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30
May

Ele de novo

por Gabi

Eis aí­ meu Orkut.

Sorte de hoje:
Você e sua mulher terão uma vida feliz

Eu e minha mulher?

Deve ser a Ísis.

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Update: Letra de música levemente temática – apenas porque estou ouvindo-a sem parar.

Fuck Forever – Babyshambles

What Im saying, what I’m saying
Whats the use between death and glory?
How d’you choose between death and glory?
Happy endings, they never bored me
Happy endings, they still don’t bore me
But they, they have a way
They have a way to make you pay
And to make you toe the line
Sever the ties
Oh I’m so clever
But cleverly wise

Fuck forever
If you don’t mind
Oh can we fuck forever?
Good pal of mine, of mine, of mine, of mine, of mine

Oh whats to tell between death and glory?
Whats to tell between death and glory?
New lab-our and Tory
Pergatory and no happy families

Oh, so what I’m saying
What I’m saying
No, its not the same
Its not supposed to be the same
Oh, I’ll tell you about the way
The way they make you pay
And to make you toe the line
Sever the ties
Oh, you’re so clever, oh yeah
But you’re not very nice
So I say fuck forever
If you don’t mind
‘Cause I’m stuck forever
Stuck in your mind, your mind, your mind,
Do you mind?

Oh they have a way
A way to make you pay
And a way to make you toe the line
Sever the ties
Oh so clever
And so very wise
So fuck forever
If you don’t mind
I’m stuck forever
In your mind, your mind, your mind,
Do you mind?

29
May

Segunda feira é sempre uma beleza

por Gabi

Hoje foi um dia de fortes emoções para mim.

Depois de muito trabalhar no final de semana, aproveitei o dia de folga lindamente: acordei bem tarde, sem sonhos com anões.

Depois almocei com o ex-marido e o obriguei a comer comida saudável, num restaurante natural, para que ele relembrasse os bons momentos de nosso relacionamento.

Aí fui pra 25 de Março, em busca de complementos para minha fantasia de diva, que usarei na próxima sexta. Comprei uma linda coroa de brilhantes e mais umas bobagens que eu precisava.

Na saída de uma da lojinhas, uma gangue de assaltantes lutadores de kug fu me abordou e tentou roubar minha nova coroa. Eu reagi, mandei um sidekick no peito de um, soltei um hadouken na cara do outro, dei um rabo-de-arraia no mais distante e eles desistiram.

Mentira, na verdade foi só um moleque de rua que puxou a alça da minha bolsa. Eu puxei de volta e gritei:

- Tá louco, moleque??
- A bolsa aê, tia!
- A bolsa o cazzo! Larga isso!!!
- Foi mal aê, tia…

Ele desistiu do roubo e foi achar uma vítima menos resistente.

Na hora de vir embora, estava eu tranquilamente sentada no metrô, devaneando sobre o momento no qual eu chegaria em casa e colocaria minha coroa, quando as luzes se apagam, o ar condicionado desliga e eu começo a sentir um cheiro de queimado.

Quando você se vê numa situação de possível pânico, a primeira coisa a se pensar é se as pessoas próximas a você parecem personagens de filme de ação.

No vagão comigo tinha um gay, um casal de adolescentes, um rapaz negro, uma senhora de idade, um rapaz fortão e uma moça com blusa decotada. Pensei:

- Ferrou. Só faltou uma freira e uma criança doente. Eu e o negro bonito ali vamos ter que salvar os demais de uma bomba no metrô.

Eu já imaginava os créditos iniciais de um filme do Will Smith, quando chegamos à Estação Clínicas. O trem parou, abriu as portas e…

- Gente, olha a fumaça!!

Era a senhora de idade que apontava para o meu banco e mostrava um monte de fumaça cinza que saía dali.

Levantei correndo, pra deixar claro que não era pum.

Pânico. As pessoas do nosso vagão saíram e ficaram na plataforma. Como eu previa, o rapaz deu uma de herói e fez todos saírem do trem. A moça decotada, sabendo que seria a primeira a morrer, já se aproximou do fortão. O gay fez uma piada. Eu, como sou bem mais sensata que mocinha de filme de ação, fui até o telefone de emergência da plataforma e chamei a SSO ao invés de abraçar o rapaz e dizer uma frase de efeito.

Em segundos, surgiu uma profissional do metrô com um radio. Comunicando-se sem parar, ela abriu uma tampinha do lado do trem:

- Xiiiiii.

