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14
May

Tudo que você sempre quis saber sobre sexo, pizza e blogs

por Gabi

Com o objetivo imoral de transformar este blog num campeão de acessos da net e conseguir um convite pra festa do spam, digo, do Copo Vermelho em uma semana, hoje vou falar de sexo!

Na noite de ontem, rolou uma pizzada na casa da Lilhá. Claro que isto era apenas uma desculpa esfarrapada da ovelhinha para uma louca orgia que durou até o amanhecer.

Partimos rumo a ZL, eu Junior e Julio – Que espécie de orgia seria sem um imperador romano? No caminho cooptamos Alê Felix, que ofereceu certa resistência, é verdade, mas acabou cedendo depois que liberamos que ela levasse seus amigos anões besuntados em óleo.

No caminho, cantamos Frank Sinatra pra criar um clima sensual e envolvente já no carro. Como não funcionou, voltamos aos diálogos de sempre:

- Eu tenho uma verdadeira democracia corinthiana na cabeça.
- Isso se chama esquizofrenia, Gabi.
- Ops.

Chegamos, pedimos as pizzas, turbinamos a baladinha com garrafas de vinho e Jack Daniels. Mais tarde juntaram-se à nós diversas pessoas: Théo e seu primo, Eric e seu gogó sedutor, dois advogados chamados Zé – o que facilitou bastante pra decorar os nomes – e um rapaz de Minas que instantaneamente ganhou o apelido de Varginha e provocou os mais baixos instintos de uma das moças presentes. Pensem em feromônios, crianças!

Como os anões e as dançarinas de hula-hula chegaram logo depois, ficou tudo rapidamente resolvido.

Apesar do meu desejo por audiência, este continua sendo um blog familiar. Por isso, não vou descrever detalhadamente o que aconteceu, mas gostaria que todos soubessem que terminamos a noite no quarto de Lilian, amontoados e aquecidos.

Houveram muitas menções à partes muito íntimas da anatomia alheia, filmes pornográficos, acessórios eróticos de plumas e rendas vermelhas. Existem fotos e gravações em áudio para comprovar tudo isso.

Já de manhã, as modelos e manequins e os go-go boys lembraram que também têm mães e tiveram que ir embora. Aí a festa acabou, para tristeza de todos.

Usando todo o meu charme, consegui convencer o pobre Zé a me trazer até a porta de casa, a despeito do fato de que ele mora na Aclimação. Era o mínimo que eles podiam fazer, depois de eu ter agitado aquela stripper gata pra ele!

Eu dormi por 3 horas completas, consegui instalar o Speedy e tudo acabou bem.

Feliz dia das mães à todos.

11
May

A mesa das sete colheres

por Gabi

Aniversário da Dani, fomos jantar no Spot: sete mulheres numa mesa falando besteira e tomando vinho.

Flavio, nosso garçom-fotógrafo-sex symbol, indicou saladas e massas leves, pois sabia que aquele bando de calcinhas não ia querer comer uma picanha mal passada, por exemplo. Aceitamos as sugestões pois somos muito saudáveis, e eu comi um delicioso spaghetini cogumelo.

Veio num prato enorme: pena que a porção ocupasse uns 4 centímetros cúbicos no centro do prato. Mas como havíamos pedido um vinho gostosinho, acabei relevando.

Falávamos sobre a situação política na Albânia, quando de repente surge um rapaz num terno muito bem cortado:

- Hello! Do you speak english?

Geral respondeu yes, mas eu reproduzirei o diálogo em português para facilitar a vida dos leitores:

- Olha, meu nome é Sam e eu estou numa mesa com 4 homens muito feios…posso sentar aqui com vocês, mulheres lindas?
- Claro! Senta aí, quer um vinho?
- Obrigado, estou tomando whisky mesmo…

Papo vai, papo vem, descobrimos que o moço trabalha na Gucci – explicado o terno bem-cortado – e era de Miami – explicada a cara de pau. Estava em São Paulo a trabalho e doidinho pra ir pra balada.

- E então, qual é o lugar pra se ir saindo daqui?

Eu quase respondi que era pra ir pra minha casa, mas achei que ia ser mal entendida: ao invés de achar que eu estava cansada pacas e queria dormir no meu travesseiro fofinho, as pessoas iam achar que eu sou uma recém separada com fogo no rabo.

Bem.

