<
29
Nov

Banda, banhas e bustos

por Gabi

A correria anda impressionante. E pra trabalhar correndo eu preciso de combustível: enfio os fones de ouvido e isolo o mundo exterior, pra me concentrar. Melhor coisa.

Essa semana vazou o novo do The Black Keys, banda que já nos brindou com muita música boa e um clipe ultra fofo. O link que eu tinha pra baixar já era, mas veja ae descontraidamente o El Camino disponível no Pirate Bay se você apoiar essa coisa horrenda que é a pirataria e tal. Olha só o primeiro clipe pra sentir a belezinha que é Lonely Boy, primeiro single a ser lançado.

Descobri que eu não sei agradecer algumas coisas. Por exemplo, encontro alguém que não me vê há algum tempo e a pessoa diz “Você emagreceu bastante!” e ao invés de agradecer eu digo “Emagreci, está sendo horrível de difícil e eu quero matar pessoas e chutar a parede, mas emagreci sim” ou alguma variante mais educadinha.

A real é que eu não vejo muito porque agradecer por uma coisa que só está acontecendo por um baita esforço da minha parte. Academia 3 vezes na semana, salada, nada de docinhos, isso tudo é um porre e o mínimo que tem que acontecer é eu emagrecer. Então se eu te encontrar e você me achar mais magra e eu não agradecer, não se ofenda. É só o meu jeitinho mesmo.

 

Comprei simplesmente 3 sutiãs na Loungerie. Apesar de não ter sido muito bem atendida na primeira vez que fui lá, o sutiã é tão fantástico que voltei e aí sim fui atendida direitinho.

Eles seguem a numeração americana, de medir o tronco e o busto, e aí chegar numa medida que sirva direitinho na taça e nas costas. Vale a visita (e espero que você seja bem atendida) e o preço é bem ok.

Enfim, essa é minha vida. Como vai a de vocês?

07
Nov

Resumão: a semana da blogueira

por Gabi

Semana movimentadíssima! Sério, não parei nos últimos dias e nem sei quando vou consegui parar. Mas né? É assim que funciona quando você nasce pobre e precisa trabalhar. =)

**********************

Na sexta fui ao show do Pearl Jam. Maravilhoso. Tudo muito lindo. Pra começar, quando chegamos (já meio tarde por causa do trânsito) a arquibancada onde devíamos ver o show estava cheia e fomos encaminhados pra uma outra – BEM mais perto e de onde dava pra ver tudo. O show foi sensacional, setlist maravilhoso. Quase morri quando tocaram Black e depois Just Breath, e tocaram Even Flow e Once e Elderly Woman Behind a Counter in a Small Town e depois um cover de The Who que me fez quase cair dura.

Valeu esperar 20 anos pra ver de perto. Valeu o trânsito e o cansaço e a correria e o preço exorbitante do ingresso. Nada como ver uma das melhores bandas da atualidade em companhia de gente muito querida.

 

****************************************

Teve Planeta Terra também: o show do Strokes foi bem bacana, Interpol idem. Mas acho que tô ficando velha demais, sei lá. Mas eu postei uma foto que todo mundo disse que eu tô mais magra, então tá valendo.

Rapha, eu e Ariane, só as lindas

****************************************

Aniversário da mãe e da sogra: mega hit combo de almoços deliciosos e uma certa fuga da dieta, mas com galhardia. Doravante comemorarei apenas no Natal para emagrecer mais

****************************************

Uma iniciativa MEGA legal que acabou de acabar: a Loungerie cadastrou 1000 mulheres que vão trocar sutiãs usados em bom estado por sutiãs novinhos – e os usados vão ajudar mulheres que precisam de próteses de tecido por causa do câncer de mama. Vale o link na marca, mesmo tendo acabado essa ação, porque eles sempre fazem coisas bacanas.

****************************************

Outra iniciativa muito boa: o Projeto Pequerruchos. Você compra na lojinha deles e a grana vai pra ajudar bichinhos que precisam de lares e cuidados de saúde. E tem coisas fofas tipo essa camiseta que custa R$25:

 

E foi isso. Talvez por isso eu esteja tão cansada: 2 shows + aniversário da mamãe + aniversário da sogra + muito trabalho = Gabi exausta. Mas tava tudo bem gostoso e no fundo, quero de novo.

18
Oct

Quero ser Christina Hendricks

por Gabi

Estou de dieta.

De novo.

