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28
Mar

Meu vício mais antigo (Parte 1)

por Gabi

Uma coisa que nem todos sabem sobre mim é que sou filha única. O fato de viver numa casa onde não havia outras crianças causou basicamente duas coisas: minha imediata culpabilidade por qualquer objeto quebrado (não obstante minhas tentativas de apontar o cachorro como verdadeiro culpado) e o desenvolvimento da minha imaginação, criando histórias para brincar sozinha. Meus pais não apoiavam o uso de videogame – na minha época, caros e raros no Brasil – e preferiam fazer com que eu brincasse. E sozinha mesmo eu criava as histórias das minhas bonecas, que iam de festas chiques a perigosas travessias entre vasos do jardim, realizadas através de cordas secretamente roubadas de varais incautos.

Eu tinha um balanço que hora era carruagem, hora cavalo, hora carro de fórmula 1, por vezes nave espacial. E desde pequenina meus pais me enfiavam livros nas mãos, livros sobre aventuras e histórias. Piratas, Cavaleiros, Reis e Rainhas, Mosqueteiros, soldados corajosos, fadas ciumentas, cientistas inteligentes, dragões rancorosos e heroínas espertas conviviam nos meus livros.

Digam oi pra minha amiga. Ela morava numa árvore no meu jardim, eu juro.

Eu era uma menina atípica, cujas Barbies costumavam ser mais vezes tripulação pirata do que mocinhas casadoiras. E graças aos céus, tive pais que permitiam que assim fosse – e mais que isso, aos poucos iam enfiando na minha cabecinha mais curiosidade. Por conta disso, estudava a enciclopédia para descobrir que Maracaibo era a Capital Pirata, que o Rei Arthur vivia na Inglaterra, que por sua vez ficava numa ilha pertinho da França, que era onde os 3 Mosqueteiros defendiam a Rainha, bem próximo da Itália que fez parte da Volta ao Mundo em 80 Dias, que me levou à Africa selvagem e depois fez com que me afundasse a bordo do Nautillus - e claro que me identifiquei com Bastian Baltasar Bux e sua leitura maluca de uma história sem fim.

Minha idéia de uma tarde agradável: conversar com um dragão

No fim da infância, meu pai me apresentou às aventuras de Bilbo Bolseiro, e li pela primeira vez O Hobbit, o que obviamente me levou ao Senhor dos Anéis. Li os 3 volumes com pressa, em pouco mais de 1 semana, escondida debaixo das cobertas para ninguém me ver virando as páginas no meio da noite, quando deveria estar dormindo. Acompanhei a aventura seguindo pelo mapa da Terra Média, chorei com as mortes dos personagens, me assustei com os Espectros, achei Tom Bombadil bobo e tremi diante do Balrog. Em pouco tempo estava completamente viciada em livros de fantasia. Dizem as más línguas que no fim dos anos 90 eu participava muito ativamente de certos círculos que discutiam o assunto, mas suponho ser boato. Com uns 10 anos de idade li Drácula e passei um mês dormindo de luz acesa, com medo do Conde aparecer.

E foi assim, antes dos 12 anos, que me apaixonei perdidamente por literatura fantástica. A tendência, a partir daí, era só afundar cada vez mais nesse mundo de magia, encantamento…e nerdice.

30
Jan

Pílulas

por Gabi

Esse começo de ano tá uma doideira! Passei o final de semana suando literalmente (com o calor) e figurativamente (com a cobertura da SPFW, que tá linda, aliás). Pra melhorar, Zilmara, minha faxineira, saiu de férias, se mandando pra Minas com os filhos e marido,  e minha casa tá de pernas pro ar. No fim de semana, enquanto eu trabalhava, o marido passou aspirador, arrumou casa… Modernidade é isso.

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Na minha super alegre e nada irritante decisão de emagrcer, tenho que reduzir os doces. Mas não dá pra ficar sem UM chocolate, então descobri a solução: Comer UM chocolate, mas do bom mesmo. Nada dessas barras de supermercado, cheias de açúcar. Descobri a Vila Chocolat, uma chocolateria pertinho do trabalho que faz bombons de chocolate belga, deliciosos, um pouco caros, mas simplesmente maravilhosos. Além do sabor ótimo, os bombons são lindos, decorados. Meus favoritos até agora são o de champagne e o de pistache. Além do chocolate, também tem um café delicioso, um ambiente super tranquilo e relaxante e o ar condicionado bombando, imprescindível no forno que virou São Paulo.

