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24
Nov

Quer doar? Avise.

por Gabi

Alguns assuntos são tão importantes que a gente não pode deixar de falar, mesmo que repetindo o tema. E tenho que falar no meu blog, na mesa do bar, no trabalho, com os colegas, com a família. Principalmente quando o assunto envolve salvar a vida de alguém.

Novembro é o mês escolhido pra falar desse assunto, mas a gente tem que repeti-lo o ano todo. Tem que falar até cansar, pra ficar claro pra todo mundo o que a gente quer. Eu disse ano passado e repito: Meu coração é seu. Meu fígado, pâncreas, córneas, pulmões e todos os órgãos que possam ser utilizados em transplantes. Quando eu morrer, tirem tudo, tudo, e doem pra alguém. Milhares de pessoas esperam a doação de um órgão para que possam viver muitos anos mais, como o querido Ale Rocha.

Uma informação super importante: para doar seus órgãos, basta avisar que deseja fazer isso. Avise sua familia, o marido, os amigos, todo mundo. Porque aí, quando você morrer (e você vai morrer, meu amigo, assim como eu e todo mundo), o seu responsável poderá doar os órgãos. Não precisa carteirinha, registro, nada. Basta que sua família autorize a doação.

Olha só o videozinho com uma moça que fez transplante de verdade – e tá lá, lindona e viva porque alguém abriu mão de um órgão que não ia mais ter uso – porque deixar pra terra comer é bobagem, amigos! A gente doa roupa, brinquedo, sapato que não usa mais ou saiu de moda. Vamos doar uma coisa realmente importante?

15
Nov

Diga algo gentil

por Gabi

Eu adoro os vídeos do Improv Everywhere: Eles são um grupo de pessoas que se dedica a fazer intervenções urbanas, causando uma “bagunça do bem” em locais públicos.

Por exemplo, eles já criaram musicais numa praça de alimentação e em um supermercado, onde pessoas de repente começavam a cantar e dançar. Também já fizeram duas edições do Black Tie Beach, com um monte de gente curtindo a praia vestido à rigor. Já colocaram 50 ruivos dentro de um vagão de metrô.  Já atrapalharam uma loja colocando 80 pessoas vestidas como vendedores lá dentro. Ou seja, coisas que causam bagunça, mas no fundo não prejudicam ninguém.

Há uns dias, vi um vídeo novo deles que achei a coisa mais legal até agora: colocaram um megafone no meio de Nova Iorque, com uma plaquinha “Say Someting Nice”, numa tradução livre algo como “Diga algo gentil”. E as pessoas atenderam. Olha só o vídeo, sem legendas mas acho que nem precisa:

É muito fofo. As pessoas realmente aproveitaram o megafone pra declarar seu amor à cidade, uns aos outros, à sua família, ao mundo inteiro. Adorei. Quero um desses na Paulista, um na Praça da Sé, um no Largo da Batata… Queria muito viver num mundo onde a gente aproveitasse megafones pra dizer coisas gentis. Todos os dias, de manhã, indo trabalhar, a gente ouviria coisas agradáveis, pessoas dizendo o quanto gostam umas das outras.

Aí sim. :)

28
Oct

Outubro Rosa – Cicatrizes

por Gabi

Já falei bastante aqui no blog sobre a campanha Outubro Rosa, que serve pra despertar na gente a necessidade da prevenção do câncer de mama. A gente sabe que tem que fazer o auto exame, que tem que fazer mamografia, que o câncer quando detectado nos estágios iniciais tem chance de cura bem maior, e por isso a gente tem que ficar bem atenta à qualquer alteração nos seios ou na axila. Tudo isso é nossa obrigação saber.

Hoje a Ana me indicou um site ao mesmo tempo lindo, emocionante, tocante e perturbador. É o The Scar Project, trabalho do fotógrafo David Jay, que mostra mulheres com menos de 40 anos que foram diagnosticadas com câncer de mama e fizeram cirurgias que retiraram o todo ou parte da mama.

O objetivo do trabalho é não só despertar a consciência sobre a necessidade de prevenção, mas também ajudar a resgatar a auto estima de mulheres que perderam uma parte tão importante da sua feminilidade física: o seio. As imagens me fizeram chorar, pela beleza das fotos, pela força que transparece no olhar dessas mulheres, pela coragem delas em posar de peito aberto para fazer com que a gente abra os olhos em relação a uma doença tão séria.

