As Flores da Discórdia
Bem, como eu não estou trabalhando e ainda não entrei no pique Seinfeld de escrever sobre o nada, vou compartilhar com vocês uma historinha recente.
Tudo começou quando a loja onde eu trabalhava foi reformada. Bem na entrada, o diretor achou por bem colocar uma bela banca de flores. O chefe II, apesar de falar “menas” e não saber exatamente o que dizer na hora de demissões, tem lá suas competências. Com a exposição mais reforçada, a venda de flores triplicou, a responsável pelo setor ficou feliz e a entrada ficou lindíssima, com uma explosão de cores e perfumes de orquídea.
Corre à boca pequena que na verdade a banca foi colocada ali porque na hora de fazer a planta da loja esqueceram de definir o local exato, e ao questionar o Chefe II sobre onde posicionar a banca, ele respondeu: “Bota em qualquer lugar onde essa merda caiba, puta trambolho dos infernos, da próxima vez faz uma banca menas grande!” E aí a responsável pelo setor e eu colocamos ali, por ser o único local onde cabia o paquiderme em forma de banca, mas isso é só um boato. Vamos dizer que o mérito é todinho dele, porque ele merece. E quem sabe assim ele vire uma pessoa menas besta. Mas estou divagando.
O fato é que a banca ficou linda – e enorme. A parte da frente tudo bem. Mas na parte de trás da banca, onde uma promotora ficava montando os arranjos e buquês, ficou bem no meio da passagem do caixa rápido. E a responsável da Frente de Caixa – cujo nome era Gardênia, vejam que fina ironia – ficou muito brava. Gardênia não poderia se importar menos com a venda de flores. Para ela, o que vale é a produtividade de suas operadoras. Operadora tem que passar os produtos rápido, não errar na hora de digitar o código das frutas e sorrir bastante ao dar bom dia. Operadora não tem que ficar apertada por causa de flores.
E as duas começaram uma guerra fria. Uma vinha reclamar da outra pra mim:
- Gabriela, a Michele colocou um vaso a mais e fechou toda a passagem…
- Gabriela, a Gardênia abre o caixa de propósito só pra minha promotora ficar apertada…
- Gabriela, a promotora da Michele está usando o caixa fechado para colocar vasos em cima, está molhando tudo…
- Gabriela, a Gardênia mudou o caixa preferencial ali pro canto pra atrapalhar a minha venda…
O espaço de oitenta centímetros entre a banca de flores e o caixa se transformou numa faixa de Gaza. Atentados terroristas envolvendo vasos de fores tombados, operadoras molhadas e clientes irritados começaram a pipocar. Os dois lados sofriam baixas e eu era uma espécie de Cruz Vermelha, atendendo a ambas mas sem tomar partido no problema.
Até que um dia a promotora bateu na operadora com uma orquídea. A moça era alérgica e começou a espirrar sem parar. E a orquídea perdeu metade das flores no impacto, que apesar de ser não-intencional, foi bem grande.
Chamei as duas na minha sala:
- Gardênia, meu chuchu. Não adianta ficar de birra, porque a banca de flores vai continuar ali. A venda triplicou e isso é ótimo.
Michele deu um sorriso triunfante e Gardênia cruzou os braços.
- Michele, minha fofinha. Não adianta achar que eu vou tirar um caixa dali, porque eu não vou. Precisamos de todos os caixas abertos porque senão dá muita fila. Então não use o caixa como bancada, não coloque vasos em cima dele e não molhe as operadoras.
O sorriso de Michele murchou e Gardênia descruzou os braços.
- Pras duas: o que importa é que a banca vai continuar ali E AO MESMO TEMPO o caixa vai continuar ali. Vocês podem conviver amigavelmente ou ficar se odiando e alugando meu ouvido pra sempre. A escolha é de vocês.
Elas resmungaram alguma coisa e desceram para a loja para assinar o armistício. Eu fiquei me sentindo o Henry Kissinger de saias e a paz voltou a reinar na entrada da loja. As duas moças ficaram amigas e descobriram que o marido de uma é compadre do irmão da outra e que as duas moravam na Penha. O meu chefe continuou a falar “menas” e “poblema” e as vendas continuaram aumentando.
Quanto a mim, o final também é feliz: neste momento estou prestes a ir relaxar na varanda ao invés de estar prestes a ter uma crise de gastrite causada por stress.
Tenho tentado também assinar um tratado de paz entre a Cuca e os outros gatos, mas eles não aceitam meus termos, tomaram a palmeirinha como refém e exigem resgate em latinhas de ração.
Não se pode vencer todas.


Poxa Gabi, que chato que perdeu o emprego!!! Mas é bom ver que é uma pacificadora nata! rs
Você escreve muito bem. Parabéns!
pelo menas vc se lvrou do estresse de fim de ano no varejo, neam???
bjo
A Cuca já está senil e não é adepta dessas novas correntes de pensamento baseadas em uam convivência pacífica entre povos.
Como eu nunca tive um emprego realmente, só um estágio no qual minha principal função era comprar Coca-Cola pros guris que trabalhavam, não entendo muito acerca de discórdias no ambiente de trabalho. Quer dizer, teve um dia que o patrão me disse pra jogar menos Paciência Spider, mas digamos que ele foi legal.
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Minha mãe também perdeu o emprego nas proximidades do Natal, há alguns anos. Sei lá, isso não faz sentido pra mim. o.O
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Adorei seu puxa-saquismo para com o Inagaki. nada contra, eu ia ficar igualmente deslumbrada se ele prestasse atenção em mim.
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A propósito, eu sou aquela visitante no aniversário do Baco. =)
Bjo
Mundo de bosta! Blog tudo de bom!
Você trabalhava num hospício? Ainda bem que saiu, coitada.
Gabi, dearest, eu li todos os posts que faltavam pra me atualizar, mas resolvi comentar tudo de uma vez, porque preencher esse formulario de nome-email-site eh um saco.
Entao. Eu achei que nao dava pra historia do Eric sobre o Nike 10k ficar mais hilario, mas ficou. FANTASTICA a visao da equipe de apoio do “atreta”! ahahahaha
Carta do Papai Noel – as duas versoes – fodas! Soh voce mesma pra pedir que o filme do Sex and the City seja bom!
Demissao e adjacencias…nhe…o tucanes eh uma merda mesmo, ainda mais vindo de alguem que diz menas.
Agora, ca entre nos, se voce conseguir tornar a Cuca um ser respeitador de armisticios e sociavel, merece o premio nobel da paz!
Beijo!
(ufa, agora que coloquei em dia posso voltar a comentar decentemente, um de cada vez!)
Viu? Ja pode ir trabalhar na ONU. Sobre os gatos nao adianta, nao ha solucao.
BEIJOS!