Amigos sempre sabem o que fazer
Tá, confesso: não consigo deixar de lado esta porcaria.
Então vamos lá. Vou escrever de uma vez e por favor não me perguntem nada.
O Beto saiu de casa. Está morando com sua mãe por enquanto. Já levou algumas roupas e o computador. Em breve, leva o resto das coisas. Não, não acho que tenha volta.
Pronto.
Agora vou ali no banheiro chorar e já volto.
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Aí as amigas muito sábias me tiraram de casa no fim de semana. Me arrastaram pra praia – mesmo na chuva. E lá fui eu pra Juquehy, desfilar toda a brancura que só 3 anos sem praia podem garantir a um ser humano.
O bom de ter amigas é que não importa o quanto você esteja no fundo do poço sempre tem uma com uma história pior.
O nome da moça é Daniele. Há uns seis meses começou a namorar um rapaz, percebeu que ele era meio estranho e terminou há um mês. 15 dias atrás, recebeu um e-mail supostamente dos pais dele, dizendo que o moço havia se matado e que a culpa era dela.
Ela passou os últimos 15 dias a base de remédios tarja preta e sessões de terapia.
Na quinta, ela recebeu uma mensagem de celular. Do falecido. Apavorada, ligou pra casa dos pais dele, que não sabiam de nada. O cara estava vivo, e vindo pra São Paulo atrás dela. Ocorre que o rapaz sofre de alguns transtornos mentais e já perseguiu uma ex-namorada por 6 meses.
Agora ela pode parar com os remédios, mas vai começar com os seguranças.
Viu como o fundo do poço tem porão?
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Na praia, fomos parar numa festa caiçara. Sabe aquele filme que o Patrick Swayze é o surfista bandido e o Keanu Reeves o policial que se infiltra na gangue e acaba fascinado com a filosofia de vida do surfe? Bem, nele tem uma cena de festa surfista. Era mais ou menos aquilo.
Primeiro pensamos que seríamos hostilizadas, expulsas e que teríamos que fugir correndo sob uma chuva de pedras. Ao chegar, sem conhecer ninguém exceto o japonês maluco* que nos levou lá, dei de cara com dois nativos conversando:
- Pô, acabei de dar um susto nuns haoles.
- Que rolou, peixe?
- Os caras folgados, pô. Queriam estacionar bem aqui na porta, tá ligado? Na minha vaga…
- Que cê fez?
- Botei a cabeça pra fora do carro e dei uns berros…
- É, essa galera de fora é foda.
*Gabi tenta fazer cara de caiçara*
- Menina, que lindo que tá seu cabelo!
- Fiz escova hoje… Festa do Mateus, né, tem que vir bonita…
*Gabi tenta esconder seu cabelo armado e sua roupa de praia*
E assim por diante. No fim, o pessoal era legal. Depois de algumas cervejas, todos ficaram amigos e demos boas risadas.
Na porta da casa tinha um longboard encostado, que de longe era o maior que já vi. Era praticamente um iate. Famílias de havaianos poderiam ali habitar sem se preocupar com o espaço. Também descobri que quando o vento sopra de Sudeste é porque o tempo vai fechar. Se eu soubesse pra que lado fica o Sudeste, isso seria uma informação extremamente útil.
Uma festa de caiçaras, meus amigos, e eu lá, branca, largada, descabelada e sem saber de que lado se usa uma prancha.
Tem coisas que só um japonês maluco* faz por você.
*Kwuahara, japonês maluco, merece um post só pra ele. Trabalha com cinema, sempre tem uma balada pra ir, até nos locais mais exóticos. Conhece todo mundo. Não é nada zen, mas já morou no Japão e adora sashimi. Amigo dos tempos de faculdade, sabe do que um garota precisa para se feliz: uma festa bizarra, cerveja e uma série de piadinhas tirando sarro da outra amiga que deu uns beijos no dentista local:
- E aí, Cy??? Tá com o plano odontológico em dia??
- E aííí, Cy?? Tratou o canal?
- E aííííí, Cy?? Tá anestesiada??
Eu adoro esse cara.