Coloquei algumas fotos aqui. Quem quiser ver mais imagens e conhecer mais sobre o projeto, pode clicar nas imagens ou aqui: The Scar Project. (em inglês)

O câncer de mama é uma doença muito séria, que atinge mulheres de todas as idades. Mesmo se você é jovem, faça o auto exame e converse com seu médico sobre outras formas de prevenção, principalmente se você tiver algum histórico familiar.

O diagnostico precoce do câncer é nossa melhor chance de vencê-lo.

 

24
Oct

Coçando e rodando

por Gabi

Essa noite/madrugada tive a pior reação alérgica da minha vida: não sei ainda o motivo mas basicamente meu corpo inteiro se encheu de bolinhas e vermelhidão e coceiras. Cata meu braço:

coça coça coça coça

Agora imagina que tava meu CORPO TODO desse jeito. Tudo coçava. Aí corri no hospital, tomei umas injeções muito loucas, me enchi de sono e agora tô aqui, linda, sem coceira e meio dormindo em pé. Os próximos passos são ir ao alergista descobrir a causa dessa porqueira e evitar pra sempre o que quer que tenha causado. Porque olha, coçar o corpo todo e depois tomar uma injeção que deixa sua bunda doendo por 3 dias não é fácil pra ninguem.

Entretanto, não sou mulher de me intimidar. Então, depois de dormir por quase 20 horas entre ontem e hoje, me sinto bem melhor – e hoje vou extravasar toda a minha melhoria em forma de canto. Isso mesmo, superando a doença e a coceira, irei mostrar meus inexistentes dotes vocais sob as luzes da ribalta. Meu repertório favorito consiste em alternar músicas bregas e músicas gays, misturadas a músicas gay&bregas ao mesmo tempo. Compartilho:

Amo essas músicas de 60 e poucos, acho chique e gostoso de ouvir e cantar. Fever é uma delícia, sexy, contida, e Peggy Lee é linda e elegante. Precisa mais?

Na mesma pegada, These Boots Are made for Walking é um primor na voz de Nancy Sinatra e eu faço questão de estragar sempre, porque obviamente não tenho o charme e a graciosidade dessa moçoila.

Iniciando a breguice, ROXETTE. A dupla finlandesa perpetrou diversos sucessos ao longo dos anos 90, sendo meu favorito Listen to Your Heart. Seguido de perto por It Must Have Been Love, mas LTYH é tipo um hino incrível dos meus bailinhos de adolescência.

Mais uma de amor: Bryan Adams é tão brega que é quase o Michael Bolton. Mas fazer o que? eu ouço e quero levantar os bracinhos e chacoalhar de um lado a outro com os olhinhos fechados.

E por fim, um travestismo que eu amo: Bad Romance é a música que merece a maior performance. Geralmente canto aos berros, danço e rebolo até o chão com a Milena e termino suada, cansada e feliz, porque karaoke é pra isso: se divertir, sem compromisso, sem cantar bem, sem achar que é a nova Elis Regina. Karaoke é pra rir, suar, cantar e espantar todos os males.

Essas são as minhas favoritas pra passar vergonha. Quem quiser, me conte aí nos comentários qual a sua favorita. E quem quiser vir ao karaoke hoje, está automaticamente convidado.

27
Sep

#TieteVivo – Eu quero!

por Gabi

O Rio Tietê é um rio quase morto. Sujo, fedido, poluído, atravessa a capital paulistana como uma lembrança da falta de cuidado que temos com a natureza. Enquanto o Sena e o Tâmisa servem como símbolo de Paris e Londres, e são usados para navegação e transporte, o Tietê está ali, enfeiando a cidade.  Mas nosso rio já foi assim:

E o programa #TieteVivo quer que ele volte a ser assim.  No sábado, fui ao Parque Ecológico do Tietê pra acompanhar o lançamento. O parque é super bonito, com atividades pra crianças e adultos, banheiros limpos, comidinha boa em barraquinhas e no restaurante, um lago lindo com pedalinhos, quatis andando por ali... Não conhecia e adorei.

Além de conhecer o parque, acompanhamos um jogo de futebol de masters estrelando nada mais nada menos que ELE, o mito Biro-Biro! (que foi uma simpatia, aliás)

Foi uma manhã super gostosa, com pessoas queridas, onde pude participar do lançamento dessa campanha super importante.

