por Gabi
De volta à São Paulo, depois de fim de semana perturbado em Ubatuba.
Perturbado, porém delicioso.
Cheguei na quinta à noite, diretamente num forró. Isso mesmo, um forró, com trio com zabumba e tudo mais. Por falta de par adequado, não dancei nada. Onde estão os amigos gays quando a gente precisa deles?
Na hora de dormir, diálogo bizarro.
-…Gabi?
*ronca*
-…Gabi-iii?
- Hãn? Hein?
- Preciso te perguntar uma coisa séria…
- Manda.
- …você tá vendo uma luz piscando no teto…?
*olha*
- Tô.
- Que bom. Achei que eu tava delirando.
- Delírio seu foi me acordar, maledeto.
Na sexta, liderados pelo sempre animado Xan, fizemos uma leve caminhada. Apenas 50 minutos de subidas e descidas. Graças ao meu preparo físico adquirido em muitas horas de esteira, consegui chegar ao Bonete viva. Aí, pra me acabar de vez, fui dar um nadão.
Dar um nadão é uma atividade que consiste em mirar um ponto no horizonte e sair nadando na direção genérica da África. Depois, você volta pra terra firme. Ou tenta.
Cosnciente do meu cansaço, optei por dar um nadão ao longo da praia.
Caí na areia e dormi duas horas. Acordei sequinha e com fome. Lembrei que tinha que andar toda a volta. Cogitei a hipótese de morar no Bonete pra sempre. Chorei. Levantei e voltei fofocando com a Sabrina.
Chegando na quitanda, percebi que tinha perdido a carteira de motorista, o cartão do banco e 20 reais na caminhada, provavelmente na hora selvagem em que tirei a roupa (ui!) pra atravessar um rio a nado depois que a maré subiu horrores.
- Quer voltar pra procurar, Gabi??
- Valeu, Xan, eu prefiro cancelar tudo. Cansa menos ir ao Poupatempo.
Depois de convencer a dona da quitanda a vender fiado, organizamos uma festa junina, com fogueira, vinho quente, pé de moleque, uma beleza.
- Nossa, que fogueirona…
- De onde o Edy tira toda essa madeira, hein Gabi?
- Acho que ele está demolindo a casa. Aquilo não é um caibro?
- Putz.
Sábado, fui acordada com a notícia de que o Bussunda havia morrido. Fomos pra praia caminhar e exorcizar o mau colesterol. De repente, uma bolinha de borracha passa a milímetros da minha cabeça. Eram uns meninos jogando taco.
- Carai!
- Foi mal, tia!
- Carai!!!! Tia, meu???
- Putz, se fosse comigo acertava bem no meio da testa.
- Por que, Claudia?
- Ah, eu tenho um X na cabeça…
- Ãhn?
- Coisas que voam fatalmente vêm na minha direção.
- Nossa.
Cinco minutos depois, um frisbee desgovernado acerta a cabeça da menina. Juro.
Sensibilizados com a morte do humorista e o ataque dos frisbees assassinos, organizamos um luau, com fogueira, vinho quente, pé de moleque… essencialmente tudo que havia sobrado da festa junina.
- Olha que fogueirona de novo…
- Cara, essa é a viagem mais anti ecológica ever.
- Ah, Gabi…
- Vou ali abraçar uma árvore e já volto.
- Gabi, larga o vinho quente…
- Pô.
Na hora de dormir, de novo:
- …Gabi?
*ronca*
- …David?
*ronca também*
- Pô, acorda aí que eu tô vendo umas luzes brilhando no teto!!!
*sorriso mau no escuro*
- Que luz, Kwuahara?
- Ali, ó…
- Tô vendo nada… e você, David?
- Também não…
- Ai, merda, bebi demais.
*risadas maléficas*
- Gente… posso acender a luz?
- Era zoeira, Ku…
- É, a gente também está vendo… é a lâmpada que está ruim…
- Nada, vocês querem me enganar pra deixar a luz apagada e conseguir dormir… Se eu não durmo ninguém dorme!
- Droga.
No domingo, mesmo tendo dormido pouco graças à uma lâmpada com mau contato, acordamos pra ir pra praia. Por conta do frio siberiano, adivivinhem? Acendemos uma fogueira. Chico Mendes ficaria orgulhoso.
Depois, assistimos o jogo meia boca do Brasil, dormimos muito e voltamos pra São Paulo hoje de manhã.
Engraçado: as pessoas mudam muito e não mudam nada, ao mesmo tempo.