24
Jul

A derrocada do proletariado

por Gabi

Aí que eu sou pobre exigente com minha alimentação e trago marmita pra agência todo dia. Trago o famoso trivial variado, aquele arroz-com-feijão moleque que aparece nas marmitas de todos os trabalhadores do país. Minha marmita cheira bem; sempre tem alguém dando uma olhadinha no conteúdo e fazendo “nham!”. Acho que é porque eu sempre trago comida “de mãe”, coisa que a moçada que mora sozinha nem sabe o que é.


Minha mãe de verdade é morena e só cozinha se for obrigada.

Hoje descongelei uma feijoada, trouxe com arroz branco, farofa e uma verdurinha, além de duas mexericas. Diliça. Na hora do almoço, a cozinha fica meio cheia, é tipo um rush na copa. E rola uma fila, a gente organiza as marmitas em fileira porque o microondas só dá conta de um prato por vez. Hoje, inocentemente, furei a fila e esquentei meu rango antes que o Guilherme, do Atendimento.

Furioso, ele jogou minha marmita no chão e pisou em cima. Sem querer, ao colocar a dele no microondas, o cara bateu a mão na minha marmita e ploft!, tudo foi parar no chão. E eu fiquei assim:


so sad

O Guilherme, feliz da vida por arruinar meu almoço muito chateado com o ocorrido, fez de tudo: me ofereceu a própria marmita, pediu desculpas, e no fim pagou meu almoço no restaurante tailandês gostosinho que tem aqui perto. Tá, tava bem gostoso e eu dei risada com o pessoal, mas ter a marmita derrubada é tipo um trauma. Vou pedir pra ele me dar um liquidificador pagar a terapia.

Porque assim: hoje o dia foi meio que uma experiência do capitalismo. Eu saí da ponta do proletariado (marmita) pro topo da cadeia alimentar (restaurante chiquezinho), em questão de segundos. Tô até agora tentando pensar se eu tô chateada por perder a feijuca ou feliz por ganhar um almoço.

Aceito sugestões.

10 Responses to “A derrocada do proletariado”

  1. Gisele says:

    Gabi, eu tenho uma história muito triste com feijoada. Pega o lenço.
    Primeiro eu preciso dizer: AMO FEIJOADA.
    Ok, em uma noite fria de julho do ano passado iam servir feijoada no refeitório do jornal que eu trabalho. Era um dia feliz. Estava até meio que jejuando, guardando espaço para a tal feijoada.
    Eis que cai o avião da TAM. Uma tristeza, como todos sabem. E eu não pude sair para comer minha feijoada. Tive que me contentar em comer uma pizza requentada, além de trabalhar até às 04 da manhã. Que tristeza! Em todos os sentidos.
    Até hoje o pessoal tira onda da minha cara de “saco, não vou poder comer feijoada”.

    Beijo!

    São dois motivos de tristeza distintos, porém válidos!

  2. pati rabelo says:

    gabi, vc não existe. incrível como vc consegue mandar o glam p/ as cucuias e ser hilária nos seus posts. adOro!

    Não dá pra ter gramú comendo marmita, amiga!

  3. Carol says:

    Ah eu cansei de almoçar fora todos os dias e fico até com injevinha (boa) de quem traz comida de mãe….
    Bjo!

    PS: vou aproveitar a sua dica do restaurante tailandês!

    Ah, prepara em casa, fica tão bom! e avisa quando for no Thai que eu vou junto!
    *se convida*

  4. Bruno says:

    Como eu tb sou pobre e ainda moro com a mamãe, almoço comida de mãe todo o santo dia. A não ser nos finais de semana que rola um restaurantezinho pra fazer uma graça com a namorada…

    Você é feliz, meu amigo….

  5. says:

    Manda sua história pro “Recicla, Justus”. Duvido que ele leva marmita pro trabalho.

    Se levar, aposto que é servido em bandeja de prata… ;)

  6. Lecticia says:

    Eu como comida da mamãe todo dia também, mas sempre passo na casa da sogra pra reforçar a marmita. E nenhum restaurante por perto do meu trabalho consegue superar a comida da sogra. :D

    Olha, minha sogra faz um bolo de cenoura dos céus…

  7. Guilherme says:

    Sim, sim… Derrubei mas, foi sem querer ou não! ehehehe… Brincadeira Gabs… Da próxima vez derruba a minha que tudo fica certo. Bom é isso… E bora almoçar daqui à pouco! Bjão

    Olha, gente! Ele assume o ataque!!

  8. Tayra says:

    Não faz a desiludida, que você se acabou no Tailandês… =D

    Mas eu ainda acho que você deveria comercializar marmita… ;)

    Nossa, comi muito! *baba*

  9. Ju Dacoregio says:

    Ganhar um almoço num restaurante legal é muito bom, mas passar a manhã inteira pensando no arrozinho com feijã que você levou e depois ver tudo se espatifar no chão é triste!

    Quase chorei, Ju!

  10. Carol says:

    Gabizinha, não creio! Quando a gente unfurnava as duas marmitas no microondas não dava uma dessas né? Hahahahaha!

    Mas o Gui é um doce de menino, imaginei que pagaria almoço logo quando li que ele derrubou a marmita…

    Você como sempre foi hilária no paradoxo, por isso que eu sou muito sua fã!

    Beijão!

    Menina, ninguém quer saber de fazer aquela “pirâmide” de marmita que a gente fazia… aparece pra amoçar e mostrar pressa gente como é que se faz!

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