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Sorteei o kit de praia! Quem leva é o sortudo Daygo, que vai poder se divertir na praia com toalha, b0la e bolsona. Acho sempre divertido quando homem ganha sorteio – sempre acho que só tenho leitora mulher. Se tiver algum homem lendo, levanta a mão! =D

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E a SPFW, hein? amanhã vou dar pinta lá e fotografarei o que mais gostar. Já adianto que quero conhecer o lounge da Impala pra me jogar nos esmaltes, e que o lounge do Boticário tá lindo. De resto, conto depois.

E agora vou dormir, beijo, boa noite, fui!

12
Jan

O personal trainer, a fritadeira e a Alessandra Ambrosio

por Gabi

Aí que eu resolvi que ia fazer academia em 2011. Ano novo e o caramba, era hora de morfar, difo, de malhar. Anos de sedentarismo me engordaram e eu tô de saco cheio de não conseguir comprar roupas e de ver minha barriga cada vez que olho pra baixo.

dog

Aí hoje fui à incrivel e moderníssima academia que tem aqui no bairro, pra fazer a minha avaliação. Ao chegar fui recebida por uma brilhante recepcionista:

- Oi, eu vim fazer avaliação.
- Pra fazer academia aqui?
- Não, avaliação psicológica pra saber porque eu quero me torturar assim.
- …aaahhhhnnnn?
-  *suspiro* É pra fazer academia sim, moça.

A inteligente mocinha me encaminhou ao meu professor-avaliador, que por uma ironia do destino se chama Gabriel e é um esfuziante e animado malhador. Logo de cara me obrigou a me pesar, e foi horrível. Depois disso, achei que nada ia ser pior. Ledo engano.

Fomos pra uma salinha onde ele mediu minha altura (1,55, yey! Não encolhi desde as aulas de educação física do segundo grau!!!)  e depois começou a medir… minha porcentagem de gordura. Ele usou fita métrica e pinças que me cutucaram em busca de pontos macios,  tipo um frango no forno. Sério, achei que ia dar uns 90% mas ficou bem menor, só 70%. Mentira, deu abaixo de 30%, o que achei um milagre mesmo e aceitei com alegria no coração.

O problema foi que nessas comecei a bater um papinho com Gabriel e mencionei minha formação como cozinheira. Daí pronto: o cara entrou num monólogo sobre como ele comprou uma fritadeira e como ele fritava batatas. Ele adora batatas e come batatas sempre que pode, batatas fritas, bolo de batata, batata assada, purê de batatas. Era tipo uma versão fitness batata do Bubba (do Forrest Gump) e sua obsessão por camarão. Batata, batata, batata. E eu lá sendo cutucada, fazendo teste ergométrico e tentando não sentir fome.

fritadeiraEis o melhor eletrodoméstico desde a invenção da geladeira, segundo meu personal trainer

Foram 15 torturantes minutos numa bicicleta ergométrica enquanto o moço contava tudo que eu nunca quis saber sobre o uso da fritadeira e o reaproveitamento de óleo. Tudo que eu conseguia pensar era em dar o fora dali e enfiar a cara em uma bandeja de batatas fritas sequinhas, crocantes e salgadinhas. Mas eu tinha que ser forte, afinal ao meu lado dois brutamontes conversavam:

- Ow, o Mascherano tá no Barcelona? *levanta peso*
- Tá sim. *empurra peso*
- Pow, o Mascherano no Barcelona, hein. *faz agachamentos*
- Faz tempo. *trabalha o bíceps*
- Só.  *Olha no espelho*

Eu tinha que ficar ali, eu poderia aprender muito mais! Infelizmente minha avaliação estava acabando e eu aproveitei pra dar o fora e sair correndo em busca de um prato de batata frita pra casa chorar um pouco me preparar pra ver BBB e retomar toda essa malhação no dia seguinte.  Afinal, eu quero voltar à minha forma de alguns anos atrás:

AlessandraAmbrosio01

Mentira, esta não sou eu. Esta é a Alessandra Ambrosio, uma modelo rica, magra, linda e com asas e eu sou uma gordinha infeliz com pés inchados. Mas deixa eu pensar que esta sou eu porque a vida não tá fácil pra ninguém.

