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04
Apr

Uma cerveja, uma noiva gestante e um café

por Gabi

Um físico, um arqueólogo, um programador e uma loira entram num bar. Parece piada, mas foi minha sexta feira à noite.

Movidos por um desejo incontrolável de tomar cerveja, começamos a noite comendo muitas esfihas e decidindo se deveríamos ou não iniciar uma produção massiva de metanfetaminas usando alguns recursos do Ipem e uma quantidade razoável de xarope para tosse. Depois de sermos informados dos riscos de explosão, concluímos que não era uma boa carreira a seguir.

Depois, Thiago comunica:

- Recebi hoje o segundo aumento do ano!
- mentira…
- E vou comprar um carro!
- Mentira!
- E vou casar com a Regina!
- MENTIRA!!!

Pois é, amigos, Thiko, o solteiro, irá morar com sua namorada… As coisas mudam. Agora só falta o Penin. Aí o Apoclipse chega.

Depois fomos a um boteco simpático comer picadão e tomar cerveja. Original, Serramalte, Bohemia… foram diversas. Comemos um picadão (coisa de louco) e uma porção de provolone, tomamos mais cervejas, conversamos, o Gerson falou palavrão, eu fui elevada à condição de mano do Sesc, Penin elocubrou planos, discutimos política, eu defendi o abraçamento de árvores, Thiago foi contra, falamos mal do Lula, eu e Penin quase choramos de desgosto… Enfim, uma noite normal.

Até que o bar fechou. Enquanto tomávamos as diversas saideras, olhei pra fora:

- Gente, tem uma noiva gestante descendo a Barão do Bananal.
- Aonde?!
- Ali. E vem com o cortejo todo.

Descendo a rua, em direção ao boteco, uma noiva muito grávida liderava um grupo de convidados. Noivo, padrinhos, enfim, tudo que se espera de um casamento. E tentando entrar no bar. O proprietário do boteco, irredutível:

- Estamos fechados!

Meu coração compadeceu-se da situação da pobre moça. Puxa vida, onde já se viu impedir uma noiva gestante de entrar no boteco?

- Ô, noiva…
- Oi?
- Tem outro bar ali embaixo… deve estar aberto, a gente tá indo pra lá.
- Opa! Vambora, pessoal! Finalmente vou poder comemorar meu casamento!
- Aêêêêêêêêêêêê!! U-huuuuu!

Descemos a rua, seguidos pelo alegre grupo de convivas. Na esquina de baixo, o bar fechado.

- Meninos, vamos embora senão a noiva gestante vai achar que eu a enganei de propósito..
- Ué, e não foi?
- Penin!!!

Fugimos correndo e fomos fechar a noite no Fran’s. Depois de alguns cafés, com a sobriedade ligeiramente retomada, apavoramos o Thiago com a idéia de ele ser pai muito em breve. O pobre rapaz deve estar até agora com medo.

Na hora de ir embora, mencionei o filme What the fuck do we know, que mostra membros de diversas religiões alterando a química molecular de um copo de água. E eu, a boazinha:

- Pois é, gente, assim vocês podem ver que a verdadeira fé existe e…
- Já sei! Vamos pegar Nova Schin e mentalizar que ela está se transformando em Baden Baden!
- Mas tem que ter fé, Penin!
- Ué. E eu não tenho fé na cerveja?
- É verdade.

Chegando em casa, por volta de seis da manhã, maravilhei-me com o nascer do sol e cheguei à conclusão de que em algum momento da minha vida eu preciso voltar a dormir.

Mas parafraseando Santo Agostinho: não agora, Senhor.