Passamos alguns minutos conversando sobre temas variados. Enquanto Elisa tentava explicar pro americano que trabalha na Gucci o conceito das Casas Bahia – ela já estava fazendo um desenho no guardanapo – vem um dos amigos e senta bem ao meu lado:

- Olha aí, a gente achou que ele não teria coragem de vir…
- E ele veio, sozinho e sem falar português.
- É, ele é corajoso.
- Mas você não é um bom amigo.
- Por quê?
- O cara precisava da tua ajuda e você não estava lá.
- Mas…
- Isso não se faz.
- Oh my…
- Vai lá e pede desculpa pro teu amigo.
- Ok.
- E nunca mais deixe seu amigo sozinho em terras estrangeiras.
- Pode deixar.

Eu vi lágrimas nos olhos do moço. Não sei bem por quê, mas eles voltaram para sua mesa logo depois disso.

Aí chamamos o garçom-estudante-futuro genro da minha mãe:

- Flavio, queremos um suflê de chocolate, um profiterole e sete colheres.
- Sete?!
- A menos que você queira sentar aqui do meu ladinho. Aí pode trazer oito.
- Er… só um minuto.

Ele trouxe as sobremesas, as sete colheres, um bolinho de aniversário pra Dani, e cantamos parabéns entusiasticamente no meio do Spot, ajudadas pelos gringos animados.

Queimamos um pouco o filme e perdemos a pose de moças modernas quando cantamos “Com quem será, com quem será, com quem será que a Dani vai casar” a plenos pulmões.

Pedimos café. Junto veio a conta – doeu, mas valeu a pena.

Deixamos uma gorjetinha substancial pro garçom-go-go boy-massagista e fomos embora pra casa mais pobres e bem mais felizes.

De novo.

10
May
09
May

Mulher não faz sentido

por Gabi

- Preciso da tua opinião.
- Manda.
- Vou ligar pra ele.
- Liga.
- Ele não vai me achar uma louca?
- Vai.
- Então não vou ligar!
- Aí ele não vai saber que você está a fim.
- Ai meu deus.
- Se você não ligar, vai perder o cara.
- Mas se eu ligar…
- Se você ligar, ele vai te achar uma mulher legal, super resolvida…
- Eu não sou super resolvida.
- Não?
- Não. Se fosse, ligava pra ele.
- Verdade. Mas liga mesmo assim.
- E falo o quê?
- Fala… ah, sei lá, fala que ligou pra dar um oi.
- Ridículo.
- Ridículo é você perguntar o que fala.
- Verdade.
- Fala o que quiser. Fala do jogo de domingo.
- Que deprimente.
- Fala que você mudou de time.
- Aí ele vai achar que eu sou lésbica.
- Ele já acha, lembra?
- É mesmo. Essa conversa está muito bizarra.
- Como sempre.
- Vou lá ligar.
- Mas não hoje!
- Por que não?
- Não se liga pra ninguém no dia seguinte.
- Então vou ligar amanhã.
- Não se liga pra ninguém numa segunda feira.
- Porra. Primeiro você me incentiva, depois me demove da idéia…
- Ah, eu sou assim mesmo.
- Então não falo mais com você.
- Duvido.
- Eu também.
- Liga na terça.
- Que dia besta.
- É um dia ótimo.
- Explica melhor.
- Pensa bem: se você liga no dia seguinte, mostra ansiedade. Se liga na segunda, não faz sentido. Se deixa pra ligar na quarta, já passou muito tempo. Terça é perfeito.
- Eu tenho terapia na terça.
- Mais perfeito ainda pra lidar com a rejeição.
- Mas que falta de incentivo!
- Então vai lá ligar.
- Mas não era pra eu esperar?
- Ah, sei lá. Preciso desligar pra fazer cocô.
- Ai, que nojo.
- Eu sempre faço cocô quando falo com você.
- Ai, que nojooooo!
- Preciso falar mais vezes com você. O desafio Activia falhou comigo.
- Como pode começarmos uma conversa comigo abrindo o coração e terminarmos com você falando de cocô?
- Ainda não acostumou?
- Não.
- Então tchau, um beijo.
- Outro. Boa noite, mina.

