It’s my aeroplane
Aviões: grandes estruturas feitas de metal, cuidadosamente desenhadas para alçar vôo aos céus, atravessando continentes e mares, permitindo que os seres humanos visitem outros países, culturas e povos.
Tem um primeiro ponto aí que eu queria discutir: avião VOA. E isso não é natural. Não é normal um trambolho com 30 metros e 30 toneladas saia por aí NO CÉU. E não venha me citar leis da física, explicar empuxo, força, velocidade. Eu nem sei como saí do colégio, porque física pra mim é tipo magia pros povos primitivos: uma coisa que explica o inexplicável mas que eu não faço idéia de como funciona. Os índios tinham pajés, eu tenho engenheiros, e os dois são a mesma coisa: a pessoa que liga a minha existência com os mistérios do desconhecido.
E é baseado nesse meu extenso conhecimento de física que afirmo: tenho medo de voar. Minhas mãos suam, meus ombros ficam duros de tensão, que só passa quando eu ponho meus pés em terra. Só que sou uma pessoa forte e inteligente, então eu fico repetindo pra mim mesma que nada vai acontecer, que acidentes com aviões são raros, que é perfeitamente seguro estar ali, que magos engenheiros projetaram a aeronave com segurança… e vou repetindo isso até pousar.
Ontem fui para Curitiba a trabalho. Meu vôo, da Gol, atrasou uma hora. Importante ressaltar que esse atraso aconteceu com a gente já dentro do avião, sentadinho. Uma hora ali esperando o aeroporto de Curitiba liberar o vôo. Visualizem: eu, com 33 anos, uma mulher experiente, vivida, esperta, racional, inteligente, presa dentro do avião por uma hora enquanto o destino ria de meu desespero: não decolava, não ia nem vinha, e eu ali pensando, me concentrando em como tudo ia ficar bem.
O atraso do vôo ia me gerar problemas num compromisso de trabalho, mas ali na minha poltroninha, com o cinto afivelado e um livro no colo, eu nem pensava no trabalho. Só queria decolar, voar e pousar LOGO. Quando finalmente estávamos prontos para decolar, minha vontade era de gritar “tá bem, eu vim até aqui dentro, agora posso ir embora?” mas me mantive firme e forte. Sorri para os comissários de bordo, tomei meu refrigerantezinho e o vôo durou apenas 45 minutos, então não precisei ir chorar no banheiro.
Hoje, quase a mesma coisa: vôo da Gol de manhã cancelado, consegui vaga num vôo TAM logo depois do almoço, o avião ficou ali parado em terra… a diferença é que hoje eu estava na janela, bem em cima da asa, e posso jurar pra vocês que foi a força do meu pensamento positivo que manteve a asa ali. Porque olha, eu tava concentradíssima, e a cada tremidinha da asa eu pensava “pára de graça e faça seu trabalho, fique aí bem bonita e funcione direitinho até São Paulo”. Outro problema: depois de ver Twilight Zone, fiquei achando pra sempre que um dia vai aparecer um monstro na asa do meu avião:
Pra melhorar, pegamos certa quantidade de nuvens e turbulência. Nada tão ruim quanto uma ponte aérea que peguei anos atrás, quando o serviço de bordo foi suspenso, o aviso de apertar os cintos ficou ligado direto, os comissários de bordo passavam pálidos por mim e eu tinha certeza que ia morrer, mas foi ruim o suficiente para o passageiro ao meu lado rezar a viagem toda, todinha, sem parar. Entre as preces dele e meu pensamento positivo, a asa ficou no lugar e chegamos a São Paulo.
Quando finalmente pousei, fedida, exausta e ainda sem nem desconfiar que estava prestes a pisar em cocô de cachorro na frente do aeroporto, fui uma das últimas a sair do avião. Na porta, o comandante sorriu pra mim e apertou minha mão com um “Obrigado por escolher a TAM”. Minha vontade era abraçar o cara e gritar “OBRIGADA VOCÊ QUE ME TROUXE ATÉ AQUI SEU LINDO!”. E por mais que ele fosse só um piloto normal, na hora ele me pareceu ser assim:
De qualquer forma, minha viagem teve mais aventuras: pisei no cocô na porta de Congonhas, andei com um taxista ruivo, outro cearense que me contou tudo sobre o casamento da filha (e eu indiquei o blog da Cintia, vejam só), almocei uma bolachinha salgada e um alpino que ganhei no hotel, o gato fez cocô no escritório, o evento foi um sucesso, a bateria do iPhone acabou, e muito mais. Mas estou cansada depois dessa emoção nos ares, e por isso, deixo a história pra outra ocasião.
Fiquem com uma música sobre aeroplanos para animar a noite:














