Casamento gay, concurso de miss e o Brasil
Ontem rolou nos Estados Unidos o concurso Miss USA. Candidatas dos 50 estados americanos disputando pra ver quem era a mais bonita, carismática e tudo mais. Todas são lindas, claro. Tem carão: bocão, sorrisão, cabelão, corpão. Concurso de miss lá é coisa séria, a mulherada passa anos se preparando tanto fisicamente, com regime, malhação, cuidados com pele e cabelo, até ensaios das famigeradas perguntas pra determinar a personalidade das moçoilas.
Esqueçam aquela história de ler O Pequeno Príncipe: as moças se preparam pra perguntas mais polêmicas, como a que o blogueiro de fofocas e juiz Perez Hilton fez pra Miss California: “O que você acha da aprovação do casamento gay em mais um Estado americano? Os outros estados devem aprovar e por que?” A moça se embanana na resposta, como mostra o vídeo abaixo:
Numa tradução mais ou menos razoável, ela diz “Acho ótimo que os americanos possam escolher. Vivemos num país onde se pode escolher entre casamento entre pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto, mas querem saber? Na minha família acreditamos que um casamento deve ser entre um homem e uma mulher, sem querer ofender ninguém, mas é assim que fui criada”. Perez faz cara de pudim com a resposta da miss, que no fim perdeu a coroa pra Miss Carolina do Norte (igualmente linda), ficando em segundo lugar.
Rola agora por aí mais uma polêmica: dizem que a moça proferiu absurdos e que ela não pode falar isso. Perez começou uma mega campanha em seu blog pra dizer que a moça é uma idiota. Eu discordo. Carrie (esse é o nome da miss) apenas falou o que pensa. Ela não foi ofensiva; não disse que os gays são feios, que vão pro inferno ou que devem morrer. Ela disse que desaprova. E pronto. Assim como eu desaprovo botas patas-de-bode, pagode e crianças que gritam e correm em restaurantes.
Combinemos: opiniões diferentes não são um problema. Principalmente se ditas de maneira respeitosa. Deixem Carrie em paz. Ela não quer que gays se casem, mas acha bom que no país dela eles possam ter essa escolha.
E aqui no Brasil? Aqui, gays moram juntos por anos, sem ter seus direitos de casal reconhecidos. Fazem testamentos detalhando a questão da herança, pois no caso da morte de um, o parceiro a princípio não tem direito a nada. O plano de saúde da empresa não cobre o parceiro de mesmo sexo, com honrosas e raras exceções. Muito aos poucos, acontecem decisões judiciárias que defendem os direitos do casamento gay. A custódia do filho de Cassia Eller, por exemplo, é uma vitória: o menino é criado por Maria Eugenia*, esposa de Cassia na época e mãe de criação do garoto. Agora, em São Paulo, um casal de lésbicas talvez consiga registrar seus filhos, gerados na barriga de uma com os embriões da outra, no nome de ambas. Essas pequenas conquistas mostram que aos poucos a mentalidade brasileira vai mudando – e quem sabe, nossas leis mudem também, pra proteger de maneira legal os direitos de que se une por amor.
*Obrigada pela correção, Chico!


Sorry, mas achei hiprocresia dela sim. Falar que não concorda, mas acha legal, é contraditório pra mim nesse caso.
As pessoas colocam as cosias dessa maneira, pra não parecer preconceituoso, e não concordar já a coloca nesse grupo.
Teria sido melhor ela dizer que desaprova de uma vez, do que fazer tipinho.
Gabi,
tomei a liberdade de citar seu blog no meu. Falei sobre um post antigo seu, acho que de março, em que você fala sobre um jogo de videogame idiota, comentei lá e volto a falar aqui, admirei sua coragem em dizer o que pensa sobre o jogo. Parabéns.
A LanLan não era a companheira da Cássia Eller, apenas tocava na banda dela. A companheira dela se chama Maria Eugênia Martins.
“posso nao concordar em nada com o que dizes, mas defenderei ate a morte o direito de dize-lo” Mark Twain
Miss California é preconceituosa? Sim, mas é azar o dela de ter a cabeca pequena, talvez fruto de uma educacao conservadora. Isso nao quer dizer que nao tenha o direito de dizer o que pensa.
Realmente ela nao ofendeu a ninguem.
Agora eu me pergunto como um blogueiro de fofocas pode chamar alguem de idiota? Ele nao tem espelho na casa dele?
acredito que a miss no primeiro momento foi infeliz na resposta, mas pensando bem…ela tomou um posicionamento corrento do ponto de vista que acreditaestar certa
ela foi corajosa, não se vem repreende-lá mas respeita-lá
pois cada um tem sua opnião
Isso só mostra que essa competição não está atrás somente de mulheres bonitas, inteligentes, de bom caráter e que possam representar bem um país.
Vê-se, claramente, que os critérios de escolha da vencedora estão longe de serem os mais adequados para este tipo de concurso. Se uma resposta bem dada, lógica, coerente, aceitável, admirável, decente, moral, racional, que não ofende os bons costumes, aplaudida pela maior parte do auditório presente na cerimônia, cujo tema é absurdamente polêmico em qualquer país do mundo (salvo algumas exceções), foi ou é capaz de determinar a vencedora, temos (eles lá dos EUA) que repensar esses critérios.
Na verdade, a bela Miss Califórnia demonstrou não somente que tem uma excelente opinião, como demonstrou sua autenticidade, seu caráter, sua postura diante de qualquer situação por menos favorável que pareça, que tem princípios de vida e deles não abre mão (não de forma irracional), seja por convicção religiosa, cultural ou familiar.
Vejo nessa atitude, na verdade, um motivo maior ainda para a sua escolha como vencedora daquela competição. Como ela mesma disse, não é política que se discute nesse tipo de concurso. Se a opinião dela não serve para que seja eleita a melhor, que seja assim. Significa que ela não falou ou falaria apenas por interesse na vitória. Que não faz qualquer coisa para chegar onde quer. Lembro que existem coisas erradas a se fazer para se conseguir o que se quer.
Parabéns para a Miss Carrie Prejean.
Espero que no mundo ainda existam mais pessoas com a mesma índole e a mesma disposição de defender o que ainda é tido como correto, independentemente do que acha correto.
Olha, não recrimino a miss por dar a sua opinião. A pergunta veio para criar a polêmica e não devemos descriminar alguém por expressar suas idéias. Seilá… sou a favor da liberdade de escolha e de opiniões, doa a quem doer.
Olá! Adorei o seu blog! Esse assunto é espinhoso e polêmico, mesmo. O fato de dizer que “não aprova” muitas veze se confunde com homofobia, e não é nada disso. A boa notícia é que a justiça brasileira tem caminhado (a passos curtos, eu sei) para discutir o tema com menos legalidade e mais justiça (mesmo). Abração!