O que importa é que essa porcaria de academia tá paga. E eu sou pão-dura pacas. Então se preparem, caros leitores: daqui pra frente ou eu acabo com a gordura ou compro uma fritadeira.

07
Jan

2011 – Primeiras Impressões

por Gabi

Retomarei meu hábito de postar em pílulas – 2011 será um ano emocionante e merecerá muitos tópicos, eu sinto.

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Comecei o ano bem: logo depois da meia noite engoli um inseto OU um galhinho de árvore. Espero que tenha sido um galhinho. Se não é uma droga mesmo começar o ano comendo, sei lá, um besouro. ¬¬

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Pra compensar, ontem assisti a uma peça ótima: A Gaiola das Loucas, estrelada por Miguel Falabella e Diogo Vilella, esses lindos. Morri de rir. Já vi o filme, o adoro, mas a versão teatro-musical ficou super boa. Cenários incríveis, roupas maravilhosas e cheias de lamê. Eu tinha certeza que ia amar um musical cheio de drag queens cantantes, obviamente. Mas é muito, muito bom. Demos muita risada e vi o teatro inteiro dançandinho na hora da canção principal.

a-gaiola-das-loucas

Falabella está ótimo no papel de Georges, e Diogo Vilella é um Albin/Zazá quase tão bom quanto o do filme original – um baita elogio, considerando que o original é Michel Serrault, super ator francês ganhador de milhões de prêmios.

Agradeço muito ao Bourbon que me enviou os ingressos e à super educada e competente Laura, que nos ajudou na porta do teatro quando vimos que estávamos em fileiras separadas, trocando nossos ingressos com um sorriso no rosto. :)

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O Eric voltou a blogar! o

Acessem o lindo blog SAIAM DO MEU GRAMADO e comentem o dia a dia resmungão do meu esposo.

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Nesse fim de ano ganhei uns presentes muito bacanas e vou sortear coisas aqui. Guenta aí que no fim de semana preparo os posts.

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Por fim, estou trabalhando em Pinheiros AND começo academia semana que vem. 2011 será um ano com restaurantes novos, eu sinto.

08
Nov

Pavões, Urubus e o Comerciante

por Gabi

Aí que ao fim de um longo dia de trabalho entro num site de notícias pra ver se durante as minhas horas na labuta aconteceu algo interessante, tipo a descoberta da cura do resfriado, algum cataclisma natural ou o início de uma invasão zumbi, quando me deparo com a seguinte manchete:

Urubu invade loja de fantasias na Rua 25 de Março

Isto por si só já seria pitoresco. De onde veio esse urubu? Como assim um urubu entrou numa loja na 25 de Março, no meio dessa confusão pré-Natal que já se instaurou no centro da megalópole? Mas o que me intrigou foi o subtítulo, com o comentário do comerciante dono da loja:

Dono da loja ouviu barulho e achou que era um pavão

Isso suscita MUITAS perguntas. A primeira, obviamente, é: como confundir um urubu com um pavão? Vamos à estímulos visuais. Primeiro, o urubu, contumaz comedor de carniça, este voraz devorador de mortos. Feio, fedorento, ave de mau agouro, símbolo de morte e decomposição.

urubuEi-lo aí, nessa foto atacando um peixe morto. Podemos imaginar que horror é a visão de um urubu de perto, ainda mais dentro da sua loja de fantasias, local de alegria e descontração.

Sigamos: por outro lado, contemplemos o pavão:

pavaoPropositalmente, peguei uma imagem onde sua gloriosa cauda se encontra fechada e não aberta em todo o seu esplendor. O pavão, este belíssimo exemplar da fauna silvestre, ergue-se, cerúleo, sobre as outras aves. Dotado de um longo e macio pescoço, de penas esverdeadas na traseira e de quebra, um simpático penacho na cabeça, o pavão é sem dúvida ave de incomparável beleza.

