por Gabi
Macarrão de domingo é um dever, uma obrigação para com a sociedade. Que churrasco, que nada: domingo é dia de comer macarrão e cochilar preguicentamente depois, pra acordar na hora do jogo. É uma das coisas que eu mais gosto de fazer: uma macarronada, um cochilo, uma preguiça, uma molezinha na frente da TV.
E pra fazer macarrão é tão simples, que dá até pena de quem compra pomarola de caixinha pronto. Eu tenho vergonha quando vou ao mercado e compro molho de caixinha. Passo no caixa meio cabisbaixa, escondendo, e como aquelas pessoas que têm vergonha de comprar camisinha na farmácia e disfarçam comprando desodorante e aspirina junto, eu coloco coisas no carrinho pra desbaratinar. Coloco pão, leite, refrigerante, qualquer coisa pra distrair a mocinha e evitar que ela pense que sou do tipo que come molho pronto de caixinha. Porque eu não sou. Mas às vezes chego tarde em casa, às vezes o marido tá sozinho e com fome, e aí eu apelo pro molho pronto. Mas tenho vergonha.
O que gosto mesmo é de comprar polpa de tomate, extrato de tomate ou tomate pelado – ou ainda comprar tomate fresco bem maduro e aferventar até sair a pele depois de fazer um corte em cruz na bundinha dele. Enfim, eu bato esse tomate ou uso a polpa ou o extrato e fica bem melhor do que qualquer molho pronto.
Ralo cebola bem fininha, porque minha mãe não gosta de cebola e minha vó me ensinou assim. Refogo cebola ralada e alho batidinho no azeite até dourar, coloco carne moída duas vezes, uma carne magrinha e sem gordura porque o gosto é melhor assim, e refogo. Quando a carne fica marrozinha e começa a soltar água, coloco um copo de vinho tinto. Nele dissolvo um envelopinho de caldo de legumes ou de frango, pra dar sabor. Não uso cubo, tem muita gordura. Nessa hora, o gato vem trançar nas minhas pernas e eu o enxoto com o pano de prato. Acredito piamente que cozinheira que tem gato ou cachorro ou criança pra atrapalhar na hora de cozinhar faz a comida mais gostosa, sempre.
Espero ferver pra evaporar o álcool do vinho, e aí coloco a massa de tomate, misturo e vejo se a cor está bonita. Se não estiver bem vermelhinho, boto mais extrato de tomate pra ficar lindo e vermelho brilhante. Aí um pouco de pimenta do reino pra dar uma acordada na língua na hora de comer, uma colher de açúcar pra quebrar a acidez e deixo ferver pra apurar e engrossar. Quando chega no ponto que gosto, desligo e enfio montes de folhas de manjericão bem lavadinhas. Manjericão e manjerona são as únicas ervas aceitáveis no molho do macarrão. Não sei o que leva um ser humano a colocar orégano no molho de macarrão. Amarga ao ferver e acaba com o sabor.
Esquento água, cozinho a massa, fresca ou seca, tanto faz. Nunca vai ser gostosa como a massa fresca que minha avó abria na mesa da cozinha e pendurava em cabos de vassoura pra secar. Eu não sei fazer a massa do macarrão. A minha fica seca e ruim. Melhor comprar logo no mercado. Cozinho, jogo o molho por cima, um pouco de parmesão ralado na hora, um pãozinho pra limpar o prato e é isso, o macarrão de domingo está pronto e na mesa. Eu bebo com coca cola mesmo. Muitos bebem com vinho, que combina muito bem.
Agora vamos comer que daqui a pouco tem jogo do Timão. Uma rodada de massa com vinho pro Doutor, que era do tipo que comia, bebia e vivia, e agora vai ver o Corinthians campeão lá de cima.

Salute!