Berrini, aqui me tens de regresso – Parte 2
Aí já era hora de almoçar! Decidimos ir a um japonês incrível que tem ali perto. Ao sair do prédio, notamos uma nuvem negra do tamanho de Osasco transformando a Berrini numa Gotham City em pleno meio dia. Bravamente ignoramos os sinais e fomos em busca do salmão perdido. Entretanto, o destino conspirava para que eu disputasse o troféu Gata Molhada 2012 por bem ou por mal. Subitamente, uma tempestade despencou sem dó sobre nossas cabeças. Corri, de salto – mencionei que estava de salto? pois bem, estava – em busca de abrigo sob uma marquise, junto com todas as outras 37 pessoas surpreendidas pela chuva. Enquanto tentava evitar que minha blusa se tornasse pornográfica, fazíamos gestos para atrair um taxista que nos salvasse. Um deles se apiedou e conseguimos nos salvar.
Algumas horas depois, eu ainda tentava dominar o MacBook, criar uma apresentação no keynote, entregar uma lista de uns 70 links e decorar o nome de todo mundo. De novo, falhei miseravelmente. Quando o moço da TI me trouxe um mouse, eu quase o abracei e declarei amor eterno, porque aí eu pelo menos conseguia clicar nas coisas que queria ao invés de fechar as preciosas páginas que estavam abertas.
Na hora de ir embora, saí correndo antes que me demitissem por usar uma camiseta molhada no primeiro dia de trabalho. Piadista, o motorista do ônibus esperou pra sair do ponto 30 segundos antes de eu chegar. Poderia ter dado mais uma corrida de salto alto – afinal, já estou craque nessa habilidade – mas o receio de cair nas imensas poças do terminal Lapa e de fato virar a Gata Molhada me impediram.
Sem saber usar minha principal ferramenta de trabalho, descabelada, molhada, com os pés inchados, mas ainda viva, passei na padaria pra comprar pães antes de finalmente ir embora – e fomos atendidos pela balconista mais mal humorada e resmungona da história das padarias. Ao chegar no prédio o elevador estava parado no último andar.
E isso foi apenas o primeiro dia. Prevejo fortes emoções na minha vida.