07
May

Frank é o rei

por Gabi

The Shadow Of Your Smile

The shadow of your smile when you are gone
Will color all my dreams and light the dawn
Look into my eyes my love and see
All the lovely things you are to me

Our wistful little star was far too high
A teardrop kissed your lips and so did I
Now when I remember spring
And all the joy that love can bring
I will be remembering the shadow of your smile

06
May

Os fakes do Orkut

por Gabi

Primeiro, era a alegria do Orkut: todo mundo visitava todo mundo, fuçava nos perfis, investigava as comunidades. Dava para paquerar o gatinho, vigiar o ex, saber o que seus amigos estavam aprontando, acompanhar os barracos em scrapbooks alheios… Tudo anonimamente, que delícia! Uma alegria só!

Era como antes do bina, quando você tinha quatorze anos e ligava pra casa do menino que você gostava, ele atendia e ficava falando Alô! Alô! e você desligava ofegante por ouvir a voz do seu querido.

O paraíso dos tímidos ao alcance de uma ligação ou de um clique do mouse.

Ai veio o bina, mas eu já era mocinha demais pra me importar muito.

Aí veio o visualizador de perfis e foi tudo por água abaixo. Sem aviso, as pessoas começaram a saber quem as havia visitado, diariamente.

Os incautos foram pegos no pulo: A-há!
E os pobres tímidos foram descobertos e se trancaram nos quartos e cobriram as cabeças com edredons fofinhos. E temeram por seu anonimato.

Como a necesside é mãe da invenção, alguns usaram a criatividade: criaram perfis fake para visitar o orkut alheio e fuçar sem receio de serem descobertos.

Hoje recebi duas visitas dessas. Um deles usa o tenebroso pseudônimo Trico Lor. O outro é um João Ribeiro e me visita quase diariamente.

Achei um horror: se esconder atrás de um alias em um espaço tão público quanto o Orkut é besteira. Sua vida está lá, aberta. Mais tranquilo é simplesmente desabilitar o visualizador – você não vê ninguém, ninguêm vê você. Coisa simples, como era antes.

Mas o fake é desonesto. A sensação é a de que alguém está interessado na sua vida e você não pode oferecer a contrapartida e se interessar pela vida alheia também. É injusto.

Fora o trabalho que dá: criar um e-mail falso, se convidar, aceitar, se cadastrar… Não tenho saco pra isso. Prefiro deixar meu nome lá, brilhando, e pronto.

Sejamos bisbilhoteiros assumidos!

05
May

Pacaembu, 3 a 1 River

por Gabi

Trinta e cinco mil pessoas não conseguem fazer o serviço de onze. Não conseguem colocar a bola pra dentro da rede. Trinta e cinco mil mentes voltadas para o mesmo objetivo, rezando, agarrando a camisa, gritando. E ainda assim o Timão perdeu.

Jogo tenso, desde o começo. A torcida não vibrava como estou acostumada a ver. Os gritos rareavam, à nossa volta as pessoas com os maxilares tensos, os braços cruzados, ombros encolhidos.

No terceiro gol, o Pacaembu silenciou. Durante um ou dois minutos, ninguém acreditava. E aí começou a invasão. Primeiro um torcedor entrou e foi ate Tevez, com as mãos em posição de “Como assim?”. Foi retirado pela segurança. Depois mais um, mais dez, mais mil. Uma multidão forçava o portão de acesso ao campo. As pessoas na arquibancada tentavam sair por cima.

A Polícia Militar, em número muito menor, usava cassetetes, balas de borracha e bombas de pimenta para conter o grupo que tentava invadir o campo. Talvez movidos pelo desespero, jogaram bombas na arquibancada, causando pânico e correria. Vi pais com filhos tentando passar para sair dali, namorados protegendo suas namoradas, senhores de idade subindo as escadas o mais rápido que podiam.

A multidão lá embaixo não via nada.

Para aquelas pessoas não importava o jogo. Eles não sentiam medo, nem dor: apenas a raiva de ver um sonho despedaçado, a frustração de saber que mais uma vez o Corinthians não será campeão da Libertadores. Sonho antigo, sonho que esse ano parecia ter possibilidade de ser realizar. E de novo, caímos.

Caímos em casa, frente a um estádio cheio, com trinta e cinco mil corações corinthianos que se partiram um pouco mais a cada gol do adversário.

E fizemos feio, tentando invadir o campo pra mudar alguma coisa com a força bruta. O que mais aqueles trinta e cinco mil homens podiam fazer, além de colocar toda a frustração pra fora?