E fica na minha mente esta dúvida. Como confundir os dois? Ora, dirão vocês, ele apenas ouviu o som dentro de sua loja e não conseguia ver a cor ou a cauda da ave que ali estava, talvez nem mesmo tenha podido ver que era uma ave e não um animal de outra espécie. Compreendo a dúvida e simpatizo com o comerciante nesse aspecto. Entretanto, isso me leva a outra inquietante indagação:

POR QUE CARGAS D’ÁGUA O CARA ACHOU QUE TINHA UM PAVÃO DENTRO DA LOJA??

Ele costuma ter sua loja invadida por pavões? Achou que as penas das fantasias ali vendidas estavam ressucitando em forma de ave voadora? Há uma criação de pavões na 25 de Março que desconhecemos? O barulho que o urubu fazia ao vagar por ali se assemelhava em tudo ao barulho que pavões fazem e o comerciante cresceu numa fazenda de criação pavonesca e ao ouvir o som teve sua memória auditiva despertada e pensou “A-há! Ouço o som de um pavão!”?

São demais as perguntas desta vida, meus amigos.

Melhor que isso, apenas o homem que tentou assaltar um ônibus usando uma linguiça.

12
Oct

Life to The Pixies

por Gabi

Ver o Pixies ao vivo é tipo assistir ao sol nascer pela primeira vez. É um negócio muito bonito, muito legal, muito grandioso, mas sem alarde. Assim como o Sol não manda um memorando pros outros corpos celestes avisando que nascerá por volta das 6 da manhã, Pixies não avisa que é uma banda foda. Eles não são tatuadaços, não gritam palavrão no microfone, não usam roupas maneiras, e ao contrário de outras bandas cujos vocalistas ficam berrando “ARE YOU READYYYYYYYY?” pra tentar levantar a platéia, o gorducho, mal vestido e esquisito Frank Black se limita a espancar a guitarra e berrar as letras ao microfone. Kim Deal, gorducha, mal vestida e fofa se limita a soltar uns “obrrigadou” e dar risadinhas espremidas entre as músicas.

pixies

E não, isso não é um problema: a banda emendou sucessos e lados B, num compasso maluco de 1234ROCK1234 sem pausa pra respirar. Não dava tempo de bater palmas no fim da música, nem de sentir frio, nem de perceber se o cara do meu lado tava me chutando ou não. Eu só pulava e cantava como louca, sorrindo sem parar, até doer as bochechas. A banda dos tiozinhos de Boston não me desapontou e tocou minhas músicas favoritas, desde a conhecidinha Wave of Mutilation até a obscura Tame, uma musica berrada a plenos pulmões por Black Francis – no comecinho do show ele ainda conseguia gritar, no bis (Where is My Mind) ele já estava sem voz e deixou a galera cantar por ele. Teve ainda Hey, Caribou, a fofa La La Love You, No13 Baby, Velouria, Here Comes Your Man… pra fechar, Kim cantou Gigantic com sua voz de menininha e eu fui subindo pra saída antes do final da música – não queria que o show acabasse, então era mais fácil fingir que eu estava indo embora apenas porque estava cansada e não porque estava de fato terminando.

pixies (1)Todo mundo mais jovem, mais magro e com cabelo

Foi um dos melhores shows que já vi – e olha que eu assisti Nirvana em 93 e Neil Young no Rock in Rio 2001. Pixies não muda, e apesar de seus integrantes estarem todos gordinhos, velhinhos e cansados, a energia maluca deles não permite que as canções envelheçam.