E assim, não é fácil. Nem um pouco fácil. Estou com fome e de mau humor. Mas eu vou até o fim dessa vez. Tenho um objetivo importante pro ano que vem e vou cumpri-lo nem que pra isso eu precise passar um pouco de fome!

Comprei uns kits da Keep Light pra ajudar a manter nessas primeiras semanas. Apesar do preço meio salgadinho, a comida é deliciosa. As porções são super reguladas, pra ficar nas 800 calorias diárias. Ou seja,  comida boa, mas não farta – e eu aqui, a gordinha, morrendo de vontade de comer mais. O lado bom é que eu como o dia todo, mas bem pouquinho: tem café da manhã, lanchinho da manhã, almoço, lanchinho da tarde, janta e ceia. Então não passo muito tempo sem mastigar alguma coisa, o que ajuda pacas.

Também finalmente comecei na Curves, aquela academia só pra mulheres. E confesso que estou adorando. Não tem aquele clima de academia, com um monte de gente gostosa malhando os músculos. São mulheres normais, magras, gordinhas, jovens e velhas. A aula dura só 30 minutos, num circuito com aparelhos hidráulicos que eu estou amando, pq não têm impacto nas articulações. Meu joelho não reclamou nadica, e eu saí de lá cansada, sentindo os músculos mexidos – mesmo sendo só 30 minutos.

Enfim, estou tentando, de novo, ser mais saudável, perder peso e conseguir fazer as pazes com a balança, num peso que seja bom pra minha saúde e ao mesmo tempo sem entrar na piração de ser super magra. Não quero tomar remédio pra emagrecer, porque isso engana demais – você emagrece e quando pára de tomar, já era.

Vou ter que fazer isso assim, eu e eu mesma. Me ajudem? Digam que eu vou conseguir? Porque olha, não é nada simples ficar sem comer bobagem enquanto a moçada do trabalho pede pizza, ou o marido quer jantar bife.

Nessas horas eu penso na minha musa inspiradora, a lindíssima e gorduchinha Christina Hendricks, choro um pouco de desespero mas fico sem comer nada da pizza nem do chocolate nem do docinho nem de nada.  Porque eu sou muito teimosa e quando enfio uma coisa na cabeça é difícil de tirar. Então vamos ver: daqui a 30 dias eu conto o quanto emagreci – e se for um monte, prometo que pinto o cabelo de vermelho, pra ficar assim:

(agradeço muito, muito mesmo, ao grupinho de Facebook que tá me ajudando demais. Cêis sabem quem são, seus lindos!!)

23
Sep

Too old to rock’n'roll

por Gabi

A primeira vez que fui a um show do Red Hot Chili Peppers foi em 1993. Era a primeira vez deles no Brasil, eu tinha 15 anos e eles haviam lançado há pouco o disco mais incrível que jamais lançariam: Blood Sugar Sex Magic. Era o festival Hollywood Rock, era verão, fazia calor e eu estava lá no Morumbi vendo o show de uma das minhas bandas favoritas. A censura era 16 anos, mas quem se importa com a lei quando se tem 15 anos e ingressos pra ver Red Hot, L7, Nirvana e Alice in Chains? Foram grandes shows e acho que foi ali que minha cabecinha se transformou em fã de rock para todo o sempre.

No cantinho, parecendo deslocado, Arik Marshall, que durou pouco na banda.

O show do RHCP foi absurdo. Eles usavam saia, se apresentavam semi nus com lâmpadas gigantes na cabeça, pulavam sem parar e eu achei aquilo completamente maluco e maravilhoso. Eles abriram o show com Give it Away, o maior hit da banda, e quando uma banda abre um show com seu maior sucesso é meio que uma declaração de  ”Tocamos a música do rádio, agora a gente faz o que quiser“. Isso cria uma expectativa. E eles cumpriram lindamente e eu fiquei muito feliz de estar ali.

Hoje, aos 34, eu deveria ser sábia o suficiente para ter consciência de que nada pode superar um show que você viu aos 15 anos, mas aparentemente, não sou. Ano passado vi Pixies e foi tão incrível que achei que seria lindo ver qualquer banda da minha adolescência ao vivo. O show do Red Hot no Anhembi provou que estava enganada. Poderia botar a culpa no hediondo sistema de som do Anhembi, no meu cansaço depois de um dia de trabalho ou na tpm, mas a verdade é outra. Red Hot envelheceu, e não de um jeito digno.