Fico triste de ver meu time perder, fico ainda mais triste de vê-lo perder dessa maneira, com a partida encerrada aos 36 do segundo tempo por conta de uma invasão de campo.

Triste, cheguei em casa cansada e até agora não consegui dormir. Comi as unhas, suei, cantei, gritei, vibrei e sofri. Fui uma das trinta e cinco mil vozes que tentaram empurrar a bola dos pés do Nilmar pra dentro do gol, que tentaram fazer com que as mãos de Silvio Luis fossem mais firmes, que tentaram fazer com que o cruzamento do Ricardinho tivesse um metro a mais ou a menos.

E agora, sozinha em casa, sou uma das milhões de pessoas que se sentem tristes por não poder fazer mais pelo trabalho daquelas onze dentro do campo.

03
May

Quantos elefantes cabem num fusquinha?

por Gabi

Eu resolvi fazer uma feijoada. Mas não podia ser uma simples feijoada. Tinha que ser a maior feijoada já feita neste edifício.

A princípio, chamei apenas os que ajudaram na mudança: Família Macedo, Julio e Junior. Aí resolvi chamar também o Eric, a Lilian, a Alê. E o Penin, Gerson, Thiago, Regina. O Daygo. Minha mãe. Convidei o Silveira, mas ele declinou. Ainda bem, não ia caber. Façam as contas: tratam-se de 14 adultos, mais o Lucas, que apesar de pequeno ocupa um espaço enorme.

Meu novo apartamento tem 40 metros quadrados. Um quarto, banheiro, sala, cozinha e uma pequena varanda.

E nele entraram, ao mesmo tempo, 15 pessoas. Nunca imaginei que isso seria possível, e fiz questão de tirar fotos. No dia que me mandarem, posto aqui.

A primeira a chegar foi Mamãe, que ajudou fazendo um molhinho ótimo e a farofa. E eu lá, mexendo o panelão, fechando 68 pastéis (eu contei) e fazendo panelas de arroz. Refoguei a couve e pronto. Aí toca o interfone:

- Olha, é meio estranho…
- Pode falar.
- É o clã Macedo… não entendi nada.
- É um monte de gente, mais uma criança?
- É.
- Então deixa subir.

Dali a pouco, chega Lilian, que carregava Eric e uma caixa de cerveja aberta:

- Já tomei algumas.
- Tudo bem, tá calor.

Daygo subiu no mesmo elevador, e rapidamente deduziu:

- Hummmm… essas cervejas… vocês vão na Gabi!
- Verdade!

Penin, Thiago, Regina, Gerson chegaram depois, e só os perdoei pelo atraso porque trouxeram cervejas.

Alê Félix foi a última, mas tudo bem porque ela trouxe cadeiras, que eram mais do que necessárias – o Eric estava voltando às suas raízes hobbtianas e comia sentadinho no degrau da varanda.

Muita feijoada e algumas poucas cervejas depois, tinha gente sentada na sala, no quarto, na cozinha. E o enorme espaço proporciona um conhecimento do que os outros falam: dápra ouvir tudo, de todos os cômodos.

Mamãe resolveu pôr o Julio pra lavar a louça. De avental de vaquinha. Também tem foto, claro.

Junior fez piadas sugerindo que minha feijoada era de lata da Bordon. Só deixo quieto porque ele vai me pagar um jantar no D.O.M na semana que vem.

Daygo fez seu outing em casa – Go boy! – e me deu umas dicas fantásticas sobre física quêntica, macramé e pesca esportiva.

Lilian, Lelê e Dona Rose foram embora cedo e levaram Lucas. Thiago e Regina se foram porque moram muito longe. E Gerson, cuja garganta começou a fechar devido ao pêlo de gato, sabiamente retirou-se antes da traqueotomia tornar-se necessária.

Aí sobraram apenas 8 pessoas e tava quase dando pra ir no banheiro sem tropeçar em ninguém, e o resto das pessoas ficou na minha casa até altas horas, conversando e tomando cerveja. Ainda assim sobrou cerveja. Acho que as pessoas acabaram superestimando a própria capacidade de consumo de álcool. Ou seja, em breve, nova reunião pra tomar o resto da cerveja.

Agradeço a todos pela presença e vamos ao desafio: da próxima vez, quero colocar 20 pessoas aqui dentro.

Não tinha ninguém na área de serviço, pôxa.