Em 1992 começou o movimento pela despoluição do rio: mais de um milhão de pessoas participaram de um abaixo-assinado para exigir providências do governo estadual. Depois de 19 anos, há finalmente a possibilidade de que até o final dessa década a vida aquática retorne ao Tietê em seu trecho urbano. Imagina que máximo poder pescar no Tietê, passear na margem do rio tranquilamente, não precisar conviver com o cheiro horrível que o rio solta hoje em dia.

Pra assegurar que essa ação continue, precisamos nos mobilizar de novo. Aqui tem a petição online pra gente poder assinar e mostrar que todos queremos que o Tietê fique vivo novamente.

Entre no Facebook, preencha os seus dados e mostre que você também quer salvar nosso rio. A cidade agradece.

 

19
Aug

Doe sangue e salve uma vida

por Gabi

Há uma semana, mais ou menos, a Carol foi atropelada por um ônibus. Assim mesmo, um instante de distração e a menina de um metro-e-meio de altura foi parar debaixo de um busão.

Ela já está bem – oba! – mas passou por 2 cirurgias, sendo que a primeira, de emergência, consumiu várias bolsas de sangue no Hospital do Servidor, aqui em São Paulo.

Já melhor, Tchulim resolveu abraçar a campanha de Doação de Sangue, pra que todo mundo que precise de sangue possa ser atendido. Olha o vídeo dela pedindo ajuda, que fofo:

Vale doar em São Paulo, no Rio, no Amazonas, na Paraíba… qualquer lugar onde você more. O objetivo não é ajudar a Carol – ela já consumiu o sangue e não precisa mais – mas qualquer pessoa que seja atropelada por um ônibus, sofra um acidente de carro, uma hemorragia inesperada 0u qualquer outro problema que precise de transfusão de sangue.

Doar sangue é super simples: é só ir até um hemocentro na sua cidade, preencher um cadastro e fazer sua doação. Qualquer um entre 18 e 67 anos pode doar, com alguns impedimentos (como gripe, gravidez, pesar menos de 50 quilos e outros) que você pode consultar aqui.

É importante DEMAIS a gente doar sangue. No começo do ano, eu tive um problema de saúde e perdi sangue pacas. Não cheguei a precisar de transfusão, mas foi quase. E se tivesse precisado, um doador anônimo teria salvado minha vida. Cada doação ajuda demais, salva vidas e não te prejudica em absolutamente nada.

E você ainda pode ser um fofo e mandar sua foto pro tumblr do #vaidoa, o movimento que a Carol está encabeçando mas que vai ajudar todo mundo!

E aí, #vaidoa? :)

 

16
Aug

Eu sou o trânsito

por Gabi

Estou eu no meio de mais um congestionamento da cidade, agoniada, fuçando no Twitter – sim, o trânsito de SP pára a ponto de dar tempo de entrar no Twitter, e se bobear até daria de escrever este post – e dou de cara com esse tweet do Ariel:

Isso fez um barulho danado dentro da minha cabeça. Eu não estou presa no trânsito, EU SOU o trânsito. Estou no carro, na hora do rush. Sou eu que causo o trânsito. Não tive resposta pra dar pra ele: ele estava certo.

Larguei o celular, coloquei uma música pra relaxar e fiquei pensando no que eu podia fazer pra deixar de ser o trânsito. Moro na Lapa, trabalho no Paraíso e o marido trabalha no Itaim Bibi. De carro, levamos cerca de 50 min no percurso entre nossa casa, o trabalho dele e o meu trabalho.

De ônibus, ele demora uma hora e meia. Eu, de ônibus e metrô, mais ou menos a mesma coisa. São 80 minutos a mais por dia, pelo menos – 40 de manhã e mais 40 à noite. Isso porque não entramos cedo no trabalho nem saímos as 18hs, por isso acabamos fugindo um pouco do horário de pico.

O ônibus em SP custa inacreditáveis R$3,00. A integração ônibus + metrô sai por R$4. Então entre eu e marido, gastaríamos R$14,00 por dia, 70 por semana, 280 pilas por mês. Hoje, de carro, eu não gasto isso de gasolina – e não pago estacionamento, pois tenho vaga de garagem na empresa.

Então, pra mim ainda vale a pena ir de carro trabalhar. Minhas circunstâncias são específicas: um carro econômico, trajetos curtos e garagem. Isso faz com que o ônibus seja pior pra mim, agora. Talvez se houvesse um ônibus direto, ou se eu fosse apenas de metrô eu mudasse de idéia, mas são 2 conduções cada um de manhã e mais 2 à tarde. É o trânsito somado à espera no ponto e ao metrô lotado. É ruim demais.

