Por que eu chorei tanto essa semana?
Li o texto lindo da Luiza Pannunzio e comeci a chorar, de novo.
Comecei chorando na quinta, vendo a Choque na Paulista, na minha avenida. Lá onde passei criança indo pra casa do meu pai; depois adolescente indo ao cinema ou ao Objetivo encontrar amigos, mais tarde, onde trabalhei, fui a bares, passeei. A Choque na porta do Trianon. Chorei de raiva e de tristeza.
Chorei com o video do Meu Caro Amigo que a Ana mandou porque ele me lembra do meu pai e da infância.
Chorei de orgulho da minha mãe.
Chorei com o texto do Impedimento, um blog de futebol, que nem precisava falar do assunto.
Chorei de alegria vendo o número de cidades se levantando ao redor do Brasil.
Chorei de emoção vendo o Mobilizados, que em um dia ganhou corpo e virou fanpage pra divulgar idéias pacíficas pros protestos.
Chorei com o relato da Tatiana, que não conheço.
Chorei mais com quem eu conheço, com a Dre contando do que houve na porta da casa dela.
Chorei com o Pedro indo buscar a Fernanda na Paulista.
Chorei ao ouvir o que aconteceu hoje em Brasilia.
Quantas vezes vou chorar até o fim desses protestos? Não sei. Quantas forem necessárias. Segunda feira eu vou pra rua. Talvez chore de novo, seja de raiva, de orgulho ou de gás lacrimogênio. Não importa.
Eu choro pela minha cidade e pelo meu país o quanto for preciso, desde que no fim a gente mude alguma coisa. Não os 20 centavos da tarifa. Porque agora não é sobre 20 centavos. Talvez nunca tenha sido. É sobre direitos. Sobre respeito. Sobre não ter mais que ler sobre latrocínio no bairro onde morei, nem sobre o custo dos estádios da Copa, sobre corrupção.
Postei no facebook e repito aqui:
Existe amor em SP. Mas existe tanto amor, mas TANTO, que vai ter cada vez mais gente na rua exigindo respeito. Isso é amor. Amor pela minha cidade, pelo lugar onde nasci e escolhi morar, onde trabalho, onde tenho amigos e familia. Eu amo essa cidade e ela é minha. É nossa. Não sou conduzido, conduzo.
E é por isso que eu vou chorar quantas vezes forem necessárias. É choro de amor por esse lugar e de esperança por acreditar que as coisas podem mudar. Vamos pra rua.
(esse texto é pra todo mundo que tá na rua, tá em casa compartilhando notícia, tá colocando toalha branca na janela. Mas ele é mais pra Aninha, que sei que anda chorando tanto quanto eu, lá em Berlim, enquanto ajuda como pode, mandando as noticias, divulgando um monte de coisa legal. Tamo junto. <3 )
