Isso não é uma coisa boa de se ouvir a caminho de casa e com uma coroa de brilhantes na sacolinha. A funcionária falava e falava no rádio. Depois de alguns minutos, ela nos liberou para que entrássemos em outros vagões e o trem pôde seguir sua viagem. Um pouco desapontada por não poder mostrar meus dotes de kickboxer, desci na Sumaré e fui pra casa.

Chegando em casa, abri ansiosamente os pacotes e…

A coroa ficou lindíssima, é claro.

Estou usando-a agora.

Mentira, não estou. Mas estou com vontade.

28
May

Biscoito chinês

por Gabi

Hoje cheguei pra trabalhar as sete da manhã, depois de uma quantidade absurdamente insuficiente de horas de sono.

Perturbada por sonhos com anões entregando correios elegantes para gueixas – ou talvez não tenha sido um sonho – comecei os procedimentos para abrir a loja, os caixas, o fundo de troco…

Aí contei cerca de quinhentos reais em moedas e meu cérebro fundiu, claro.

Atarantada, me refugiei na sala da gerência, de onde saio eventualmente para tomar cafés periódicos e me manter em movimento, trabalhando e acordada até as 21:30, fim do meu dia de trabalho.

Num desses momentos de lazer cafeinal, sentadinha e quentinha, abri meu Orkut e lá estava, tal qual um biscoitinho da sorte:

Sorte de hoje: O coração é mais sábio do que a razão.

Damm!

Os números da mega sena essa droga não dá, não?

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Update: fortes emoções no trabalho.

Minha colaboradora me chama:

- Patroinha, vem cá… é urgente.
- Ok…
- Olha o sistema.
- O que tem o sistem…Puta que o pariu!!!
- Pois é.
- Que tela preta é essa?
- Sei lá.
- E que troço vermelho piscando é esse?
- Não sei.
- Liga pro cara da técnica.
- Liga você.
- Odeio ser chefe.

*liga*

- Oi, Herner! pode falar?

*som de churrasco ao fundo*

- Posso sim.

*mastiga*

- Ok…. o sistema… ele… bem, a tela está preta e tem um troço piscando vermelho e fazendo bip bip.
- Ah, reinicia o sistema.
- Control Alt Del?
- É.
- Certeza?
- Manda ver.
- Ô Cris! Dá um control alt del aí!
- Patroinha, certeza?
- Manda ver!!

*espera tensa*

- Tá funcionando!
- Aleluia! Herner, tá tudo bem…
- Ok, vou comer agora.
*desliga*

Enfim, tudo está bem quando termina bem.

26
May

Lavo, passo, cozinho e solto hadouken*

por Gabi

É de conhecimento público que sou uma moça muito prendada.

Sei cozinhar bem, faço desde o trivial variado até nouvelle cuisine e feijoada.

Lavo roupas separando as brancas das coloridas, uso amaciante segundo as instruções do fabricante, uso alvejante para roupas coloridas com prazer.

Sei passar roupas e deixar os lençóis estalando de tão esticados, e sei arrumar a cama como aquelas de hotel.

Uso óleo de peroba nos móveis de madeira, limpo e desinfeto banheiros, penduro mesas e suportes de microondas, organizo roupas por cor no armário.

Enfim, uma dona de casa das mais completas.

O que ninguém sabe é que eu não tenho o menor saco de fazer tudo isso, toda semana.

Então eu tenho uma faxineira. A atual se chama Zilmara, é mais baixa que eu e deve pesar uns 40 quilos, molhada e de sapato. Quando venta muito, tenho medo que a Zil saia voando.

Ela vem à minha casa às sextas feiras e deixa tudo um brinco para o final de semana.

Quando você sai da casa da mamãe, rapidamente descobre algumas verdades universais:

Contas não se pagam sozinhas. Mas pra isso existe o débito automático e a negociação com a Mastercard.

Comida não brota da geladeira. Só aquela batata que esqueci lá por 3 semanas e que gerou todo um ecossistema no gavetão de verduras, mas isso é outro problema.

A louça não é transportada misticamente da pia para o armário, arrumadinha.

Pêlos de gato não são reabsorvidos pelo organismo felino. Eles precisam ser aspirados ou viverão em seu sofá pra sempre.

Suas roupas não reaparacem em seu armário, passadas e cheirosas.

