este vídeo do George Carlin, um dos melhores comediantes de stand up da história:
Viram? Piadas engraçadas. Cheias de palavrão, pra não dizer que sou pudica. E divertidas. E sem humilhar ninguém – talvez a humanidade como um todo, mas isso vem ao encontro do que quero demonstrar.
Desde quando respeito virou palavrão? Desde quando a gente precisa achar super normal uma pessoa zoar um deficiente, ou se excitar com pedofilia? Desde quando discordar disso virou ser chato?
Pelamor, minha gente. Se o patrulhamento pra ser politicamente correto é chato pra caramba, o inverso também é verdadeiro. Me deixem não rir de retardados ou de estupros, por favor. Me deixem ser chata.