Enquanto bandas e artistas como Rolling Stones, Paul McCartney, Foo Fighters, Pearl Jam, Neil Young, Iggy Pop, Faith no More e Ozzy envelhecem perdendo um pouco do fôlego e mantendo a essência, outros como Metallica e Aerosmith se afastam tanto do que eram que soam irreconhecíveis. Red Hot lamentavelmente engrossa o caldo do segundo caso.

O cãozinho é fofo, mas esse bigode...

Os últimos álbuns (Stadium Arcadium, By The Way e Californication) foram horrorosos. De uma banda cheia de energia, que conseguia misturar rock com funk tão bem que foi produzida pelo George Clinton, viraram uma bandinha cheia de músicas meio emo, meio dançantinhas, sem batida, sem groove, sem alma. Desses 3 discos, se salvam algumas coisas como Hump the Bump, I Like Dirt,  e em menor grau Can’t Stop. O resto? Chatice, cansaço, nenhuma vontade de dançar e tiozinhos cumprindo tabela no show. O disco recém-lançado, I’m With You, é infinitamente melhor que esses 3, e me fez acreditar que a banda estava voltando à forma. mas não.

Na quarta feira, deu pra ver que Chad ainda espanca a bateria como se sua vida dependesse disso, Flea ainda é um dos melhores baixistas do mundo, mas o “novo” guitarrista não corresponde. E Anthony, o vocalista mais legal da década de 90, virou um bigodudo esquisito que perdeu a voz.

O que salvou o show pra mim foi Flea cantando “Pea“, uma das músicas mais fofas deles. De resto, vontade de chorar com o setlist péssimo, que não se compara de maneira alguma com o que vi em 93. Pelo que li em críticas por aí, o show foi bom pra muita gente. Pra mim, foi um horror. No fim do show, a banda não parecia cansada nem feliz. E eu só estava cansada mesmo.

Aí voltei pra casa pensando que estou too old to rock’n'roll but too young to die. Essa sensação está aqui até agora, me fazendo pensar se devo continuar gastando meus suados caraminguás em shows de rock. Talvez ir a shows de rock seja coisa a ser feita antes dos 30. Não sei.

Mas botei pra rodar um cdzinho aqui e tô chacoalhando a bundinha enquanto escrevo o post e cantando junto (baixinho pra não acordar os vizinhos), e  concluindo que o problema não é comigo. Eu sou uma jovem senhora animada. Meus amores do RHCP, nem tanto.

BLOOD SUGAR BABE SHE'S MAGIC

16
Aug

Eu sou o trânsito

por Gabi

Estou eu no meio de mais um congestionamento da cidade, agoniada, fuçando no Twitter – sim, o trânsito de SP pára a ponto de dar tempo de entrar no Twitter, e se bobear até daria de escrever este post – e dou de cara com esse tweet do Ariel:

Isso fez um barulho danado dentro da minha cabeça. Eu não estou presa no trânsito, EU SOU o trânsito. Estou no carro, na hora do rush. Sou eu que causo o trânsito. Não tive resposta pra dar pra ele: ele estava certo.

Larguei o celular, coloquei uma música pra relaxar e fiquei pensando no que eu podia fazer pra deixar de ser o trânsito. Moro na Lapa, trabalho no Paraíso e o marido trabalha no Itaim Bibi. De carro, levamos cerca de 50 min no percurso entre nossa casa, o trabalho dele e o meu trabalho.

De ônibus, ele demora uma hora e meia. Eu, de ônibus e metrô, mais ou menos a mesma coisa. São 80 minutos a mais por dia, pelo menos – 40 de manhã e mais 40 à noite. Isso porque não entramos cedo no trabalho nem saímos as 18hs, por isso acabamos fugindo um pouco do horário de pico.

O ônibus em SP custa inacreditáveis R$3,00. A integração ônibus + metrô sai por R$4. Então entre eu e marido, gastaríamos R$14,00 por dia, 70 por semana, 280 pilas por mês. Hoje, de carro, eu não gasto isso de gasolina – e não pago estacionamento, pois tenho vaga de garagem na empresa.

Então, pra mim ainda vale a pena ir de carro trabalhar. Minhas circunstâncias são específicas: um carro econômico, trajetos curtos e garagem. Isso faz com que o ônibus seja pior pra mim, agora. Talvez se houvesse um ônibus direto, ou se eu fosse apenas de metrô eu mudasse de idéia, mas são 2 conduções cada um de manhã e mais 2 à tarde. É o trânsito somado à espera no ponto e ao metrô lotado. É ruim demais.