Você precisa de uma Zilmara, ou de uma Lu, ou Maria, ou Dayse…

Elas salvam nossas vidas e transformam a bagunça em um local agradável pra se viver.

Hoje de manhã, saí correndo pra trabalhar e esqueci de deixar a chave. Zilmara me liga a cobrar do orelhão, indignada:

- Você não deixou a chave.
- Putz!!!!
- A casa deve estar a maior bagunça!
- Está mesmo… você pode vir amanhã?
- Sábado???
- É… eu vou trabalhar amanhã e…
- Tá, tá. Eu vou.

Morrendo de vergonha, desliguei e separei o dinheiro de duas conduções da Zil. Amanhã ela virá e me resgatará das profundezas.

Vou fazer uma comidinha boa pra ela e ela vai me perdoar, se tudo der certo.

Caso não dê, semana que vem não terá post: passarei meus dias a limpar.

* Agradeço ao Zé por me ensinar a soltar hadouken e me dar a idéia do título do post. Obrigada, e nada de comer nada por aí.

25
May

Vamos estar te assustando

por Gabi

Eu pago minhas próprias contas – quando não esqueço delas, claro, como tão gentilmente me recordou a gravação da Telefônica hoje pel manhã.

Hoje entro um pouco mais tarde no trabalho e me preparei para dormir gostosinho até as nove da manhã. Estava com uma baita enxaqueca ontem, então tomei Neosaldina e um banho quentinho, por volta das 8 da noite. Com o frio que faz lá fora, coloquei edredons fofinhos sobre o lençol lilás, chamei os gatinhos pra esquentar meus pés e empacotei.

Dormi um soninho maravilhoso e quentinho, até que às sete da manhã toca o telefone.

As sete da manhã ou é desgraça ou é chefe, por isso atendi rapidamente já pensando no pior, e quando ouvi a voz sepucral do outro lado da linha já imaginei que fosse o telefonista do IML:

- Alô!
- Prezado cliente:
- Alô?
- A Telefônica informa que até o presente momento…
- Afe.
- Não acusamos recebimento da sua conta com vencimento em…
- Alô? Alô?

A ligação havia caído. Suspirando, levantei-me e fui ligar no 103 pra descobrir qual conta eu não havia pago. Uma voz saltitante me atende:

- 103 15 Taciana, bom dia, em que posso ajudar?
- Oi, Taciana, eu preciso saber qual conta estou devendo…
- Claro, senhora! Vou estar verificando!!
- E eu vou estar aguardando e cortando os pulsos…
- Como, senhora?
- Nada não. Esteja verificando, por favor.

*musiquinha de espera irritante*

- Senhora, é a conta de maio, com vencimento assim assim e valor assim assado!
- Ok, obrigada, vou pagar…
- Senhora! Aproveitando, estou vendo que o Speedy da senhora é o plano Light!
- Sim?
- Não gostaria de estar migrando para o plano super, por apenas mais cinquenta reais por mês?
- Não, obrigada.
- Mas o plano super permite download de *valor alto* de megabytes por mês! E a velocidade de navegação é de *valor alto*!!
- Eu sou só uma usuária.
- Mas o plano super vai estar atendendo à todas as suas necessidades de usuária e mais!
- Taciana, eu sou uma caloteira… não pago nem o light, porque você está tentando me vender o super?
- Er… Algo mais, senhora?
- Não, obrigada, vamos estar desligando agora, tá?

A pergunta que não quer calar: por que a voz da gravação me avisando que não paguei parecia a do dublador do Boris Karloff e a de Taciana, telemarketer extraordinária, era uma voz animada e tentadora?

Acho que a Telefonica está querendo me asustar.

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Update do barraco do casório: Como sou uma moça fina, mandei um e-mail para todas as meninas da turma comentando o assunto.

Barraqueiras que somos, já armamos um complô. Várias pessoas não vão, outras vão e não vão dar presentes, essas coisas. E os excluídos irão fazer uma festa e não vão convidar o autor do e-mail.

Sou uma diva barraqueira.

23
May

Qual foi o pior fora da sua vida?

por Gabi

Um ex namorado meu me largou por telefone um dia antes de meu avô morrer.

Quando ele soube, me ligou:

- Como você está?
- Como você acha, seu idiota? Você me deu um pé na bunda e meu avô morreu, porra!
- Er. Meus pêsames.