Não sei nem porque estou escrevendo isso – no fim das contas, vão vir haters me xingar e dizer que eu devia ir de ônibus mesmo, parar de ser fresca e blablabla. Mas não consigo. Trabalho muitas horas por dia, perder mais uma hora e tanto por dia no trânsito – além do que já fico – é inaceitável. Tenho plena consciência de que estou sendo egoísta, mas nesse momento não está dando pra ser altruísta e pensar no bem comum. Sou mais um membro da classe média reclamando de barriga cheia.

Mas ao ler o tweet do Ariel fiquei incomodada pra caramba e talvez esse seja o primeiro passo: me incomodar comigo mesma. Acho que é assim que começa a mudança, com o incômodo.

 

28
Jun

Engenheiros aposentados e suas lições

por Gabi

Semana passada o Mario resgatou uma notícia que eu havia lido há algum tempo, achado interessante mas não havia parado pra pensar.

Em poucas linhas: o tsunami no Japão, em Março, danificou a usina atômica de Fukushima. É necessário que especialistas entrem na usina e tentem conter qualquer vazamento nuclear que possa vir a ocorrer. Já há centenas de pessoas trabalhando lá.

Um grupo de engenheiros aposentados, todos com mais de 60 anos, se ofereceu como voluntário para entrar na usina e fazer o trabalho mais perigoso, aquele que envolve chegar mais perto do reator, se expondo bastante ao risco de contaminação, para conter o vazamento de forma efetiva.

Não que estes homens estejam caminhando para a morte certa: eles usarão roupas de proteção, e trabalharão em ambientes monitorados e controlados, evitando ao máximo a exposição nuclear. Mas o risco está ali, o tempo todo.

Foto: Héctor de Pereda

Na semana passada, ao ler novamente a notícia, me atentei à beleza da atitude desses homens. Eles se ofereceram voluntariamente, porque entendem que já viveram muitos anos. E que se houver contaminação nuclear, suas vidas longas já foram proveitosas. Muitos devem ter tido filhos, outros não. Uns podem ter sido professores e ensinado alguma coisa a alguém. Alguns podem ter descoberto avanços em seus campos de atuação. Talvez tenham visitado o Jardim Imperial em Tóquio e visto as cerejeiras em flor, talvez tenham feito piquenique à sombra do Monte Fuji, talvez jamais tenham ido além da sua cidade. Estes homens viveram: nasceram, estudaram, trabalharam, casaram, tiveram cachorros, gatos e amigos, se separaram, beberam demais em festas, experimentaram comidas novas, viajaram, dançaram, foram felizes, foram tristes, erraram em algumas escolhas e acertaram em outras, choraram de tristeza e de alegria, exatamente como eu e você.

E é muito especial, bonito, honrado e humano o que eles oferecem agora: Seus anos de experiência, suas vidas cheias de histórias, para que engenheiros jovens não precisem se expor tanto a um perigo, e possam ter também suas vidas cheias de histórias, num futuro que para muitos está apenas começando. Talvez esses senhores nada tenham feito de especial em todos esses anos e tenham tido uma vida absolutamente mundana e normal – mas agora, aposentados, velhinhos, estão nos dando uma enorme lição de amor ao próximo.

Histórias como essas renovam minha fé na humanidade. É assim que vamos perseverar: com honra e beleza, com alma, consciência e coragem. E um sorriso entre as flores.

Foto: Enggul

 

17
Jun

Tem visita em SP

por Gabi
Essa semana estou na correria louca e urbana da SPFW, presa dentro da Bienal, subindo e descendo rampa. No meio da pressa toda, na hora que bate o cansaço, fico olhando pelas janelas pra ter um pouquinho de alento no verde das árvores do Ibirapuera. Ontem dei uma fugidinha da sala e fui andar uns minutos na grama. Porque eu preciso estar no mato, de vez em quando.
Sempre que vou viajar, procuro um lugar tranquilo, afastado, menos urbano. Um dos meus lugares favoritos no mundo é o Parque Nacional do Itatiaia, pra onde fui algumas vezes. No meio da Serra da Mantiqueira, é no Itatiaia que fica o Pico das Agulhas Negras, um dos mais altos do Brasil.