Pixies é uma puta banda, que nunca se entregou ao mainstream – e não tô falando de sucesso, e sim de todo o esquema sexo drogas e rocknroll que muitas bandas adotam. Eles nunca fizeram shows com mega produção e odeiam fazer clipes: Velouria é uma câmera lenta dos 4 correndo numa pedreira, Here Comes Your Man mostra a banda apenas abrindo a boca e não cantando, e os demais clipes são sempre a galera tocando e pronto. Eles não curtem dar entrevistas, se separaram porque Frank e Kim brigavam no nivel de jogar instrumentos na cabeça do outro, juraram o fim da amizade, voltaram a se falar por conta de grana, e nos últimos 6 anos têm feito turnês consistentes e sempre sold out. Em 2010 eles comemoram o 20o aniversário de Doolittle, um álbum filho da puta de bom, que abre com Debaser e fecha com Gouge Away, e que foi influência pra muita gente, como Radiohead, Nirvana, Weezer e a maior parte dessas bandas de garagem que você ouve e acha descoladão. Sabe a coisa de música que tem uma parte devagarzinho e outra berrada? Pois é, coisa deles. Ouçam Tame, Debaser ou Gigantic e entendam. Três carecas e uma gordinha mandando ver no palco e sendo muito mais foda e rock’n'roll do que qualquer bandinha modernete. Lidem com isso.

A tiazinha aqui se sentiu de novo com 15 anos. Obrigada por uma noite memorável, queridos. No fim do show eu tava tão cansada e sem voz quanto vocês, exatamente como deve ser no fim de um show de rock.

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Sobre o festival em si, queria falar algumas coisas: Eu não ia ao SWU. Com 33 anos, a idéia de passar 3 dias enfurnada em barracas, tomando banho frio e comendo porcarias não me animava muito. No fim, de última hora, decidi encarar pelo menos um dia, o último, pra poder ver Pixies e pro Eric ver Incubus e QOTSA. Saímos de SP meio apavorada com os relatos de terror da galera. Fomos depois do almoço, trânsito tranquilo. Achei o local do evento sem stress, tinha placas indicativas. Estacionei, paguei caro pra cacete pelo estacionamento e fomos a pé até a entrada, uma caminhada de uns 15 minutos. Fila pra entrar, mas dentro do esperado. A revista foi bem meia-boca, dava pra entrar com qualquer coisa menor do que uma escopeta ou um tijolo de heroína. Atrás de mim, uns caras comentaram que era mais  fácil entrar com maconha do que com um pão, e que se o cara conseguisse entrar com uma bandeja de mussarela ia virar herói e render mais grana que tráfico de drogas.

Sempre acho absurdo esse lance de shows proibirem que se entre com alimentos e bebidas de fora, especialmente água. Lá dentro, os preços eram altos, como sempre: refri por 5 reais, hot dog por 8 pilas. Pra fugir da fila, compramos as fichinhas em um caixa perto do palco, mais vazio, e fomos pegar os lanches do outro lado. O banheiro estava sujo mas não peguei fila, pelo menos. O som estava bem bom nos shows do Avenged Sevenfold, Incubus e Pixies, mas deu uma microfonia bizarra no show do Queens, depois arrumaram.

Um ponto bem positivo foi a questão de ter 2 palcos principais, um ao lado do outro, onde as atrações se revezavam. Isso reduziu os atrasos – o único que atrasou de fato foi QOTSA – porque enquanto uma banda tocava, no palco ao lado rolava a organização da outra banda. Entre QOSTA e Pixies, por exemplo, teve uns 10 min de intervalo, se tanto. Outra idéia bacana foi colocar os palcos numa descida, aí os baixinhos que estavam mais atrás conseguiam ver direitinho e não apenas pelo telão.

Na hora de ir embora, acho que por conta de não ter ficado até o fim do Linkin Park porque sou velha não gosto muito do som deles, não tive stress de sair do estacionamento. Saí dos shows depois da meia noite e antes das 2 estava em casa, isso porque paramos pro Eric comer mais um lanche do lado de fora.

Pra amarrar o festival, faltou só levar a sério a questão da sustentabilidade: não adianta nada fazer a galera do camping tomar banho de 7 minutos e gastar milhares de copos plásticos pro refri, assim como não adianta cobrar caro pelo estacionamento e não disponibilizar transporte coletivo de maneira decente. Eu teria ido de ônibus na boa, não fossem as histórias assustadoras de ônibus demorando 4 horas pra chegar lá.

Ao fim das contas, eu não vivi problemas de organização. Acho que a minha sorte foi ter ido apenas no último dia, onde a produção teve tempo pra melhorar algumas coisas e eu mesma pude ir preparada – levando casaco, por exemplo, pra fugir do frio de 10C. Quem foi no primeiro dia se deu bem pior, pelo que soube.