Uma vez, ouvi de um cara que eu era inteligente demais pra ele.

- Mas eu posso ficar burra…

Outra vez, um namorado me disse que o problema não era comigo, era com ele. E era mesmo: problema de gostar de amiga minha.

Já o marido, depois de muito enrolar, confessou que estava saindo com uma loura do trabalho. Agora já colocou até “namorando” no Orkut. Não lhes desejo mal nem nada – apenas que o cabelo dela caia em tufos, como uma espécie retribuição cármica.

Houve uma vez épica, com um baterista, que me deu o fora por carta, enviando 4 páginas de explicações detalhadas sobre como e por quê nosso relacionamento nunca daria certo. Liguei pra ele:

- Como você manda uma carta dessas?
- Ah, precisava te falar essas coisas…
- Você acabou de sair da minha casa!!! Podia ter falado ao vivo!
- Ah… não tive coragem…
- Covarde!
- Não fale assim…
- E quando eu disse que você não tinha atravessado aquela do James Brown era mentira!
- Carai!
- Covarde e desafinado, enfia as baquetas no cu!!!

Nunca mais nos falamos. Não sei porque. Hoje ele tem uma banda de relativo sucesso. Um dia ainda compro o CD.

Mas hoje foi complicado.

Depois de anos de galinhagem, um colega de faculdade anunciou que ia se casar. Ficamos todos muito felizes por ele e ele anunciou em praça pública que estaríamos todos convidados. Vivas. Gritos. Rodadas de cerveja.

A turma trocou e-mails loucamente desde então, combinando detalhes da cerimônia, roupas, pontos de encontro, etc. Até que hoje recebi um e-mail que farei questão de transcrever aqui:

“Gabi,

Eu não queria ser indelicado com vc mas já que vc insiste.

Faz mais de dois anos que não tenho contato nenhum com vc e agora vc simplesmente fica se convidando para ir ao meu casamento. Eu acho que se vc não recebeu o convite é porque não foi convidada e não sera bem vinda. Desculpa a sinceridade mas vc é muito cara de pau para ficar mandando esse tipo de e-mail se convidando para o meu casamento e incluindo outras pessoas que tambem não estão convidadas.”

Não fui convidada e não serei bem vinda: É, de longe, o pior fora da minha vida.

Esse cara tem classe. E estilo.

Parabéns, amigão!
*levanta o troféu joinha*

O mais engraçado: quando eu me casei, convidei o féladaputa. E ele bem que foi.

O mundo é muito injusto mesmo.

23
May

Copo de quem?

por Gabi

No copo vermelho tinha umas melecas aí.

Eu comi pão de mel a rodo, dancei até, cheguei em casa de manhã.

Uma belezinha de festa. Da próxima vez, sugiro convidar menos blogueiros e mais seres humanos.

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Duas coisas bonitas:

Hoje a Cyntia foi chamada de tia pela sobrinha pela primeira vez. E chorou que nem besta.

Marcio, o amigo da Mothra, comprou um apartamento. E ficou todo feliz, apesar de agora querer ter filhas gêmeas. História longa.

Enfim, foram duas coisas bonitas: uma amiga feliz sendo tia, um amigo orgulhoso do fruto de seu trabalho.

Eu, morando de aluguel, sem sobrinhos.

Tenho gatos.

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Preguiça danada de escrever.

Um dia passa.

18
May

Preguiça de fazer post inteiro

por Gabi

Qual a possibilidade de duas pessoas que não se vêem há anos se falarem no msn e descobrirem que ambas estão jantando e lavando roupa naquele exato momento, sendo que tal momento é à uma da manhã de quinta feira?

Se uma das pessoas for eu, enorme. Gigante, mesmo.

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Festa do copo fechada, sábado.

Precisa ir de vermelho? Tem que levar o próprio copo ou vão dar de presente?

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Ele ligou. Bendito PCC que enche o coração dos outros de medo e faz as pessoas lembrarem que estão vivas e que a vida é transitória e deve ser vivida em sua plenitude.

Ele ligou, oras.

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Com que roupa se vai numa festa de blogueiros?

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Como faço pra acordar amanhã às cinco e meia da manhã?

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Alguma alma caridosa pode ir comprar ração de gato pra eu alimentar as crianças? Tá frio demais pra ir no pet shop e eles tão com fome.