Não sei nem porque estou escrevendo isso – no fim das contas, vão vir haters me xingar e dizer que eu devia ir de ônibus mesmo, parar de ser fresca e blablabla. Mas não consigo. Trabalho muitas horas por dia, perder mais uma hora e tanto por dia no trânsito – além do que já fico – é inaceitável. Tenho plena consciência de que estou sendo egoísta, mas nesse momento não está dando pra ser altruísta e pensar no bem comum. Sou mais um membro da classe média reclamando de barriga cheia.

Mas ao ler o tweet do Ariel fiquei incomodada pra caramba e talvez esse seja o primeiro passo: me incomodar comigo mesma. Acho que é assim que começa a mudança, com o incômodo.

 

28
May

Como tirar uma música da cabeça

por Gabi

Sabe quando aquela música GRUDA na sua cabeça? Entrei no Treta agora há pouco e fiquei com essa maravilha aqui pregada no cérebro a ferro:

 

Aí lembrei que tinham me falado de um site chamado UNHEAR IT. Ou seja, um site onde você pode ouvir outras músicas completamente chiclete até tirar aquela primeira música da mente. Tem de Ace of Base até Justin Bieber e Lady Gaga, só tranqueira pop grudenta pra tentar te livrar da maldição da música que adere.

O único risco é que uma das outras grude, óbvio. No meu caso, foi o que aconteceu: rolou uma versão de Weezer cantando a música da Toni Braxton, e aí fiquei aqui me perguntando como foi que eu vivi até hoje sem ouvir essa versão incrível e cantando junto que nem uma boboca e achando fofo o Rivers Cuomo desafinando:

 

Foi um pouco ridículo, mas pelo menos tirei a música do I LIKE TO MOVE IT MOVE IT da cabeça. ;)

04
May

It’s my aeroplane

por Gabi

Aviões: grandes estruturas feitas de metal, cuidadosamente desenhadas para alçar vôo aos céus, atravessando continentes e mares, permitindo que os seres humanos visitem outros países, culturas e povos.

Tem um primeiro ponto aí que eu queria discutir: avião VOA. E isso não é natural. Não é normal um trambolho com 30 metros e 30 toneladas saia por aí NO CÉU. E não venha me citar leis da física, explicar empuxo, força, velocidade. Eu nem sei como saí do colégio, porque física pra mim é tipo magia pros povos primitivos: uma coisa que explica o inexplicável mas que eu não faço idéia de como funciona. Os índios tinham pajés, eu tenho engenheiros, e os dois são a mesma coisa: a pessoa que liga a minha existência com os mistérios do desconhecido.

E é baseado nesse meu extenso conhecimento de física que afirmo: tenho medo de voar. Minhas mãos suam, meus ombros ficam duros de tensão, que só passa quando eu ponho meus pés em terra. Só que sou uma pessoa forte e inteligente, então eu fico repetindo pra mim mesma que nada vai acontecer, que acidentes com aviões são raros, que é perfeitamente seguro estar ali, que magos engenheiros projetaram a aeronave com segurança… e vou repetindo isso até pousar.

Ontem fui para Curitiba a trabalho. Meu vôo, da Gol, atrasou uma hora. Importante ressaltar que esse atraso aconteceu com a gente já dentro do avião, sentadinho. Uma hora ali esperando o aeroporto de Curitiba liberar o vôo. Visualizem: eu, com 33 anos, uma mulher experiente, vivida, esperta, racional, inteligente, presa dentro do avião por uma hora enquanto o destino ria de meu desespero: não decolava, não ia nem vinha, e eu ali pensando, me concentrando em como tudo ia ficar bem.

O atraso do vôo ia me gerar problemas num compromisso de trabalho, mas ali na minha poltroninha, com o cinto afivelado e um livro no colo, eu nem pensava no trabalho. Só queria decolar, voar e pousar LOGO. Quando finalmente estávamos prontos para decolar, minha vontade era de gritar “tá bem, eu vim até aqui dentro, agora posso ir embora?” mas me mantive firme e forte. Sorri para os comissários de bordo, tomei meu refrigerantezinho e o vôo durou apenas 45 minutos, então não precisei ir chorar no banheiro.