No fundo, saí de lá bem satisfeita, por conta do showzaço que havia acabado de ver. Valeu cada centavo gasto e o frio, a dor nas pernas e o cansaço. Que voltem mais vezes os tiozinhos de Boston.

11
Feb

Zumbis na Vila Ipojuca

por Gabi

Minhas últimas semanas têm sido bem corridas. Tenho trabalhado bastante e as chuvas acabam com o trânsito da cidade, me fazendo ficar ainda mais cansada. E com as chuvas, vêm os blecautes. O preço que se paga por morar em um aprazível bairro arborizado que parece cidade de interior é que quando chove, as árvores caem e a luz acaba.

Semana passada isso aconteceu 3 dias. Seguidos. Sempre no final do dia, naquela hora que você chega em casa e tudo que você quer é um banho quentinho, um pijama macio e um copo de leite com relaxante muscular nescau.  Num dos dias aproveitei pra sair pra comer, no sábado fugi pra tomar banho na casa da mamãe. Afinal, eu sou uma otimista e acredito em aproveitar as coisas que me são dadas sempre de maneira positiva e feliz. Poliana way of life, cês sabem.

Mas teve um dos dias, durante a semana, em que cheguei em casa antes do Eric e tava sem luz. Pensei em como eu era feliz por morar no segundo andar! Afinal, teria que subir poucos lances de escada pra chegar em casa e tomar um banho morninho (com água esquentada no fogão, claro) e poder depois relaxar à luz de velas. Eu tava tão cansada que um banho de caneca me parecia uma coisa boa, gente. Na verdade, meu corpo clamava por um sofá, uma cama, uma almofada no chão, qualquer coisa na qual eu pudesse encostar e descansar. Tinha sido um dia difícil mesmo, com montes de problemas no trabalho, preocupação com grana, trânsito, café ruim e tudo mais que se possa imaginar.

Aí cheguei no prédio. Meu simpático porteiro diligentemente abriu o portão e eu adentrei com o carro na garagem.

A garagem, obviamente, estava um breu.

Pensem: eram 9 horas da noite e a luz tinha acabado no bairro as 17hs. As luzes de emergência já tinham acabadao há tempos. A garagem fica no subsolo. Não havia nenhum tipo de luz pra clarear que fosse um pouco. Quando apaguei os faróis do carro, fui engolfada por uma escuridão ancestral, do tipo que os homens das cavernas viviam se a fogueira se apagasse e fosse uma noite sem lua.

Tava escuro pacas.

E eu tenho uma imaginação particularmente ativa. Fui criada lendo quadrinhos e livros e vendo filmes sem muito freio. Meus pais, abençoados sejam, nunca foram de censurar o que eu lia. Por isso, me afundei na loiteratura de fantasia e terror. Li Drácula com 10 anos (e dormi de luz acesa por semanas) e ficava acordada até tarde vendo filmes do Jason em um videocassete paraguaio de 4 cabeças. Então, ao ver aquela escuridão toda, a primeira coisa que pensai foi em zumbis. Sempre que acaba a luz, penso em invasão zumbi. Sim, eu sei. Isso não é normal.

Mas invasões zumbi estão aí, prestes a acontecer a qualquer momento. Assitam filmes do George Romero e entendam o quanto é fácil isso acontecer e o quão rápido ela se espalharia pelo mundo. E todo mundo sabe que em invasão zumbi o que se faz é atirar na cabeça e correr como se não houvesse amanhã. De preferência, usando armas de alto calibre, que é pra explodia a cabeça dos malditos sem deixar dúvidas.

No entanto, eu não tinha uma arma. Nem um machado, nem mesmo um pé de cabra ou bastão de beisebol. Tudo que eu tinha nas mãos era minha bolsa.

Respirei fundo, Pensei no dia que havia tido, pensei no meu banho e na minha cama e disse em voz alta:

Ok, zumbis, demonios e outros entes das trevas. Se um de vocês quiser me pegar, que deus me ajude, arranco sua cabeça com minhas mãos nuas.