 

O Parque tem dois lados, a parte “baixa” e a parte alta. Na parte baixa, trilhas na mata, cachoeiras, muita vegetação nativa, borboletas, pássaros, sapinhos…
Mas eu amo mesmo a parte alta. Para visitar, há uma estrada de terra que leva até a entrada do Parque. Ali, você se registra, estaciona o carro e começa a caminhada a pé. Uma estrada leva ao Abrigo Rebouças, a 2500 metros de altitude. Ali há banheiros, uma torneira com água limpa e gelada da montanha, e dali sai a trilha que leva às Prateleiras e ao Agulhas Negras propriamente dito.
Nunca subi o Agulhas; não tenho preparo físico pra tanto. Mas a parte que meu sedentarismo me permitiu conhecer é lindíssima. O silêncio das alturas, onde há poucos pássaros. O barulho que se houve é zumbido de insetos, o coaxar das pererecas que são o símbolo do parque, água correndo em algum lugar e o vento, sempre frio, forte, delicioso.

O Itatiaia é um dos Parques Nacionais do Brasil; como ele, há outros, uns de mata, outros de cerrado, outros de montanhas ou de mar. Eles são parte da riqueza do Brasil e no dia 14 de junho é comemorado o Dia dos Parques Nacionais.

Pra celebrar a data, um pedacinho desses parques visitou a cidade essa semana:
Essa visita de árvore e a projeção de fotos no nosso cinza de São Paulo são Cortesia da Fundação Grupo Boticário e um convite: quando você vai retribuir a visita e conhecer um dos Parques Nacionais?
04
Jun

Eu sou uma vadia. E você?

por Gabi

Hoje acontece em São Paulo uma manifestação meio diferente. O nome é estranho: Marcha das Vadias. É uma tradução de #slutwalk e vou roubar as palavras da Bia pra explicar o que é:

Tudo começou em Toronto, Canadá. Um policial dava uma palestra sobre segurança no campus de uma universidade, em determinado momento afirmou que as estudantes devem evitar se vestir como vagabundas para não serem vítimas de assédio sexual ou estupro. A partir daí mulheres em Toronto, e em vários outros países, começaram a marchar pelo direito de serem donas de seus próprios corpos em eventos que receberam o nome de Slutwalk.

Ou seja, é uma marcha pelo direito das mulheres de se vestirem como quiserem sem serem estupradas. Mas nem toda mulher que usa um decote ou uma saia curta é estuprada, certo? O problema é que todas, eu disse todas as mulheres que usam roupas curtas/justas/decotadas são chamadas de vadias. Ouvem assovios na rua. Cantadas grosseiras, ou mesmo educadas. Como se a moça que anda de short num dia de calor o fizesse para ser objeto de desejo alheio. E como se mesmo que a moça queira ser objeto de desejo alheio, ela deva ouvir esse desejo explicitamente. Ou ser chamada de vadia.

A Elisa fez um post incrível sobre isso, sobre ser vítima de olhares, palavras e insultos. Sobre ter que se cobrir para ser respeitada. Como se dar-se ao respeito fosse andar com roupas fechadas e discretas.

Pois bem: eu uso decote. E tenho peito grande. E quando eu boto meu peito grande na rua com um decote, é porque eu acho bonito. Não uso roupa curta nem justa demais porque não acho bonito. E uso decote porque acho bonito. É simples assim. Eu gosto de me olhar no espelho e me sentir bonita, e acho que toda mulher deve ter o direito de se vestir como quiser. E todo homem, claro.

Então hoje vamos nos apoderar dessa palavra e gritar em alto e bom som: SOMOS TODAS VADIAS. E ninguém vai tirar nosso direito inalienável de sermos vadias e mostrarmos nossas pernas, barrigas e peitos. Nem seu namorado, nem seu pai, nem sua mãe, nem um cara na rua, nem a polícia. Vadias.

Eu e meus peitos vamos pra marcha. E você?

Aproveitando, o Sedentário traduziu um cartaz incrível que eu havia visto na Lola. Aprendam: dicas de como prevenir estupros.

“O problema é que para lidar com o estupro costumamos ensinar as mulheres a não serem estupradas. O que precisa ser feito é ensinar aos homens que não estuprem”.

Marcha das Vadias

Hoje, 04/06, em São Paulo
Concentração na Pça do Ciclista, na Paulista quase Consolação
Página do Facebook: Marcha das Vadias