Hoje, quase a mesma coisa: vôo da Gol de manhã cancelado, consegui vaga num vôo TAM logo depois do almoço, o avião ficou ali parado em terra… a diferença é que hoje eu estava na janela, bem em cima da asa, e posso jurar pra vocês que foi a força do meu pensamento positivo que manteve a asa ali. Porque olha, eu tava concentradíssima, e a cada tremidinha da asa eu pensava “pára de graça e faça seu trabalho, fique aí bem bonita e funcione direitinho até São Paulo”. Outro problema: depois de ver Twilight Zone, fiquei achando pra sempre que um dia vai aparecer um monstro na asa do meu avião:

Medo desse bicho!

 

Pra melhorar, pegamos certa quantidade de nuvens e turbulência. Nada tão ruim quanto uma ponte aérea que peguei anos atrás, quando o serviço de bordo foi suspenso, o aviso de apertar os cintos ficou ligado direto, os comissários de bordo passavam pálidos por mim e eu tinha certeza que ia morrer, mas foi ruim o suficiente para o passageiro ao meu lado rezar a viagem toda, todinha, sem parar. Entre as preces dele e meu pensamento positivo, a asa ficou no lugar e chegamos a São Paulo.

Quando finalmente pousei, fedida, exausta e ainda sem nem desconfiar que estava prestes a pisar em cocô de cachorro na frente do aeroporto, fui uma das últimas a sair do avião. Na porta, o comandante sorriu pra mim e apertou minha mão com um “Obrigado por escolher a TAM”. Minha vontade era abraçar o cara e gritar “OBRIGADA VOCÊ QUE ME TROUXE ATÉ AQUI SEU LINDO!”. E por mais que ele fosse só um piloto normal, na hora ele me pareceu ser assim:

Maverick, seu lindo!

De qualquer forma, minha viagem teve mais aventuras: pisei no cocô na porta de Congonhas, andei com um taxista ruivo, outro cearense que me contou tudo sobre o casamento da filha (e eu indiquei o blog da Cintia, vejam só), almocei uma bolachinha salgada e um alpino que ganhei no hotel, o gato fez cocô no escritório, o evento foi um sucesso, a bateria do iPhone acabou, e muito mais. Mas estou cansada depois dessa emoção nos ares, e por isso, deixo a história pra outra ocasião.

Fiquem com uma música sobre aeroplanos para animar a noite:

07
Apr

Dona Rina

por Gabi

E aí que hoje foi um dia em que trabalhei tipo 12hs e mal almocei e mal jantei e se bobear nem ao banheiro fui.

E hoje veio aqui em casa a faxineira nova, que tá vindo faz um mês,uma vez por semana, porque minha amada Zilmara pediu demissão pra cuidar de uma tendinite e indicou essa senhora, Dona Rina. A Dona Rina se chama Rinalda, eu acho, mas não gosta do próprio nome. Tudo bem, a Zilmara se chama Ismar e acha Zilmara mais bonito e eu e minha mãe a chamamos assim nos muitos anos que ela faxinou as nosas casas.

Enfim, Dona Rina é uma senhora de uns 50 anos, baixinha, de fala mansa, que mora em Francisco Morato, vem trabalhar de trem e que não come nada, mas toma café o dia todo. Ela gosta dos gatos e conversa com eles em voz alta, passa roupa super bem, limpa atrás dos móveis e adorou o sabão líquido pra lavar roupa e o desengordurante de cozinha. Disse que vai pedir pras patroas todas comprarem porque são ótimos de usar, melhores que o sabão em pó comum e o detergente que geralmente as pessoas têm.

Hoje comentei com ela que na semana passada casa  tinha ficado cheirosa, e ela deu um sorrisão e falou que gosta muito de deixar a casa perfumada, pras pessoas chegarem do trabalho à noite e verem que a casa ficou limpinha. Que é um jeito de deixar a pessoa feliz quando chega em casa no fim do dia.

Acabei de olhar no quarto e descobri que hoje pela primeira vez ela acertou colocar o jogo de lençóis na cama: o lençol de baixo e o de cima, assim como as duas fronhas, são do mesmo jogo. Porque ela tem esse probleminha: não conseguia colocar os lençóis combinando botava lençol de baixo verde com fronha branca e o de cima azul florido. Mas quem sou eu pra reclamar dos lençóis, se ela deixa minha casa cheirosa, conversa com meus gatos e limpa a estante dos livros?