E apaguei os faróis do carro, andei em direção a escada e subi os poucos lances que me separavam da minha cama sem ser incomodada. Não sei se havia zumbis na escura garagem do edifício. Mas se houvesse, eles foram assustados por mim, do alto de meu metro-e-meio e armada com uma bolsa de tecido.

Talvez o fato mais assustador nisso tudo seja que a bolsa era de bolinhas.

29
Dec

Balanço geral

por Gabi

2009 foi um ano maluco. Maluco. Aconteceu muita coisa comigo, na maior parte coisas boas, e uma ou outra coisa ruim. E uma parte disso eu contei aqui no blog. Outras coisas eu não contei, preferi guardar pra mim.

Esse blog nasceu como um diário virtual mesmo. Eu escrevia aqui, ainda no finado weblogger, textos sobre minha vida, minha casa, meu trabalho, meus amigos… Ia contando meu dia-a-dia e não assinava o nome. Na época (estamos falando de 2001, minha gente) eu trabalhava num lugar bem careta, onde se eu dissesse que tinha um blog provavelmente seria levada pra enfermaria pra colocar um band-aid nele. Então eu não dizia meu nome, nem onde eu trabalhava, nada.

De uns anos pra cá, especialmente depois de 2006, comecei a dar nomes aos bois. Assinei tudo, comecei a colocar fotinhos, entrei no Twitter com meu nome de verdade e tudo mais. A persona Gabi, do blog, se misturou com a persona Gabi, da vida. E foi melhor assim: o blog me trouxe amigos, me abriu as portas pra uma mudança radical de área profissional, me deu montes de oportunidades.

Me deu algumas dores de cabeça, bem poucas. Meia dúzia de comentários anônimos malcriados, um ou outro xingamento… Mas no geral, acontecem coisas boas por aqui. No geral, minha vida blogueira é boa. Eu gosto. :)

E eu sei que deveria escrever mais aqui. Eu sei, eu sei. Mas o problema é que eu gosto demais desse espaço. E por gostar demais, odeio fazer textinho meia-boca, burocrático, só pra constar. Só pra dizer que postei, sabem? Não gosto, não quero.

E por isso tomei minha resolução de ano novo: vou escrever mais aqui, e com mais carinho. Vou falar mais de casa, das graças que os gatos fazem. Vou colocar fotos do meu armário torto, do gato dormindo com a pata na cara, da minha epopéia pra comprar biquini, da minha aflição e pavor quando encontrei uma barata escondida numa gaveta. Em 2010 vou contar mais histórias. Quaisquer histórias.

Porque história boa é aquela que se conta com graça, com riso ou lágrima, com vontade de gritar ou de dar uns tapas em alguém.

Porque meu blog é diarinho, sempre foi,  e me orgulho disso.

E em 2010, eu quero muito poder me orgulhar de quem eu sou e do que eu faço.

Feliz ano novo pra todo mundo – e que o 2010 de vocês seja tão fantástico quanto eu pretendo que o meu seja.

09
Sep

I’m Alive!

por Gabi

Queria vir aqui contar que meu feriado foi o máximo, na praia, cercada de gente que amo, comendo churrasco e bebendo coca zero geladinha enquanto olhava o mar; jogando Imagem e Ação, truco, lendo e dormindo à beça.

Também queria dizer que o Luluzinha Camp foi o máximo apesar de eu estar exausta no dia, que por coincidência foi meu aniversário, e que quando eu cheguei lá as meninas me cantaram um parabéns estrondoso e sincero; e que lá tinha comidinhas deliciosas e que matei um pouquinho a saudade de gente querida que mora longe, como a Lu, a Bia, a Lolló.

Queria dizer que o trabalho novo é muito bom, muito legal e muito, muito maluco. Mas que estou amando.

Queria falar sobre tanta coisa, mas tanta… Pena que não vai dar tempo.

Merda.

03
Aug

O Melon Cat ataca novamente

por Gabi

Meu dia não estava tão bom. A correria do trabalho – expliquem por que cargas d’água as coisas têm que acontecer a partir das 17hs? – e preocupações em geral me deixavam ensandecida desde logo cedo, mas eu tinha um objetivo em mente que ia melhorar minha vida: era sexta feira e eu ia sair do trabalho, resolver minha franja, jantar no Outback e ir ao cinema. Muitíssimo simples.

