#prontocasei
- Quer casar comigo?
Pisquei e não entendi a pergunta direito. Depois de quase 3 anos de namoro e mais de um ano morando junto, ele vem me perguntar isso numa noite de maio, numa cantina feia que tem na frente do prédio. Na mesa do lado, um gordo bêbado tocava uma música no violão. Acho que era Ticket to Ride, mas ele cantava algo como “shigotchatchiqtchuva-ái”.
Mas era isso mesmo. O pedido de casamento menos romântico do mundo, até porque estávamos discutindo a conveniência do plano de saúde. A solução mais prática e econômica seria mesmo casar. Ou seja, foi a coisa menos romântica do mundo, de longe. Nem precisava ter um gordo bêbado por lá cantando Beatles num ritmo todo próprio.
Mas tudo bem. A gente se conheceu no bar, por amigos em comum. Naquela noite eu usava um esmalte que combinava com o cachecol e ele chegou tarde, porque estava trabalhando. Antes de nos conhecermos, tínhamos algo em comum: ambos eram conerciários, com semana de trabalho de 6 dias e muitas horas extras não-remuneradas.

Com o tempo, veio a vontade de ficar junto e um belo dia, depois de um incrível jogo de futebol da Copa do Mundo, rolou. Eu morrendo de medo de me meter em novo relacionamento, ele fingindo que nem ligava. Aos trancos e barrancos a coisa foi pra frente. Segundo o Junior, só começamos a namorar porque ele morava longe e eu tinha preguiça de dar carona.
O tempo passou e ele foi trabalhar com nossa amiga Alê Félix, nas Perdizes. Era do lado do ex-apartamento, e aí ele veio morar em casa. Afinal, não fazia sentido ele ficar indo e voltando pro Tucuruvi se poderia ir trabalhar a pé, não é?
Isso faz tempo, já. Depois disso, ele mudou de emprego de novo; eu perdi um emprego e achei outro e depois outro; amigos chegaram, o Corinthians caiu pra segunda divisão e voltou, o Julio finalmente achou alguém que o ature pra amar, a Lelê namorou, noivou e teve 5 relacionamentos firmes, além de mudar de faixa no kung fu 4 vezes (segundo ela mesma); a Cyntia casou e teve uma filha linda; o V. separou do magrelo e ficou muito mais gato; eu fiquei sem um tostão, depois tive aumento; virei profissional de mídia social; minha mãe criou um blog e quebrou o pé; o pai dele foi trabalhar fora de SP; briguei com a imobiliária; alugamos um apartamento escolhido pelos dois e cujo aluguel e despesas são firmemente divididas; adotamos mais dois gatos.
E aí hoje, na hora do almoço demos um pulinho no cartório pra fazer a tal declaração de união estável. Assim, como quem vai até o parque fazer um piquenique, saímos debaixo de chuva pra assinar os papéis. A bestona aqui, nevosa, assinou errado e teve que refazer o cartão de assinatura. O moço do cartório ficou com pena e no fim aceitou; autenticamos, copiamos, pronto. Casamos.
Aí eu contei isso no Twitter e senti o verdadeiro poder do buzz: os amigos queridos que fizeram parte dessa história toda ligaram, mandaram email, chamaram no msn, mandaram mensagem e me fizeram ficar emocionada com a idéia deles: não vão deixar passar em branco. Já me comunicaram que semana que vem tem festa. Eu não tenho dinheiro; eles também não. Vão fazer vaquinha, pedir pros amigos todos e reunir as pessoas queridas num local pra celebrar a bagunça. Não sei se vai ser churrasco, feijoada ou boi no rolete – mas também não me importo. Os amigos vão estar lá. A família vai estar lá. O meu marido vai estar lá.
E eu agradeço a eles, porque isso no fundo é importante pra mim. Agradeço à minha mãe, que gosta muito do genro dela. E agradeço ao Eric, que deve ser completamente maluco pra topar dividir o resto da vida dele comigo.