Agora vou deitar nos meus lençóis combinandinho e dormir na casa cheirosa, muito cansada mas agradecida pelas pequenas bençãos – principalmente aquelas que vêm na forma de pequenas senhoras que gostam de perfumar a casa alheia e tomam muito café.

30
Mar

It’s Gabi, bitch!

por Gabi

Ok, minha gente. Questões paralelas e forças ocultas fizeram com que eu desse uma puxada de freio aqui nesse espaço no ano passado. Postei pouco, falei pouco, não contei histórias boas, não falei dos gatos, não abri meu coraçãozinho cheio de amor neste bloguxo tão lindo.

Mas estou de volta porque olha, não dá pra ficar sem escrever quando a gente vai num lugar e é assombrada por uma japonesa maléfica. Ou quando durante uma visita a um lugar qualquer um lençol de neblina desce e cobre tudo. Ou quando a gente vira mayor do Trópico de Capricórnio no Foursquare. Ou ainda quando se come a melhor refeição dos últimos anos em um restaurante num bequinho escuro.

Enfim.

Me aguardem, seus lindos.

(post inspirado pela Britnéia, que voltou rebolante e cheia de gemidos nesse CDzinho lindo que você pode ouvir aqui, ó)

28
Mar

Meu vício mais antigo (Parte 1)

por Gabi

Uma coisa que nem todos sabem sobre mim é que sou filha única. O fato de viver numa casa onde não havia outras crianças causou basicamente duas coisas: minha imediata culpabilidade por qualquer objeto quebrado (não obstante minhas tentativas de apontar o cachorro como verdadeiro culpado) e o desenvolvimento da minha imaginação, criando histórias para brincar sozinha. Meus pais não apoiavam o uso de videogame – na minha época, caros e raros no Brasil – e preferiam fazer com que eu brincasse. E sozinha mesmo eu criava as histórias das minhas bonecas, que iam de festas chiques a perigosas travessias entre vasos do jardim, realizadas através de cordas secretamente roubadas de varais incautos.

Eu tinha um balanço que hora era carruagem, hora cavalo, hora carro de fórmula 1, por vezes nave espacial. E desde pequenina meus pais me enfiavam livros nas mãos, livros sobre aventuras e histórias. Piratas, Cavaleiros, Reis e Rainhas, Mosqueteiros, soldados corajosos, fadas ciumentas, cientistas inteligentes, dragões rancorosos e heroínas espertas conviviam nos meus livros.

Digam oi pra minha amiga. Ela morava numa árvore no meu jardim, eu juro.

Eu era uma menina atípica, cujas Barbies costumavam ser mais vezes tripulação pirata do que mocinhas casadoiras. E graças aos céus, tive pais que permitiam que assim fosse – e mais que isso, aos poucos iam enfiando na minha cabecinha mais curiosidade. Por conta disso, estudava a enciclopédia para descobrir que Maracaibo era a Capital Pirata, que o Rei Arthur vivia na Inglaterra, que por sua vez ficava numa ilha pertinho da França, que era onde os 3 Mosqueteiros defendiam a Rainha, bem próximo da Itália que fez parte da Volta ao Mundo em 80 Dias, que me levou à Africa selvagem e depois fez com que me afundasse a bordo do Nautillus - e claro que me identifiquei com Bastian Baltasar Bux e sua leitura maluca de uma história sem fim.

Minha idéia de uma tarde agradável: conversar com um dragão

No fim da infância, meu pai me apresentou às aventuras de Bilbo Bolseiro, e li pela primeira vez O Hobbit, o que obviamente me levou ao Senhor dos Anéis. Li os 3 volumes com pressa, em pouco mais de 1 semana, escondida debaixo das cobertas para ninguém me ver virando as páginas no meio da noite, quando deveria estar dormindo. Acompanhei a aventura seguindo pelo mapa da Terra Média, chorei com as mortes dos personagens, me assustei com os Espectros, achei Tom Bombadil bobo e tremi diante do Balrog. Em pouco tempo estava completamente viciada em livros de fantasia. Dizem as más línguas que no fim dos anos 90 eu participava muito ativamente de certos círculos que discutiam o assunto, mas suponho ser boato. Com uns 10 anos de idade li Drácula e passei um mês dormindo de luz acesa, com medo do Conde aparecer.

E foi assim, antes dos 12 anos, que me apaixonei perdidamente por literatura fantástica. A tendência, a partir daí, era só afundar cada vez mais nesse mundo de magia, encantamento…e nerdice.