Saí do trabalho no horário (Mas acabei tudo que precisava. Oi, chefe! o/) e corri pro salão de cabelereiros. Elizete, minha nova cabelereira evangélica, me aguardava. Um aparte: as duas melhores coisas que me aconteceram na Berrini foram a Elizete e a Dra Janaína, dentista que usa uma touca de florzinhas. Voltando: Elizete já estava a postos, pronta pra chapar minha franja.

Há uns 20 dias, surtei e resolvi cortar uma franja. Franjão mesmo, estilo indigena. Cortei e adorei. A franja cobre as rugas da testa me deixa com ar jovial e leve, não fico mais bochechuda que o normal, então tá tudo bem. O problema básico é que meu cabelo é RBD rebelde e a franja tava com umas pontas estranhas, uma coia meio Princesa Cogumelo. Tava assim, ó:

eucorte1
Não tava ruim, mas eu não gostava das tais pontinhas pra fora. Então, resolvi ceder: ia fazer uma escova progressiva na franja pra domar a danada. Só na franja: eu gosto das minha ondas e cachos no resto do cabelo. Munida de coragem e de uma revista de fofocas, aguardei os produtos mágicos fazerem efeito. Depois de uma hora eu estava assim, ó:

meloncat

Sim, igual ao melon cat. Não, eu não vou tirar uma foto e postar aqui. Enfim, segundo Elizete isso vai melhorar. É só no dia que faz que fica assim – e não pode prender, nem lavar. Mas é o preço que se paga por uma franja linda, né? Decidi que meu dia só podia melhorar, e fui ao encontro de meu amado para irmos comer e ver um filminho bacana.

Ao chegar no Villa Lobos, descubro que não tem Outback lá. Frustradíssima, comi qualquer coisa. Aí fomos ao cinema. Na fila, uma zona: filas tortas e confusas, atendendes mais ainda. Depois de vários minutos, começaram os alarmes falsos: a gente achava que um caixa estava aberto – afinal o caixa estava vendendo entradas, coisa costuma acontecer quando um caixa está aberto, exceto por este, que estava fechado. Aliás, fenômeno: nunca vi um caixa fechado vender entradas exceto no Cinemark. Acabamos conseguindo comprar nossos ingressos pra ver Inimigos Públicos num dos caixas fechados abertos (ou não) e fomos pra sala. Lugares F 13 e 14, ótimos lugares numa sala já cheia.

Fomos pros nossos assentos. A letra da fileira é fácil de ver: está iluminada no chão. Já o número é impossível, uma vez que fica na propria cadeira, escondido. Chamamos a lanterninha: descobrimos que nossos lugares estavam ocupados. O casal que ocupava nossos lugares mostrou o seu bilhete: F 15 e F16, que ficam ao lado. Estes também estavam ocupados, desta vez por uma moça, que mostrou o bilhete: F15. Sim, o sistema vendeu duas entradas iguais pro mesmo filme e sessão.

À beira de um ataque de nervos, com o filme já começado, fomos pedir entradas pra outro filme. Não havia nada decente começando, por óbvio. Quase chorando de cansaço, convencemos o gerente a nos trazer dois vale-ingressos (que ele deve ter esculpido em mármore usando uma faca de manteiga, pelo tempo que levou), que usaremos em qualquer Cinemark que não seja o do Villa Lobos.

Infelizes, sem cinema e sem Outback, já nos resignávamos a ir pra casa tristonhos, quando nos lembramos da Cremeria Nestlè. Chegamos lá e fomos atendidos rapidamente, por uma mocinha muito simpática, que montou dois sovetes enormes pra gente.

brownie_supreme

Cheios de calda e repletos de chocolate, os sorvetes estavam perfeitos. Enquanto comíamos nossas delícias, refleti que a Cremeria Nestlè é um pedaço do céu na terra, que a mocinha atendente merecia uma gorjeta polpuda e que o mundo, afinal, não é um lugar tão ruim.O açúcar, como já contei aqui, faz milagres pela nossa vida.

No entanto, meu cabelo ainda se parece com o do Melon Cat. :(