Vanity Fair
Fui ao cinema com Mamãe assistir O Diabo Veste Prada.
Meryl Streep divina de novo ao interpretar a editora de uma grande revista de moda. E tome figurinos maravilhosos!
Eu queria todos, todos os casacos, os sapatos, as bolsas, óculos escuros, e até mesmo a boininha xadrez que a mocinha aparece usando. E as botas Chanel até a coxa? Oh my.
Não sou uma pessoa fútil, obviamente. Mas as botas Chanel? Ah, me tiraram do sério. Se eu tivesse dinheiro, compraria e usaria, nem que fosse para ir até a padaria.
Depois do filme, faminta, fui comer com a mamis.
Galeto desossado, sem pele, acompanhado por folhas verdes da estação. Não veio nem um tomate no prato.
Notei que um pedacinho do galeto ainda tinha pele. Torradinha e crocante, cheia de gorduras e hormônios animais.
Deixei para comer no final, naquele último bocado, pra ter uma boa lembrança daquele pobre franguinho.
Para que ele não houvesse morrido em vão, entendem? Porque acabar com uma vida apenas para ingerir proteínas sem gosto não vale a pena, carmicamente falando.
A vaidade nunca foi meu pecado capital favorito, mas agora que o Big30 se aproxima eu agradeço por ter começado a usar cremes dermatológicos bem cedo.
E agradeço pelo fim do meu casamento que me fez emagrecer sete quilos, que até a presente data não voltaram. E cuja ausência me proporciona usar calças tamanho 42, que ficam até larguinhas na cintura de pilão que voltou a existir no meio do meu tronco.
Hoje achei um cabelo branco e o arranquei. Sem dó, sem nem pensar que isso na verdade é um sinal de amadurecimento, que a idade traz experiência e que a cada cabelo branco que se arranca, dois nascem.
Dane-se a vivência e a experiência. Foda-se a superstição. Já comprei um novo tubo de wellaton e irei pintar meu cabelo em breve.
Uma dose de vaidade faz bem.