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Exatamente quando é que comprar sapatos se torna uma necessidade fisiológica?

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Alguém me faz parar, por favor.

17
May

Out of Africa

por Gabi

Festa de adulto é mais legal porque o vinho é melhor. Mas é mais chata porque acaba cedo e porque todo mundo de repente começa a falar de filhos e empregada.

Só tenho gatos e uma faxineira rebelde que vem uma vez por semana e limpa meus 40 metros quadrados de território neutro resmungando sem parar.

Portanto, não tenho assunto.

Sentei no bar com minha taça de vinho e comi umas castanhas de caju pensando em quando vou ficar besta assim.

Um jovem se aproxima, pede licença e senta-se ao meu lado. Depois de uma conversa básica na qual estabelecemos quais nossos níveis de contato com o aniversariante, aconteceu um silêncio constrangedor. Ele olhou pro meu pé enfiado em um escarpin zebrado e disse:

Segue diálogo com meus pensamentos entre **

- Eu posso dizer muita coisa sobre uma mulher só de olhar o sapato dela…

*ele é veado ou vendedor de sapatos*

- É mesmo?
- É sim. Por exemplo, esse seu escarpin de zebrinha…

*ele é veado*

- Sim?
- Mostra que você é meio sem noção…

*ele é o homem da minha vida!*

- Por quê?
- Onde já se viu vir num lugar assim com um sapato desses?

*ele é louco!*

- Mas hein?
- Isso aqui é um baita bar de gente metida a besta. E você com esse sapato…
- Ué, eu gosto de zebras.
- Ah, eu gosto de zebras, de hipopótamos…

*ele é louco E é o homem da minha vida*

- Jura??
- Juro. Ano que vem vou pra Africa fazer um safári fotográfico.

* ele é louco E é o homem da minha vida E é rico!!!*

- É meeeesmoooo????
- É, vou levar minha noiva…
- Ah. Boa viagem.

*cadê o garçom pra eu pedir muito mais vinho?*

Não conheci o homem da minha vida, não vou à África e o vinho nem era tão bom. Mais uma noite regular de terça feira em São Paulo.

16
May

Pânico, tumulto, guerra? Não, é a liquidação das lojas DIC!

por Gabi

*insira sua piada sobre minha idade aqui*

Na verdade era o PCC dominando a cidade um pouquinho.

Os boataos davam conta que o mundo ia acabar. O PCC provocava tsunamis, terremotos e inundações. O PCC metralhava velhinhas. O PCC queimava igrejas. O PCC invadia o gramado do Pacaembu.

No supermercado chique onde trabalho, no Morumbi, pessoas compravam suprimentos para se fechar em casa por uma semana e não abrir a porta nem pro disque-pizza – vai que o PCC faz um atentado contra o motoboy e acaba invadindo a mansão do doutor? Carrinhos lotados de água, cigarros e foie gras passavam nos caixas.

Meu chefe, carioca, esfregava as mãos com alegria e dizia:

- No Rio isso é todo dia, gente.
- Er… chefe, vamos fechar mais cedo?
- Não!
- E as pessoas que moram em Itapecirica, Taboão, Embu…?
- Que tem elas?
- Como elas vão pra casa? Não tem ônibus…
- Sei lá! Eu quero é lucrar!
- Mas tem gente aqui que mora em Cidade Tiradentes e Guaianazes.
- Ah, eles vão de metrô, sei lá.
- Chefe, você está soando como um monstro capitalista insensível.
- Mesmo?
- Sim.
- Então vamos liberar a galera umas 19hs…
- E providenciar uma graninha pro táxi?
- Hummm…
- Chefe!!
- Tá, tá, a gente arruma uns dez contos.

E eu corria como uma louca pra apaziguar os ânimos de clientes que pagam sete reais por um sabão em pó Omo e que amargavam filas de mais de vinte minutos pra serem extorquidos.

De hora em hora, minha mãe ligava pra saber se eu estava viva. Estava.
E se o mercado tinha sido atacado/ameaçado.
Não tinha.
E se o PCC dominava o Morumbi.
Não dominava.
E se era verdade que ia ter toque de recolher.
Não era.

O que o PCC queria – e conseguiu – era mostrar que pode parar São Paulo. Taí o poder do crime.

E nego vem dizer que tudo começou por causa de televisões pra ver a Copa.

Pra quê televisão se o Parreira convocou o Emerson e o Adriano?